Relato - Ponta de Pedras – Soure: 22 de janeiro
A viagem de Ponta de Pedras até Soure foi turbulenta. Pessoas com as quais conversávamos nos diziam que a travessia da Baía do Marajó poderia ser incômoda, mas não tínhamos ideia do que isso realmente significava. O balançar da embarcação e os solavancos ocasionados pela maresia nos assustavam. Navegávamos contra o vento e a maré. A sensação era de se estar numa montanha-russa de parque de diversões, com menos velocidade, obviamente.
Boa parte da tripulação não conseguiu dormir nesta noite. O enjoo e o barulho da água que atingia a parte inferior do barco nos tiravam o sono. O Comandante Álvaro nos dizia que isso era normal, no entanto notávamos que a agência-barco se esforçava para cortar as águas do Marajó.
Aconselhadas pelos mais experientes, seguimos para o pavimento térreo do barco, pois ali sentíamos menos a oscilação. No meio da madrugada, soa a buzina do motor: devido à alta temperatura, a corrente não resistiu e rebentou. Prontamente, marinheiros e mecânicos correram à sala de máquinas para trocá-la. Por cerca de 20 minutos, a embarcação ficou à deriva das águas e do vento.
Resolvido o problema mecânico, prosseguimos a viagem. Sonolentos e estafados, decidimos voltar aos camarotes. Era necessário dormir para dar conta das atividades do dia seguinte.
Apenas a poucos quilômetros do porto de Soure, a embarcação deixou de oscilar. O sol já havia nascido quando adentramos o Rio Paraucari, que banha o município. Havíamos deixado Ponta de Pedras à meia-noite. Atracávamos na “capital do Marajó”, como Soure é conhecida, por volta das 8h da manhã. Tudo estava bem. Apesar das águas revoltas da Baía, Soure nos apresentou uma bela paisagem. O início da manhã na localidade alumiou a noite turbulenta pela qual passamos.
Veja as fotos da estadia em Soure aqui.
