World News Day destaca papel da informação na promoção da cidadania das mulheres
Mobilização, realizada em 28 de setembro, evidencia a importância da apuração e da checagem dos fatos no jornalismo; guia do Ministério das Mulheres orienta a produção de conteúdos acessíveis e comprometidos com a igualdade de gênero
O Dia Mundial do Jornalismo, celebrado em 28 de setembro, chama a atenção para a relevância do trabalho que permite à população obter informações precisas, compreender os fatos e tomar decisões conscientes. Apurar e checar dados, ouvir diferentes fontes e explicar como acessar direitos e serviços são tarefas que associam o jornalismo ao exercício da cidadania e ao fortalecimento da democracia. A mobilização internacional é conhecida como World News Day.
No serviço público, essa atuação envolve transformar informações sobre leis, políticas e serviços em conteúdos com linguagem clara e objetiva. Ao divulgar um direito, é preciso informar a quem ele se destina, quais são os requisitos, como acessá-lo e onde procurar atendimento. A comunicação pública também assume o compromisso de combater preconceitos e estereótipos na linguagem e nas imagens.
As escolhas por trás da informação
Para orientar essa prática, o Ministério das Mulheres lançou, em 6 de abril, o Guia de Comunicação Pública para Igualdade de Gênero. Voltada a profissionais de comunicação do setor público, a publicação de 50 páginas apresenta quatro eixos centrais da comunicação pública: transparência, acesso, interação e ouvidoria social.
O Guia demonstra como a seleção de palavras, imagens, fontes e dados — ações que fazem parte da rotina jornalística — pode reproduzir estigmas ou contribuir para superá-los. A definição da pauta, as perguntas formuladas na apuração e a seleção de pessoas entrevistadas influenciam a maneira como um assunto é apresentado. Quando as mulheres são omitidas ou retratadas apenas em funções domésticas e de cuidados, por exemplo, a cobertura tende a perpetuar desigualdades históricas.
Nesse contexto, o guia orienta a adoção de uma linguagem inclusiva, que reconheça as mulheres como titulares de direitos, além do uso de dados desagregados, com recortes de gênero e raça. Indicadores genéricos podem ocultar disparidades no acesso às políticas públicas por parte de mulheres negras, indígenas, rurais, periféricas, idosas e com deficiência.
Cobertura da violência exige cuidado
Na abordagem da violência contra as mulheres, o rigor jornalístico é indispensável para evitar a revitimização. Os episódios devem ser tratados sob a ótica da saúde pública, da segurança e dos direitos humanos, priorizando a proteção da vítima e a responsabilização dos agressores.
Isso exige tipificar corretamente a violência, afastar julgamentos morais sobre a vítima e resguardar dados que possam expô-la ou identificá-la. A cobertura deve, ainda, indicar os canais oficiais de acolhimento e proteção.
Mais vozes, mais diversidade, mais cidadania
A publicação recomenda ampliar a diversidade das fontes e das equipes. Ouvir mulheres com diferentes trajetórias e saberes enriquece a cobertura com perspectivas fundamentais. Além disso, a escuta ativa por meio de ouvidorias e mecanismos de participação ajuda a mapear as dúvidas e entraves no acesso aos serviços públicos.
Ao reunir apuração cuidadosa, diversidade de vozes e informações úteis, o jornalismo municia a sociedade de ferramentas para o exercício pleno da cidadania e da participação democrática.
Mobilização internacional
Idealizado em 2018 pelo jornalista David Walmsle, editor-chefe do jornal canadense The Globe and Mail, o World News Day reafirma o valor do jornalismo fundamentado em fatos, reunindo veículos, entidades e profissionais de mais de 100 países.
>>Acesse o Guia de Comunicação Pública para Igualdade de Gênero.