Ministra Márcia Lopes defende fim da escala 6x1 e política de cuidados em audiência na Câmara dos Deputados
Na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, ministra detalhou os eixos de atuação da Pasta, defendeu a política de cuidados e anunciou a consolidação de propostas prioritárias da 5ª Conferência Nacional

A ministra das Mulheres Márcia Lopes participou no dia 6/5 da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, para debater o tema planos e a agenda estratégica da Pasta e as ações do Pacto Brasil Local. O evento, que aconteceu na Câmara dos Deputados, contou com a participação de parlamentares, conselheiras e representantes da sociedade civil.
Em sua fala, Márcia Lopes explicou as áreas de atuação do Ministério das Mulheres, que estão distribuídas em três eixos: política de cuidados, enfrentamento à violência e política institucional e participação política.
A ministra ressaltou que a pauta das mulheres é uma pauta intersetorial e transversal e envolve a temática de todas as pastas do Executivo federal, como, por exemplo, saúde, educação, turismo, esporte e previdência. A resposta dessa transversalidade é percebida no guia publicado pelo Ministério do Turismo, que orienta mulheres que viajam sozinhas.
Outro ponto apresentado por Márcia foi a saúde mental das mulheres. Ao longo de sua gestão à frente da Pasta, e a partir de visitas a estados e municípios, dialogando com a comunidade local e mapeando as necessidades regionais, foi identificada a necessidade de cuidados da saúde mental feminina. Com isso, o diálogo entre o Ministério das Mulheres e o Ministério da Saúde foi implementado o teleatendimento às mulheres como política de saúde mental.
“Saúde mental é uma prioridade. As mulheres querem ser saudáveis e terem força para enfrentar o cotidiano”, reforçou a ministra.
Interfederatividade
Como exemplo de diálogo e boa governança, a ministra apresentou o e-book Síntese Analítica das Propostas e Resultados. O documento é fruto da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que, em 2025, reuniu especialistas, sociedade civil e autoridades.
“Da Conferência Nacional de Política para Mulheres que, a partir de quase mil conferências livres, em que cada segmento discutiu sua realidade, saíram 60 propostas prioritárias. Isso estará consolidado no Plano Nacional de Política para as Mulheres, que vamos apresentar até outubro”, disse Márcia.
O trabalho de diálogo e escuta interfederativa faz com que a Pasta das Mulheres avance na implementação de políticas públicas cada vez mais efetivas. “A gente tem trabalhado com os Poderes, com a sociedade civil, para olhar para aquilo que fazemos e entender como podemos aprimorar políticas tão importantes”, destacou.
Política de cuidados e mercado de trabalho
A realidade das mulheres é composta por jornadas duplas, triplas, às vezes remunerada, às vezes não. Essa sobrecarga, que vem acompanhada do cuidado com a casa, família, é um debate que impacta mais de cem milhões de mulheres no país.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, no último ano teve um aumento de 11% de mulheres no mercado de trabalho, e um aumento de 29,9% de mulheres negras. Isso reflete um ponto positivo do trabalho formal das mulheres.
“Esses dados nos mostram que, quando a gente trabalha junto com o Ministério da Igualdade Racianal, dos Povos Indígenas, com empresárias e empresários, a gente avança nesse diálogo. As mulheres têm dupla, tripla jornada de trabalho. Por isso é tão importante o fim da escala 6x1”.
Márcia reforçou a importância do debate sobre o cuidado, que precisa ser visto como uma responsabilidade do estado. Nessa perspectiva, é possível a ação em mecanismos capazes de assegurar que as mulheres tenham mais tempo. “A política de cuidados é importante, pois vem assegurar que as mulheres tenham acesso à creche, cuidoteca, educação infantil, formação, por exemplo”, exemplificou.
Outras ações
A ministra Márcia Lopes aproveitou a oportunidade para reafirmar o compromisso do Governo Federal com a rede de proteção às mulheres e detalhar ações que visam a garantir a autonomia e a segurança feminina, como a ampliação da rede de proteção e no fortalecimento de serviços como o Ligue 180, essencial para a denúncia e prevenção da violência; políticas que gerem independência financeira para as mulheres, citando exemplos como o apoio ao empreendedorismo feminino nas periferias e a valorização das trabalhadoras domésticas; e a violência digital.
“Aquilo que deveria ser plataforma, espaço de orientação, troca, virou ameaça e discurso de ódio. As mulheres são as mais afetadas, sejam elas LGBTQIA+, quilombolas, indígenas, migrantes, negras”, concluiu.