Notícias
CSW70
Lideranças internacionais discutem participação política das mulheres e democracia na Ibero-América
Foto: Club de Madrid
Lideranças políticas e representantes de organismos internacionais debateram nesta quinta-feira (12), em Nova York, estratégias para ampliar a participação das mulheres na política e fortalecer a democracia na Ibero-América. A discussão ocorreu durante o encontro “Tecendo o futuro democrático: mulheres, alianças e liderança na Ibero-América”, realizado no Instituto Cervantes de Espanha, no âmbito da 70ª sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU (CSW70), com participação da secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa.
Durante sua intervenção, Eutália Barbosa destacou que ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão é uma condição para o fortalecimento democrático. “Fortalecer a participação política das mulheres não é apenas uma agenda de equidade, mas uma agenda essencial para a própria vitalidade das democracias no mundo. Afinal, sem igualdade de gênero não há democracia, não há o que se falar de democracia”, destacou.
A secretária-executiva também ressaltou que, historicamente, a política foi estruturada como um espaço predominantemente masculino e que as conquistas alcançadas pelas mulheres resultam de longos processos de mobilização coletiva. “Durante muito tempo, a política foi pensada como um espaço naturalmente masculino. Ao longo dos séculos, as mulheres tiveram que lutar não apenas para conquistar direitos civis, como o direito ao voto, mas também para afirmar sua legitimidade como sujeitas políticas”.
Alianças para fortalecer a democracia
O encontro reuniu lideranças internacionais como Michelle Bachelet, ex-presidenta do Chile e candidata à secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a diretora regional da ONU Mulheres para a América Latina e Caribe, Bibiana Aido, e a secretária de Estado para Igualdade da Espanha, María Guijarro, além de representantes de governos, parlamentos e organismos multilaterais.
Michelle Bachelet ressaltou que os desafios democráticos atuais exigem maior presença feminina nos espaços de decisão. “Estamos vivendo um momento muito complexo para a democracia e para os desafios globais. E isso exige mais mulheres na liderança – não por serem mulheres, mas porque precisamos de lideranças com perspectiva de gênero, que compreendam essas desigualdades históricas e reconheçam a importância de que as mulheres ocupem o papel que lhes corresponde nos espaços de decisão”, reforçou Bachelet.
A diretora regional da ONU Mulheres para América Latina e Caribe, Bibiana Aido, enfatizou que a exclusão de mulheres da vida política representa uma perda para toda a sociedade. “A exclusão, o desgaste e a saída forçada das mulheres da vida política representam uma perda democrática que não podemos permitir como região. Diante desse cenário, a construção de alianças sólidas, regionais e intergeracionais com mulheres líderes torna-se uma estratégia política indispensável”, destacou Aido.
Ela também reafirmou o compromisso da ONU Mulheres com o fortalecimento da liderança feminina e o enfrentamento da violência política de gênero, destacando que “apostar nas mulheres na política não é apenas uma questão de justiça ou de igualdade. É um investimento imprescindível no presente e no futuro democrático da Ibero-América”.
Já María Guijarro destacou o papel das redes feministas e das alianças políticas para o avanço dos direitos. “A agenda de direitos das mulheres é a agenda da democracia e não há volta atrás nisso. Quando se conquistam os direitos das mulheres, as democracias melhoram”, defendeu a secretária de Estado para Igualdade da Espanha.
Guijarro também ressaltou que garantir a presença feminina nos espaços de poder não é suficiente se as vozes das mulheres não forem efetivamente consideradas nos processos de decisão. “Precisamos garantir que nossas vozes sejam ouvidas de maneira ativa. Muitas vezes, quando as mulheres chegam aos espaços de poder, elas são escutadas, mas não de forma ativa – são apenas toleradas.”
Durante o encontro, também foi apresentada a Rede Ibero-Americana de Mulheres na Política, concebida como uma plataforma de cooperação, intercâmbio e ação coletiva entre lideranças femininas da região. A iniciativa busca fortalecer a paridade de gênero, enfrentar a violência política e ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão.
A rede resulta do encontro regional “Liderazgo Transformador y Democracia Inclusiva”, organizado pelo Club de Madrid em outubro de 2025, em Montevidéu, com apoio da Fundação Ford, e está alinhada à XVI Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe.
No primeiro dia da CSW70, a ministra das Mulheres também participou de um encontro com integrantes da rede, ocasião em que foram discutidas estratégias de cooperação regional para fortalecer a presença feminina na política e enfrentar desafios como a violência política de gênero.
Agenda da delegação brasileira
Além da participação no debate, a secretária-executiva do Ministério das Mulheres também cumpriu agenda bilateral durante a CSW70, com reuniões com representantes de Cuba e da República Tcheca.
Na programação do dia, Eutália Barbosa participou ainda dos eventos “Investimento no cuidado para a igualdade e prosperidade”, realizado na Missão Permanente do México, e “Desenvolvimento liderado por mulheres e cooperação Sul-Sul – histórias de sucesso do Fundo IBAS”, na sede das Nações Unidas.
Confira mais notícias e a programação da delegação brasileira na CSW70 neste link.
