Conheça cinco obras de autoras negras contemporâneas disponíveis no MEC Livros
Biblioteca digital gratuita reúne romances, cordéis e ensaio de escritoras brasileiras que abordam memória, afetos, relações raciais e resistência
Celebrado em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha marca a mobilização de mulheres negras da região pelo reconhecimento de direitos e pelo enfrentamento ao racismo e às desigualdades de gênero. No Brasil, a data é a mesma do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído pela Lei nº 12.987/2014.
Às vésperas da data, esta seleção reúne cinco obras de autoras negras contemporâneas que constam no acervo do MEC Livros. As indicações abrangem diferentes gêneros e gerações e oferecem caminhos para conhecer narrativas, experiências e reflexões produzidas por mulheres negras.

Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo
Sobre a obra
“Canção para ninar menino grande” aborda as contradições da masculinidade de homens negros e seus efeitos nas relações afetivas com mulheres negras. A narrativa forma um mosaico de experiências sobre amor, desejo, abandono e os impactos das desigualdades raciais e de gênero na vida íntima.
Sobre a autora
Nascida em Belo Horizonte, Conceição Evaristo é escritora, ensaísta, mestra em Literatura Brasileira e doutora em Literatura Comparada. Publicou os primeiros textos na série Cadernos Negros, em 1990, e tornou-se uma das principais referências da literatura brasileira contemporânea.
Sua escrita é marcada pela “escrevivência”, conceito que aproxima criação literária, memória e experiências vividas por mulheres negras e pela população afro-brasileira.
Outras obras da autora disponíveis para leitura no MEC livros
Outras obras da autora disponíveis para leitura no MEC livros
- Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade
- Olhos D’água
- Ponciá Vivêncio
- Becos de Memória
- Contos do Mar Morto Sem Fim - coletânea com sete escritores do Brasil, cinco de Angola e quatro de Guiné-Bissau

Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
Sobre a obra
O livro “Um defeito de cor” narra a trajetória de Kehinde, menina sequestrada aos oito anos no Reino do Daomé, atual Benin, e trazida para ser escravizada na Bahia. Inspirada na história de Luísa Mahin, a personagem relata sua luta pela liberdade, a busca por um dos filhos, o reencontro com a religiosidade e o retorno à África, onde se torna uma empresária bem-sucedida. Em 2007, a obra venceu o Prêmio Casa de las Américas, na categoria Literatura Brasileira.
Sobre a autora
Mineira de Ibiá, Ana Maria Gonçalves foi a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras. A escritora tomou posse na cadeira 33 em novembro de 2025.
Depois de trabalhar por 15 anos na publicidade, deixou a profissão para se dedicar à literatura. Ana Maria Gonçalves também atua como roteirista, dramaturga e professora de escrita criativa.

Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis, de Jarid Arraes
Sobre a obra
Em versos de cordel, a obra apresenta a trajetória de 15 mulheres negras que participaram da formação social, política e cultural do país, mas tiveram suas histórias invisibilizadas.
Entre elas estão Antonieta de Barros, Carolina Maria de Jesus, Dandara, Esperança Garcia, Laudelina de Campos, Maria Firmina dos Reis, Tia Ciata e Tereza de Benguela, cuja memória é homenageada em 25 de julho.
Sobre a autora
Jarid Arraes nasceu em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, em 1991. Escritora, cordelista e poeta, é autora de romances, contos e livros de poesia.
Sua produção recupera histórias de mulheres negras, dialoga com a cultura popular nordestina e aproxima a tradição do cordel de temas contemporâneos.

Nada digo de ti, que em ti não veja, de Eliana Alves Cruz
Sobre a obra
Ambientado no Rio de Janeiro de 1732, o romance reúne duas famílias ricas cercadas por cartas anônimas, segredos e disputas de poder.
A trama de “Nada digo de ti, que em ti não veja” é atravessada por racismo, fanatismo religioso, conservadorismo, perseguições e relações afetivas que aproximam questões do período colonial de debates ainda presentes na sociedade contemporânea.
Sobre a autora
Eliana Alves Cruz é escritora e jornalista, nascida no Rio de Janeiro, em 1966. Sua literatura aborda memória, ancestralidade, identidade e desigualdade racial, frequentemente por meio de diferentes vozes e perspectivas.
Estreou na ficção com Água de Barrela, obra inspirada na história de sua família e vencedora do Prêmio Literário Oliveira Silveira.

Um Exu em Nova York, de Cidinha da Silva
Sobre a obra
“Um Exu em Nova York” recebeu o Prêmio Biblioteca Nacional, em 2019. A obra apresenta uma perspectiva contemporâneas e ficcional do cotidiano, sobre temas como política, crise ética, racismo religioso, perda generalizada de direitos (principalmente por parte das mulheres), negros e grupos LGBT.
Sobre a autora
Cidinha da Silva nasceu em Belo Horizonte, em 1967, e publicou 22 livros de crônicas, contos, ensaios, dramaturgia e literatura infantojuvenil.
Com obras traduzidas para seis idiomas, a autora tem nas africanidades, na ancestralidade e no diálogo entre tradições afro-brasileiras, africanas, diaspóricas e indígenas o eixo central de sua produção
Outras obras de Cidinha da Silva disponíveis para leitura no MEC livros:
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