HIDROVIAS

Descomplicando a infraestrutura: entenda os termos usados no setor de hidrovias

De calado ao balizamento, conceitos ajudam a entender como rios são preparados e mantidos para a navegação

Publicado em 01/09/2026 16:24Modificado em 03/09/2026 07:52
Compartilhe:
Embarcação na hidrovia do Rio Madeira
Por trás de cada viagem pelos rios, há estruturas, equipamentos e serviços que ajudam a conectar pessoas, comunidades e mercados.

As hidrovias aparecem com frequência nas notícias sobre transporte de cargas, obras de infraestrutura e logística. Mas termos como calado, derrocamento, balizamento e canal de navegação podem dificultar a compreensão de quem não está familiarizado com o setor. Entender esses conceitos ajuda a acompanhar o que está por trás de obras e ações que tornam a navegação mais segura e eficiente.

Confira alguns dos termos mais usados quando o assunto é hidrovia:

Calado

A distância entre a linha da água e o ponto mais baixo de uma embarcação é chamado Calado. Na prática, indica quanto da embarcação fica submerso e ajuda a definir a profundidade necessária para que ela navegue com segurança.

O calado varia conforme o tipo de embarcação e também pode mudar de acordo com a quantidade de carga transportada. Por isso, as condições de profundidade da hidrovia são importantes para definir quais embarcações podem navegar em alguns trechos.

Canal de navegação

O canal de navegação é a faixa do rio ou de outro corpo d’água (rio, lago, represa) destinada à passagem das embarcações. Suas dimensões e características são definidas para garantir condições adequadas de navegação.

É nesse espaço que são realizados serviços como dragagem e manutenção para preservar a profundidade e a segurança do tráfego. Em uma hidrovia, portanto, o canal funciona como a área destinada à circulação das embarcações.

Dragagem

A dragagem é a retirada de areia, lama e outros materiais acumulados no fundo de um rio ou canal. O serviço pode ser necessário para recuperar ou manter a profundidade adequada à navegação.

Um dos motivos para a realização da dragagem é o assoreamento, processo em que materiais se acumulam no fundo e reduzem a profundidade do canal. Com a retirada desse material, é possível recuperar as condições adequadas para a navegação.

Derrocamento

Já o derrocamento é a retirada ou destruição de rochas submersas, que impedem ou dificultam a navegação. A intervenção pode ser necessária quando formações rochosas ocupam o canal ou reduzem o espaço disponível para a passagem das embarcações.

Um exemplo é o Pedral de Nova Avanhandava, na Hidrovia Tietê-Paraná, onde obras de derrocamento retiram rochas para ampliar a profundidade do canal e manter as condições de navegação mesmo durante períodos sem chuva.

Balizamento

O balizamento é o conjunto de sinais e marcas que orientam as embarcações ao longo da via navegável. Boias, balizas e outros dispositivos indicam o caminho a seguir e ajudam a identificar áreas seguras, obstáculos e pontos de risco.

Eclusa

E a eclusa é uma estrutura que permite que embarcações passem de um trecho do rio para outro quando há diferença de nível entre eles. Ela funciona como um elevador para barcos: a água entra ou sai de uma câmara, fazendo com que a embarcação suba ou desça junto com o nível da água.

Gif sobre eclusas
Como funciona uma eclusa (fonte: Dnit)

Esse sistema permite superar desníveis provocados, por exemplo, por barragens e amplia a extensão dos trechos que podem ser navegados. No Rio Jacuí, no Rio Grande do Sul, eclusas instaladas junto a barragens ajudam a manter um trecho navegável de aproximadamente 300 quilômetros.

Estação de transbordo

A estação de Transbordo de Carga (ETC) é uma instalação usada para transferir mercadorias entre diferentes meios de transporte ou entre embarcações. Na navegação interior, pode ser usada, por exemplo, para receber uma carga que chega por caminhão e transferi-la para uma embarcação que seguirá pela hidrovia.

Esse tipo de instalação facilita a conexão entre diferentes modais e permite que uma mesma carga percorra parte do trajeto por rodovia e outra parte por hidrovia. A legislação define ETC como instalação portuária destinada à operação de transbordo de cargas destinadas ou provenientes da navegação interior.

Rio, hidrovia e canal de navegação

Os três termos estão relacionados, mas não significam a mesma coisa.

Rio é um curso natural de água. Ele pode ser navegável em determinados trechos, mas isso não significa que todo o seu percurso tenha condições adequadas para embarcações.

Hidrovia é uma via de navegação interior preparada e mantida para o transporte por água. É uma via com canal delimitado, sinalizado e com características de navegação mantidas. Uma hidrovia pode ser formada por diferentes trechos de rios, canais e outros corpos d’água. A Hidrovia Paraná-Tietê, por exemplo, é composta por trechos dos rios Paraná, Tietê e Piracicaba, além de canais.

Finalmente, canal de navegação é a faixa dentro de um corpo d’água destinada à passagem das embarcações, com dimensões e características definidas para garantir a segurança da navegação. É, portanto, uma parte da hidrovia, e não sinônimo dela.

Conhecer esses termos ajuda a entender melhor o trabalho necessário para manter uma hidrovia em condições de operação e como essa infraestrutura contribui para movimentar a economia, aproximar comunidades e garantir que o caminho pelos rios continue sendo uma alternativa de transporte para milhões de brasileiros.

Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

Categorias
Infraestrutura, Trânsito e Transportes
Compartilhe: