FNDE discute desafios do "fator amazônico" em audiência pública na Câmara dos Deputados

Representantes debatem os impactos dos custos adicionais na execução de políticas públicas educacionais na Amazônia

Publicado em 19/06/2024 14:26Modificado em 03/07/2026 17:43
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O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) participou, na terça-feira, 18, de uma audiência pública promovida pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. A iniciativa, proposta pela deputada federal Professora Goreth (PDT/AP), teve como objetivo discutir os impactos do "fator amazônico" nas políticas públicas educacionais. Representando o FNDE, esteve presente Anderson Sampaio, diretor de Ações Educacionais.

Também integraram o debate Antônia Rodrigues da Silva, presidente da Undime Amazonas e dirigente municipal de Educação de Benjamim Constant (AM); Gabriel Barreto Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos pela Educação (TPE); Iara Viana, gerente de Políticas Públicas e Responsabilidade Social do Instituto Natura; Jaime Cavalcante Alves, reitor do Instituto Federal do Amazonas; e Ana Pacini, representante do Conselho dos Secretários de Educação em Rondônia (Consed).

O termo "fator amazônico" refere-se aos custos adicionais de logística e transporte que empresas e governos precisam arcar para realizar ações na região amazônica. A Professora Goreth destacou que a vasta extensão territorial e as condições adversas, como florestas densas, rios extensos e estradas precárias, dificultam o acesso e afetam os preços e a qualidade dos serviços na região. "Na Amazônia, a forma convencional de executar qualquer política pública não funciona", afirmou a parlamentar.

Durante a audiência, Anderson Sampaio ressaltou a importância do debate e a necessidade de apoio do Congresso para a execução eficaz das políticas públicas. Ele destacou que o fator amazônico tem maior peso no Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e no Programa Nacional de Transporte do Escolar (Pnate), ambos administrados pelo FNDE. “São duas políticas estruturantes que causam um impacto gigante na educação e se refletem no índice da educação pública”, frisou, pontuando os recentes reajustes nos valores dos programas, determinação do ministro da Educação, Camilo Santana.

Pnae na Amazônia

Sampaio explicou que o Pnae, com um orçamento anual de R$ 5,5 bilhões, distribui alimentação escolar para 40 milhões de alunos em 150 mil escolas, incluindo cerca de 3.500 unidades de ensino indígenas e 2.590 quilombolas. Contando apenas municípios amazônicos, 664 cidades recebem recursos do FNDE em benefício de quase 5 milhões de estudantes.

Ele mencionou que estão sendo realizados estudos para ajustar o valor per capita da alimentação escolar, considerando as diferenças regionais nos custos de distribuição. "O preço do quilo de arroz para chegar a uma escola do Acre não é o mesmo para uma escola de São Paulo", exemplificou.

Segundo o diretor, o valor per capita do Fundo atualmente não leva em consideração o custo de distribuição da merenda escolar, mas ele afirma que esse é um avanço necessário. “Estamos na fase de avaliar qual é o valor a mais no custo para que a merenda chegue às escolas mais longínquas dos estados amazônicos. Pode ser que em alguns estados do Brasil o valor seja menor e vamos fazer essa equiparação. Nosso principal desafio, em termos de Pnae, é mensurar os valores”.

Pnate na Amazônia

O Pnate investe anualmente R$ 842 milhões para atender cerca de 4,3 milhões de estudantes em todo o Brasil, sendo 4 milhões por transporte rodoviário e 357 mil por transporte aquaviário. Em 2024, R$ 750 milhões já foram aplicados pelo programa no país. Especificamente na Amazônia Legal, o Pnate atende 576 municípios, beneficiando 824.421 alunos.

Sampaio frisou que, atualmente, o valor per capita é diferenciado para os alunos que utilizam o transporte aquaviário, principalmente nos estados com maior número de estudantes nessa modalidade, como o Pará. "A nossa dificuldade está em mensurar o custo do transporte aquaviário devido às suas especificidades. Em algumas regiões, apenas uma canoa pequena pode acessar certos pontos, exigindo múltiplas embarcações para completar o trajeto do aluno. Estamos avançando nos estudos para avaliar esses custos e complementá-los conforme necessário. O ministro da Educação, Camilo Santana, tem nos cobrado progresso nessa área, e estamos trabalhando com a academia e órgãos especializados para encontrar soluções," explicou o diretor.

Além do transporte por ônibus e barco, Sampaio mencionou a utilização de bicicletas em algumas áreas da Amazônia. O FNDE está atualmente em consulta pública para a aquisição de bicicletas, visando ampliar essa alternativa de transporte escolar.

Anderson Sampaio finalizou sua apresentação reforçando a necessidade de mais recursos e o apoio do Congresso para aprimorar e ampliar os programas de alimentação e transporte escolar na região amazônica. "O FNDE está aberto a esse debate, que é uma preocupação constante do ministro Camilo Santana e da presidente Fernanda Pacobahyba. Nossas equipes estão comprometidas em encontrar soluções para melhorar a assistência à Região Amazônica através das políticas públicas educacionais," concluiu.

A Professora Goreth agradeceu a participação de todos e reforçou que projetos de lei relacionados ao fator amazônico serão prioritários na Comissão de Educação. "Precisamos investir em políticas educacionais, de saúde e assistência social para atender às comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas da Amazônia," encerrou a deputada.

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