JULHO DAS PRETAS

Conheça cinco obras de autoras negras contemporâneas disponíveis no MEC Livros

Biblioteca digital gratuita reúne romances, cordéis e ensaio de escritoras brasileiras que abordam memória, afetos, relações raciais e resistência

Publicado em 24/07/2026 11:21
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Celebrado em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha marca a mobilização de mulheres negras da região pelo reconhecimento de direitos e pelo enfrentamento ao racismo e às desigualdades de gênero. No Brasil, a data é a mesma do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído pela Lei nº 12.987/2014.

Às vésperas da data, esta seleção reúne cinco obras de autoras negras contemporâneas que constam no acervo do MEC Livros. As indicações abrangem diferentes gêneros e gerações e oferecem caminhos para conhecer narrativas, experiências e reflexões produzidas por mulheres negras.

Conceição Evaristo

Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo

 Sobre a obra

“Canção para ninar menino grande” aborda as contradições da masculinidade de homens negros e seus efeitos nas relações afetivas com mulheres negras. A narrativa forma um mosaico de experiências sobre amor, desejo, abandono e os impactos das desigualdades raciais e de gênero na vida íntima.

Sobre a autora  

Nascida em Belo Horizonte, Conceição Evaristo é escritora, ensaísta, mestra em Literatura Brasileira e doutora em Literatura Comparada. Publicou os primeiros textos na série Cadernos Negros, em 1990, e tornou-se uma das principais referências da literatura brasileira contemporânea. 

Sua escrita é marcada pela “escrevivência”, conceito que aproxima criação literária, memória e experiências vividas por mulheres negras e pela população afro-brasileira.

Outras obras da autora disponíveis para leitura no MEC livros

Outras obras da autora disponíveis para leitura no MEC livros


Um defeito de Cor - Ana Maria Gonçalves

Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves

Sobre a obra 

O livro “Um defeito de cor” narra a trajetória de Kehinde, menina sequestrada aos oito anos no Reino do Daomé, atual Benin, e trazida para ser escravizada na Bahia. Inspirada na história de Luísa Mahin, a personagem relata sua luta pela liberdade, a busca por um dos filhos, o reencontro com a religiosidade e o retorno à África, onde se torna uma empresária bem-sucedida. Em 2007, a obra venceu o Prêmio Casa de las Américas, na categoria Literatura Brasileira.

Sobre a autora 

Mineira de Ibiá, Ana Maria Gonçalves foi a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras. A escritora tomou posse na cadeira 33 em novembro de 2025. 

Depois de trabalhar por 15 anos na publicidade, deixou a profissão para se dedicar à literatura. Ana Maria Gonçalves também atua como roteirista, dramaturga e professora de escrita criativa. 

Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis, de Jarid Arraes

Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis, de Jarid Arraes

Sobre a obra 

Em versos de cordel, a obra apresenta a trajetória de 15 mulheres negras que participaram da formação social, política e cultural do país, mas tiveram suas histórias invisibilizadas. 

Entre elas estão Antonieta de Barros, Carolina Maria de Jesus, Dandara, Esperança Garcia, Laudelina de Campos, Maria Firmina dos Reis, Tia Ciata e Tereza de Benguela, cuja memória é homenageada em 25 de julho.

Sobre a autora 

Jarid Arraes nasceu em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, em 1991. Escritora, cordelista e poeta, é autora de romances, contos e livros de poesia. 

Sua produção recupera histórias de mulheres negras, dialoga com a cultura popular nordestina e aproxima a tradição do cordel de temas contemporâneos.

Nada digo de ti, que em ti não vejam de Eliana Alves Cruz

Nada digo de ti, que em ti não veja, de Eliana Alves Cruz

Sobre a obra  

Ambientado no Rio de Janeiro de 1732, o romance reúne duas famílias ricas cercadas por cartas anônimas, segredos e disputas de poder. 

A trama de “Nada digo de ti, que em ti não veja” é atravessada por racismo, fanatismo religioso, conservadorismo, perseguições e relações afetivas que aproximam questões do período colonial de debates ainda presentes na sociedade contemporânea. 

Sobre a autora  

Eliana Alves Cruz é escritora e jornalista, nascida no Rio de Janeiro, em 1966. Sua literatura aborda memória, ancestralidade, identidade e desigualdade racial, frequentemente por meio de diferentes vozes e perspectivas.

Estreou na ficção com Água de Barrela, obra inspirada na história de sua família e vencedora do Prêmio Literário Oliveira Silveira.

Um Exu em Nova York, de Cidinha da Silva

Um Exu em Nova York, de Cidinha da Silva

Sobre a obra  

“Um Exu em Nova York” recebeu o Prêmio Biblioteca Nacional, em 2019. A obra apresenta uma perspectiva contemporâneas e ficcional do cotidiano, sobre temas como política, crise ética, racismo religioso, perda generalizada de direitos (principalmente por parte das mulheres), negros e grupos LGBT. 

Sobre a autora 

Cidinha da Silva nasceu em Belo Horizonte, em 1967, e publicou 22 livros de crônicas, contos, ensaios, dramaturgia e literatura infantojuvenil.

Com obras traduzidas para seis idiomas, a autora tem nas africanidades, na ancestralidade e no diálogo entre tradições afro-brasileiras, africanas, diaspóricas e indígenas o eixo central de sua produção

Outras obras de Cidinha da Silva disponíveis para leitura no MEC livros:

Como acessar o MEC Livros   

O MEC Livros pode ser acessado gratuitamente pelo site ou pelo aplicativo disponível para celulares Android e iOS. Para utilizar a biblioteca digital, é necessário entrar com uma conta Gov.br, pesquisar a obra desejada e solicitar o empréstimo.

Cada pessoa pode manter um livro emprestado por vez e realizar até dois empréstimos por mês. O prazo de leitura é de 14 dias, com possibilidade de renovação por igual período. A leitura é feita diretamente na plataforma. A disponibilidade de cada título deve ser consultada no momento do acesso.

Categorias
Cultura, Artes, História e Esportes
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