SAÚDE MENTAL

Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio: 54% das mulheres do Brasil já foram afetadas por apostas online

Dados revelam impactos financeiros, familiares e emocionais das apostas entre mulheres e reforçam a importância da prevenção e do acesso à rede de cuidado em saúde mental

Publicado em 10/09/2026 14:37
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celular mostrando jogo de aposta online
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Nesta quinta-feira (10), é celebrado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, a data que reforça a importância do cuidado com a saúde mental e a prevenção ao suicídio. Promovida anualmente pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP), com apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS), a iniciativa é realizada desde 2003.  

A atenção à saúde mental também passa pela identificação de comportamentos que podem trazer impactos para a vida pessoal, familiar e financeira. Entre eles estão os problemas relacionados aos jogos de apostas. Segundo o Ministério da Saúde,  pessoas com problemas relacionados às apostas podem apresentar condições associadas, como transtornos de ansiedade e de humor, autolesão e risco de suicídio. 

O impacto das apostas também alcança as mulheres. Pesquisa “Mulheres e Bets: o Custo das Apostas Online para as Brasileiras e suas Famílias”, conduzida pelo estúdio de inteligência de gênero CLARICE, com a consultoria Estratégia Latina e Instituto de Pesquisa IDEIA, mostra que 42% das mulheres brasileiras já apostaram ou continuam apostando em plataformas on-line. Entre as 58% que nunca apostaram, 12% afirmam ser afetadas por parentes ou amigos que jogam. Somados, os grupos representam 54% das mulheres, que já foram impactadas pelas bets de forma direta ou indireta. 

Os impactos dos jogos de aposta na vida das mulheres  

Para algumas mulheres, as apostas podem aparecer como uma alternativa diante de dificuldades financeiras, com o aumento do custo de vida e dívidas a serem pagas. Os jogos on-line podem ser percebidos como uma possibilidade de complementar a renda, fazer o dinheiro render ou ajudar no pagamento de despesas.  

Os efeitos das apostas também podem ultrapassar quem participa diretamente dos jogos. Segundo levantamento do CLARICE, realizado em 2026, entre as mulheres que afirmaram ter sido impactadas pelas apostas de alguém próximo, 25% relataram perdas financeiras, 24,2% mencionaram conflitos familiares e 23,5%, perda de confiança., Na pesquisa, foram relatadas, ainda, dívidas (21,2%) e desgaste emocional (20,5%). 

Os dados mostram que os impactos das apostas podem alcançar diferentes dimensões da vida cotidiana, envolvendo não apenas questões econômicas, mas também relações familiares e o bem-estar emocional.  

Mulheres com filhos apostam 8% mais do que mulheres sem filhos., Oo resultado, contudo, não significa que a maternidade seja responsável pelo comportamento de apostar. A diferença pode ser analisada considerando fatores como desigualdades econômicas, responsabilidades financeiras e a sobrecarga do trabalho de cuidado, que afetam de maneira desigual homens e mulheres. 

Quando dificuldades financeiras, conflitos familiares e desgaste emocional se acumulam, os impactos podem ultrapassar a dimensão econômica. O Ministério da Saúde alerta que problemas relacionados aos jogos de apostas podem estar associados a diferentes sofrimentos e condições de saúde mental, incluindo ansiedade, transtornos de humor, autolesão e risco de suicídio. 

Onde buscar ajuda?  

Segundo a pesquisa, 65% das mulheres que quiseram parar de apostar não procuraram ajuda por vergonha. Além disso, 23% das mulheres que apostam ou já apostaram afirmam não ter a quem pedir ajuda. 

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento para pessoas que enfrentam problemas relacionados às apostas e para seus familiares. A porta de entrada pode ser a Unidade Básica de Saúde (UBS), onde é possível receber orientação e acompanhamento inicial. 

Em situações que demandam atenção especializada em saúde mental, o atendimento pode ser realizado nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). 

É possível utilizar o Meu SUS Digital, pelo aplicativo ou pela versão web. A plataforma oferece um teste para avaliação de risco relacionado às apostas e, quando indicado, possibilita o acesso a teleatendimento com profissionais de saúde. 

 
Também está disponível a Plataforma Centralizada de Autoexclusão que permite fazer, em uma única solicitação, o bloqueio do acesso a todas as plataformas de apostas autorizadas. 

A ferramenta pode ser utilizada como uma medida de proteção para pessoas que desejam interromper o acesso aos sites e aplicativos de apostas. 

Para mais informações, acesse o Meu SUS Digital. 

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Comunicações e Transparência Pública
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