Inventário Florestal Nacional

Inventário Florestal Nacional lança dados abertos das espécies do Cerrado

Dados de cerca de 300 mil árvores medidas pelas coletas de campo estão disponíveis para acesso

Publicado em 15/09/2023 18:27Modificado em 18/09/2023 14:44
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Os dados abertos do Inventário Florestal Nacional (IFN) para o bioma Cerrado foram disponibilizados, nesta sexta-feira (15/08), no X Encontro e feira dos povos do Cerrado, durante a oficina sobre informação florestal realizada pelo SFB em parceria com o Projeto FIP (Forest Investment Program).

A publicação do IFN Cerrado traz informações como a identificação botânica das árvores medidas, diâmetro à altura do peito (DAP), altura e sanidade das árvores amostradas. Foram lançados também os dados abertos sobre o uso das espécies, provenientes do levantamento socioambiental. Nele, os profissionais de levantamento de campo entrevistam os moradores do entorno dos pontos amostrais para entender a influência da floresta e seus recursos no modo de vida dessa população. Estão disponíveis para acesso informações oriundas de mais de 12 mil entrevistas.

Na oficina, a coordenadora do Sistema Nacional de Informações Florestais, Raquel Leão, e a analista ambiental, Graciema Pinagé, apresentaram os dados lançados com enfoque no levantamento socioambiental, com a espacialização das 16 espécies mais utilizadas pelos entrevistados. O público pôde trocar experiências e apresentar demandas de informações para enriquecimento da metodologia de coleta e de publicação das informações geradas pelo inventário.

Um dos participantes da oficina, João Lucas Owau, indígena do povo Xavante, enfatizou a importância da articulação para avanço do IFN dentro das terras indígenas. João é morador da Aldeia Abelhinha, localizada nas Terras Indígenas Sangradouro e Volta Grande, no Mato Grosso.

“É importante registrar a biodiversidade também dentro da Terra Indígena, e mostrar como nós trabalhamos para preservar a vida dos animais e das árvores. Hoje há pressão para construção de hidrelétricas no Rio das Mortes, que corta

o nosso território. Realizar o inventário mostraria a enorme riqueza das espécies que dependem do rio e da mata ciliar.” João destacou o uso de pequi e mangaba pelos habitantes das terras indígenas Sangradouro e Volta Grande. Pelo levantamento do IFN, ambas as espécies constam na relação das mais utilizadas pelos entrevistados.

O diretor de fomento florestal do SFB, André Aquino, falou sobre a disponibilização dos dados do IFN. Para ele, é importante destacar toda a cadeia de trabalho necessária para que esses dados estejam à disposição da sociedade, desde o esforço de coleta de dados em campo, a identificação botânica, ao trabalho em parceria com herbários e a atuação de diversos especialistas para o tratamento adequado das informações. Ele falou também da relevância dos dados disponibilizados.

“Essas informações podem mostrar o desenho e implementação de políticas públicas para a restauração da floresta e fomento à bioeconomia. O IFN permite conhecer as espécies presentes próximas às áreas a serem restauradas, além de mapear árvores que podem servir de sementeiras, ou seja, fornecer sementes para os esforços de recuperar a floresta. Os dados disponibilizados contêm a identificação de todas as espécies vegetais levantadas pelo IFN. Estamos trabalhando para aumentar a acessibilidade de todos os dados do IFN”, disse o diretor.

Inventário Florestal Nacional

O Inventário Florestal Nacional já iniciou a coleta em todos os estados brasileiros, e possui a coleta concluída em 18 unidades da federação. Está com a coleta em andamento na caatinga da Bahia e do Piauí, como parte do projeto “Informações sobre manejo florestal para a conservação e valorização dos recursos florestais no Brasil”, que é executado em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) por meio do Programa de Investimentos Florestais (FIP). O projeto prevê a finalização de coleta e disponibilização dos dados de todos os biomas, com exceção da Amazônia, até 2026.

Acesse aqui os dados abertos do IFN no Cerrado.

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Meio Ambiente e Clima
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