Dia Nacional da Visibilidade Lésbica reforça importância do cuidado com a saúde sexual
Data chama atenção para o direito das mulheres lésbicas ao acesso à saúde, à prevenção de ISTs e ao atendimento acolhedor e livre de discriminação

Celebrado em 29 de agosto, o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica amplia o debate sobre os direitos e as necessidades das lésbicas. Entre os temas que precisam ganhar visibilidade está o acesso à saúde sexual, área em que a desinformação, o preconceito e a falta de acolhimento podem dificultar a procura pelos serviços de saúde.
O cuidado com a saúde das lésbicas deve considerar suas necessidades e práticas sexuais, sem pressupor relações heterossexuais. Um atendimento baseado em suposições sobre a orientação sexual pode contribuir para a invisibilidade de demandas específicas e criar barreiras ao cuidado integral.
A atenção à saúde sexual também é importante para mulheres que se relacionam exclusivamente com outras mulheres. Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) podem ser transmitidas em diferentes práticas sexuais e atingir qualquer pessoa sexualmente ativa. Por isso, informação, prevenção, vacinação, testagem e acompanhamento de saúde fazem parte do cuidado.
Saúde sexual é direito
No Sistema Único de Saúde (SUS), lésbicas podem buscar atendimento para prevenção, diagnóstico e tratamento de ISTs, além de cuidados relacionados à saúde sexual e reprodutiva.
Entre os serviços e ações disponíveis estão:
- orientação sobre saúde sexual e reprodutiva;
- testagem, diagnóstico e tratamento de ISTs;
- acesso às estratégias de prevenção ao HIV e a outras ISTs;
- vacinação, conforme os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde;
- acompanhamento da saúde ginecológica;
- rastreamento do câncer do colo do útero, conforme as recomendações do SUS.
A prevenção deve considerar as práticas sexuais, as necessidades e o contexto de cada pessoa. O SUS adota a prevenção combinada, que reúne diferentes estratégias, como uso de preservativos, testagem para HIV, sífilis e hepatites virais B e C, vacinação contra HPV e hepatite B e, quando indicadas, as profilaxias pré e pós-exposição ao HIV (PrEP e PEP).
O rastreamento do câncer do colo do útero também deve fazer parte do cuidado das pessoas que têm colo do útero, independentemente da orientação sexual. Pelas atuais diretrizes do SUS, o teste molecular para detecção do DNA do HPV é o exame primário para o rastreamento de mulheres de 25 a 64 anos. Quando o resultado é negativo, a recomendação é que o exame seja repetido a cada cinco anos.
Combater a invisibilidade também é cuidar
O acesso aos serviços de saúde não depende apenas da oferta de atendimento. A maneira como as lésbicas são recebidas nesses espaços também pode influenciar a procura e a continuidade do cuidado.
Atendimentos que não consideram a diversidade sexual, falta de informação adequada e experiências de preconceito ou discriminação podem criar barreiras ao acesso à saúde. Por isso, escuta, respeito, privacidade e acolhimento são elementos essenciais para um cuidado integral.
A Política Nacional de Saúde Integral LGBT estabelece, no âmbito do SUS, diretrizes voltadas à promoção da saúde e ao enfrentamento da discriminação e do preconceito nos serviços. O atendimento deve reconhecer as necessidades e especificidades de cada pessoa e garantir o acesso à saúde sem discriminação.
O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica também chama atenção para a importância de ampliar informações e políticas públicas que considerem as especificidades das mulheres lésbicas. Dar visibilidade a essas demandas contribui para garantir o acesso integral à saúde e aos demais direitos.
Para receber orientações, realizar exames ou acessar ações de prevenção, procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A Atenção Primária à Saúde é a principal porta de entrada para os serviços do SUS.