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Na CSW70, ministra Márcia Lopes reafirma apoio do governo do Brasil à candidatura de Michelle Bachelet à Secretaria-Geral da ONU
Foto: Cipó
Nova Iorque (EUA) – Em agenda no segundo dia da 70ª sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW70), a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou nesta terça-feira (10) de debates oficiais da ONU, encontros bilaterais e entre outras agendas que reforçaram o compromisso do Brasil com a igualdade de gênero e o fortalecimento do multilateralismo.
Durante o Seguimento Ministerial - Mesa redonda sobre acesso à justiça, realizado na sede das Nações Unidas, a ministra apresentou a experiência brasileira no enfrentamento à violência contra as mulheres e na ampliação do acesso das mulheres e meninas ao sistema de justiça. O debate integra o tema prioritário da CSW70, que discute formas de fortalecer sistemas jurídicos inclusivos e eliminar barreiras estruturais que impedem mulheres de acessar seus direitos.
No encontro, Márcia Lopes destacou políticas estruturantes do Brasil, como a Lei Maria da Penha, a ampliação das Delegacias da Mulher, o Ligue 180, as Casas da Mulher Brasileira e as Patrulhas Maria da Penha, além de iniciativas mais recentes voltadas à autonomia econômica e à prevenção da violência.
Segundo a ministra, o Brasil tem buscado fortalecer políticas integradas entre o sistema de justiça e as políticas públicas para garantir proteção e reparação às mulheres.

Apoio à candidatura de Michelle Bachelet
Durante agenda na ONU, a ministra também manifestou apoio do governo brasileiro à candidatura da ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet, ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas.
A ministra destacou que, apesar de décadas de atuação internacional pela igualdade de gênero, a ONU nunca foi liderada por uma mulher.
“A América Latina tem demonstrado maturidade política ao representar lideranças altamente qualificadas. A trajetória da presidenta Michelle Bachelet é amplamente reconhecida por sua contribuição à democracia, aos direitos humanos e à igualdade de gênero, raça e etnia”, afirmou.
Bachelet já foi presidenta do Chile por dois mandatos e ocupou cargos de destaque no governo chileno e em organismos internacionais, incluindo a liderança da ONU Mulheres e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Liderança feminina e futuro do multilateralismo
A ministra também participou do encontro “Mulheres no Poder: Liderança feminina na ONU e o futuro do multilateralismo”, que reuniu lideranças políticas e diplomáticas durante a CSW70.
O evento contou com a presença da primeira-dama Janja Lula da Silva e reafirmou o apoio do governo brasileiro à candidatura de Michelle Bachelet para o comando das Nações Unidas.
O debate destacou a importância de ampliar a presença de mulheres em posições de liderança internacional e fortalecer o multilateralismo como ferramenta para enfrentar desigualdades e promover direitos humanos.
Bilateral com a Anistia Internacional
Ainda pela manhã, Márcia Lopes realizou reunião bilateral com a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, para discutir o cenário internacional de direitos humanos e desafios no enfrentamento à violência de gênero.
Durante o encontro, foram abordados temas como violência policial, proteção de defensoras de direitos humanos e o fortalecimento de mecanismos internacionais de garantia de direitos. A Anistia Internacional é um movimento global presente em mais de 150 países dedicado à defesa dos direitos humanos.
A ministra destacou que a Constituição brasileira orienta a atuação do governo na promoção de direitos e reforçou o compromisso do país com a democracia, a participação social e a construção de políticas públicas em diálogo com a sociedade civil e os movimentos sociais.

Cooperação com Reino Unido contra violência de gênero
Em reunião bilateral com a ministra para Mulheres e Igualdades do Reino Unido, Baroness Smith, foram discutidas estratégias para o enfrentamento da violência contra mulheres e meninas.
O Brasil compartilhou experiências como a Lei Maria da Penha e iniciativas voltadas ao combate à violência digital de gênero e à proteção de meninas e jovens nas plataformas digitais.
Durante a reunião, o Reino Unido apresentou a iniciativa de criação da Coalizão Internacional para Erradicar a Violência contra Mulheres e Meninas, que pretende reunir países para promover ações baseadas em evidências e ampliar a cooperação global no enfrentamento à violência de gênero.

Parceria com a Colômbia
A ministra também se reuniu com a ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Rosa Yolanda Villavicencio, em encontro voltado ao fortalecimento da cooperação regional na agenda de igualdade de gênero.
Os dois países discutiram o intercâmbio de experiências sobre políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres e avaliaram a possibilidade de desenvolver ações conjuntas na região.
Entre os temas abordados esteve o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa que reúne os três poderes para fortalecer a prevenção, ampliar medidas de proteção e acelerar a responsabilização de agressores.

Próximas agendas da ministra na CSW70
A agenda da ministra Márcia Lopes em Nova Iorque continua nesta terça-feira (10) com a participação no evento de alto nível “Feminicídio e os caminhos para o seu combate, com transformação cultural e social”, organizado pela Presidência do Brasil em parceria com as missões do Brasil e do México na ONU.
Ao longo da noite, a ministra também cumpre reunião bilateral com representantes do governo da Austrália e participa de encontros diplomáticos com delegações internacionais, incluindo atividades promovidas pela União Europeia e pela CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe.
Confira mais informações e a programação da delegação brasileira na CSW70 neste link.