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VIVER SEM VIOLÊNCIA
Ministério das Mulheres capacita equipes para a futura Casa da Mulher Brasileira de Aracaju
O Ministério das Mulheres realizou, quinta-feira (12) e sexta-feira (13), um encontro de formação inicial para capacitação dos profissionais que atuarão na primeira Casa da Mulher Brasileira (CMB) de Aracaju, em Sergipe. A inauguração do espaço está prevista para o final deste mês, quando serão iniciados os atendimentos.
O objetivo é preparar as equipes para oferecer um atendimento integrado, humanizado e voltado ao apoio e à proteção das mulheres vítimas de violência, considerando as necessidades e as especificidades de cada situação.
Ao todo, foram capacitados 120 profissionais, sendo que 70 deles já trabalham em serviços de segurança pública do estado, como departamentos ou delegacias especializadas no atendimento de grupos vulneráveis no estado.
A formação ocorreu na Academia de Polícia Civil de Sergipe (Acadepol), com aulas ministradas pela equipe da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres (SENEV), do Ministério das Mulheres, em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado de Sergipe (SPM-SE) e da ONU Mulheres.
“Essa parceria entre o governo federal, o governo estadual e a Prefeitura é muito importante para o processo de formação e qualificação dos profissionais que atuarão nesse serviço tão relevante, que é salvar e proteger a vida das mulheres vítimas de violência aqui no estado”, destaca Maura Luciane Conceição de Souza, coordenadora-geral de Fortalecimento da Rede de Atendimento.
A secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Georlize Teles, reforça que a primeira Casa da Mulher Brasileira, em Aracaju, será uma referência para as sergipanas que buscam o apoio e a proteção do estado.
“Será a casa do acolhimento, a casa da proteção da mulher sergipana. Com certeza, esse equipamento fará a diferença na vida de nossas mulheres”, afirmou a secretária.
Foco da formação: atendimento humanizado
Com programação intensa ao longo dos dois dias, das 9h às 17h30, a formação dos profissionais contou com debates e atividades práticas focadas no atendimento humanizado das mulheres vítimas de violência.
No primeiro dia, foram abordados os fundamentos teóricos e o contexto das políticas públicas para as mulheres. Entre os temas discutidos estão o histórico da luta por direitos das mulheres, conceitos de gênero e interseccionalidade, além dos diferentes tipos de violência contra as mulheres – física, psicológica, moral, patrimonial – e os desafios para enfrentá-los.
Marco legal
O conteúdo também destacou os principais marcos normativos nacionais e internacionais que orientam as políticas de proteção às mulheres, como a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio (Decreto nº 11.640/2023) e a Convenção de Belém do Pará, além de debates sobre violência institucional e riscos de revitimização no atendimento – quando a mulher é sujeita a novos traumas, sofrimentos ou humilhações, no momento da queixa, pelas instâncias formais de controle: delegacias, tribunais, Ministério Público, entre outros.
Técnicas de escuta ativa
O segundo dia foi dedicado ao conhecimento da integração dos serviços da Casa da Mulher Brasileira com a rede de atendimento, incluindo os órgãos de segurança do estado. Os profissionais receberam orientações sobre o protocolo com práticas de atendimento humanizado, como técnicas de escuta ativa, compreensão da rota crítica percorrida pelas mulheres em busca de apoio e o papel das equipes multidisciplinares no acolhimento e acompanhamento dos casos.
Qualificação de dados para fortalecer políticas públicas
A gestão e qualificação das informações de atendimento também fazem parte do conteúdo da formação. As equipes discutirão a importância da produção de dados confiáveis para o monitoramento dos serviços e para o aprimoramento das políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Casa da Mulher Brasileira
A Casa da Mulher Brasileira será a primeira no estado de Sergipe e funcionará 24 horas por dia. O espaço vai concentrar, em um único local, serviços de recepção, triagem, acolhimento, delegacia especializada, Juizado, Ministério Público e Defensoria Pública.
Expansão da rede
A expansão da rede de proteção às mulheres em situação de violência é um dos principais eixos do Programa Mulher Viver sem Violência, coordenado pelo Ministério das Mulheres. Desde 2023, 19 novos serviços especializados já foram inaugurados, entre Casas da Mulher Brasileira e Centros de Referência da Mulher Brasileira, em diferentes regiões do país. Outros 50 estão em implantação, em diferentes fases.
No Painel de Monitoramento das Casas da Mulher Brasileira e dos Centros de Referência é possível acompanhar o processo de implementação de novas unidades, com informações sobre fase do projeto, recursos investidos, entre outros dados
Denúncias no Ligue 180 em Sergipe
Em 2025, o Ligue 180 no estado de Sergipe recebeu 7.908 ligações e registrou 1207 denúncias de violência contra as mulheres, o equivalente a uma média de quatro denúncias por dia no estado.
E somente nos três primeiros meses de 2026, o serviço já soma 646 chamadas e 117 denúncias. A maior parte das denúncias (cerca de 77%) refere-se a situações de violência doméstica e familiar ou em relações de afeto. A maioria das mulheres que buscam ajuda tem entre 35 e 39 anos.
No Painel de Dados do Ligue 180 é possível consultar o perfil dos atendimentos realizados pela Central de Atendimento à Mulher em cada estado.