Dia Internacional dos Povos Indígenas celebra diversidade e protagonismo das mulheres indígenas
Celebrada neste domingo (9/8), data reconhece a contribuição dos povos originários e destaca a atuação das mulheres na transmissão de conhecimentos, na produção de alimentos, na proteção dos territórios e na manutenção da diversidade cultural

Celebrado em 9 de agosto, o Dia Internacional dos Povos Indígenas foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994. A data busca ampliar a conscientização sobre os direitos dos povos indígenas e reconhecer a diversidade de suas culturas, modos de vida, conhecimentos e contribuições para o desenvolvimento do país.
O Brasil tem 1.694.836 pessoas indígenas, segundo o Censo Demográfico 2022, que identificou 391 etnias, povos ou grupos indígenas e 295 línguas indígenas no país. Desse total, 860.020 são mulheres, o equivalente a 50,7% da população indígena brasileira.
Presentes em diferentes territórios e contextos – dentro e fora das Terras Indígenas, em áreas rurais e urbanas –, as mulheres desempenham papel fundamental na vida de seus povos e comunidades. Atuam na transmissão das línguas e dos conhecimentos entre gerações, nas práticas de cuidado, na produção de alimentos, no manejo dos territórios e na manutenção de saberes relacionados à biodiversidade.
O cuidado com sementes tradicionais e sistemas alimentares, por exemplo, contribui para a segurança alimentar das comunidades, a continuidade de conhecimentos ancestrais e a manutenção da sociobiodiversidade.
Conhecimento, liderança e memória coletiva
Em diferentes comunidades, mulheres indígenas ocupam espaços de liderança, participam de organizações e movimentos e atuam na defesa dos territórios, da biodiversidade, da segurança alimentar, dos direitos coletivos e da valorização de suas culturas e línguas. Dessa forma, contribuem para fortalecer a memória coletiva, a identidade e a autonomia de seus povos.
Os conhecimentos e práticas dos povos indígenas também têm papel relevante na conservação ambiental e no enfrentamento das mudanças climáticas, especialmente por sua relação com os territórios, o manejo da biodiversidade e o uso sustentável dos recursos naturais.
Direitos e acesso à proteção
As mulheres indígenas também enfrentam desigualdades e barreiras no acesso a direitos e serviços públicos, incluindo saúde, educação, justiça, proteção social e atendimento em situações de violência. Distâncias geográficas, desigualdades de gênero e discriminação étnico-racial podem dificultar esse acesso, especialmente em localidades de difícil acesso.
Mulheres indígenas em situação de violência têm direito ao atendimento da rede de proteção existente nos estados e municípios. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 funciona gratuitamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana, oferecendo acolhimento, orientação, registro de denúncias e informações sobre os serviços especializados disponíveis.
Além da ligação para o número 180, a Central pode ser acessada pelo WhatsApp, no número (61) 9610-0180, pelo e-mail central180@mulheres.gov.br e por atendimento em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.