Tenda Lilás e Ato Memorial pela Vida das Mulheres mobilizam Macapá contra o feminicídio
Iniciativa do Ministério das Mulheres leva acolhimento, orientação sobre direitos e murais urbanos a Macapá e Oiapoque para fortalecer a prevenção e o enfrentamento à violência de gênero

A prevenção e o enfrentamento à violência de gênero ganharam novos espaços de mobilização no Amapá com a chegada da Tenda Lilás, iniciativa itinerante do Ministério das Mulheres que une acolhimento, informação e arte urbana para fortalecer a rede de proteção às mulheres e conscientizar a sociedade sobre o feminicídio.
A ação, que começou na terça-feira (12/5), prossegue até sábado (16/5) com atividades em Macapá e Oiapoque, incluindo rodas de conversa, oficinas, apresentações culturais e a inauguração de murais urbanos em homenagem à vida das mulheres vítimas de violência.
A assessora especial de Participação Social e Diversidade do Ministério das Mulheres, Kênia Augusta Figueiredo, destacou o papel da iniciativa nos territórios.
“Na Tenda Lilás, estimulamos as mulheres a não se calarem e se juntarem a nós pelo fim da violência. A Tenda Lilás não trabalha sozinha. Quando chegamos aos territórios, aproximamos as mulheres da rede de proteção e reforçamos que o enfrentamento à violência é uma responsabilidade coletiva”, afirmou.

Murais: símbolos de resistência
Um dos destaques da programação desta quinta-feira foi o Ato Memorial pela Vida das Mulheres, com murais artísticos, pintados com o intuito de transformar os espaços públicos em manifestações de memória e denúncia contra o feminicídio.
A intervenção artística reuniu três grafiteiras de São Paulo e seis artistas locais, dando continuidade ao Ato Memorial pela Vida das Mulheres, iniciado pelo Ministério das Mulheres em março deste ano, em São Paulo, com um mural de 184 metros na Marginal Tietê em homenagem a Tainara Souza Santos, vítima de feminicídio. A ação também passou por Porto Alegre (RS) antes de chegar ao Amapá.
A artista Katia Lombardo explicou que a proposta em Macapá buscou valorizar a identidade local e a presença das mulheres da região Norte. No mural principal, mulheres de mãos dadas representam união e resistência.
Por sua vez, a artista Kelly Reis incorporou referências do surrealismo latino e da ancestralidade afro-indígena. “Os homens tentam matar as mulheres por elas serem fortes, não por serem fracas”, afirma a grafiteira em sua obra, que utiliza a cobra coral como símbolo de cura, espiritualidade e potência feminina.

A artista Simone Siss homenageou as matriarcas brasileiras com a frase “Meta a colher”, releitura do ditado popular que transforma a ideia de silêncio diante da violência em chamado à ação coletiva. A personagem retratada segura uma colher que simboliza cuidado, memória, alimentação e proteção.
“Pensei: quem abre mais caminhos para nós, que nossas avós e nossas mães? A colher representa carinho, cuidado e proteção. O ‘não meta a colher’ vira ‘meta a colher’”, explicou a artista.
No sábado (16), a programação será encerrada com cortejos culturais, apresentações artísticas e a inauguração de murais em Oiapoque.