“Quem assegura a igualdade de gênero projeta o país do futuro”, diz ministra em seminário do Conselhão pela vida das mulheres
Evento realizado no Palácio do Planalto integra as ações do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio e reúne governo, empresas e sociedade civil em defesa da vida de meninas e mulheres

O Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (Conselhão) realizou nesta terça-feira (4), no Palácio do Planalto, o seminário “Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres”, em parceria com o Ministério das Mulheres. A iniciativa integra as ações do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio e reuniu representantes do governo federal, empresariado, movimentos sociais e organismos internacionais.
A iniciativa dialoga com a campanha “Todos Juntos por Todas”, lançada pelo governo do Brasil, que convoca os homens a se posicionarem e participarem ativamente do enfrentamento ao feminicídio, reforçando que proteger a vida de meninas e mulheres é um compromisso coletivo.
Durante a abertura do encontro, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que promover a igualdade de gênero é essencial para o desenvolvimento do país e para a construção de uma sociedade mais justa.
“Quem cuida das mulheres, quem assegura a liberdade e a igualdade de gênero, sem dúvida cuida da sociedade e projeta o país do futuro que precisamos”, afirmou.
A ministra também reforçou que o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas exige mobilização permanente do poder público e da sociedade. Segundo ela, a construção de uma agenda comum entre União, estados, municípios e diferentes setores sociais é fundamental para reduzir os índices de violência.
“Se cada prefeito e prefeita disser ‘neste município nós não vamos tolerar violência contra as mulheres’, isso muda. Se uma vereadora e um vereador disserem isso, se um governador e uma governadora disserem isso todos os dias nas suas cidades, certamente nós haveremos de inverter esses indicadores”, disse.
Márcia Lopes também destacou que o país ainda convive com números alarmantes de violência de gênero e que o compromisso firmado entre os Três Poderes busca fortalecer ações de prevenção, proteção e responsabilização.
“É muito importante acreditar que nós podemos transformar essa realidade e que nós não teremos nunca mais quatro feminicídios por dia, 190 estupros por dia”, afirmou.
A ministra também anunciou uma parceria com a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) para ampliar a divulgação do Ligue 180, canal de atendimento do governo federal para mulheres em situação de violência. Durante todo o mês de março, plataformas digitais como Uber, 99 e iFood, entre outras, exibirão mensagens de conscientização e incentivo à denúncia diretamente nos aplicativos.
Segundo ela, a iniciativa busca ampliar o alcance das informações sobre os serviços de acolhimento, orientação e encaminhamento disponíveis para mulheres em situação de violência.

Responsabilidade coletiva
Em um dos painéis do seminário, a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Estela Bezerra, destacou a importância de ampliar o debate público e envolver os homens na construção de soluções para enfrentar a violência de gênero. A mesa contou também com a presença da farmacêutica Maria da Penha, cuja trajetória inspirou a lei que leva seu nome.
Segundo Estela, enfrentar a violência contra as mulheres exige que sociedade e instituições do Estado adotem novas perspectivas sobre o problema.
“A sociedade e as instituições do Estado têm que colocar lentes para compreender essa realidade. O enfrentamento da violência contra a mulher e do feminicídio requer que os homens, que em parte são agressores, estejam também na produção da análise do problema e da solução. A gente não tem condição de sair do lugar sem a colaboração de vocês”, afirmou.
Ela também ressaltou a importância de deslocar o foco da responsabilização das vítimas para a responsabilização dos agressores. “Não é uma mulher que é morta; é um agressor que mata, que executa uma mulher”, disse.
Mobilização nacional
O seminário integra a agenda nacional do Março das Mulheres, período em que o governo federal promove ações e atividades em todo o país em alusão ao Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março.
Segundo a ministra, a mobilização de diferentes setores da sociedade tem papel fundamental na transformação dessa realidade.
“Neste país que é tão grande – somos 107 milhões de mulheres –, quem assegura a liberdade e a igualdade de gênero cuida da sociedade e projeta o país de futuro que queremos e sonhamos”, afirmou.
No período da tarde, foi apresentado o plano de trabalho do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, com o anúncio de medidas voltadas à prevenção da violência, ao fortalecimento da rede de atendimento e à ampliação das estratégias de responsabilização dos agressores.
Um dos destaques da programação foi a mesa dedicada ao público masculino. A atividade contou com oficina e debates sobre responsabilidade, mudança de comportamento e promoção de relações baseadas no respeito e na igualdade.
Ao longo do dia, o seminário reuniu autoridades, especialistas e representantes de diferentes setores da sociedade em torno da construção de respostas articuladas para enfrentar a violência contra meninas e mulheres no país.
Também estiveram presentes a primeira-dama, Janja Lula da Silva, e os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Margarete Menezes (Cultura), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima). Participaram ainda parlamentares e representantes da sociedade civil envolvidos na formulação de estratégias integradas para enfrentar a violência contra meninas e mulheres no país.
Assista ao seminário
Confira a programação completa do Março das Mulheres - Todos Juntos por Todas.
