WIFS 2026 debate fortalecimento do futebol feminino e legado da Copa de 2027
Ministério do Esporte participou do encontro no Rio de Janeiro, que reuniu atletas, gestoras, profissionais da comunicação e projetos sociais de formação

Atletas, gestoras de clubes, profissionais da comunicação e representantes de projetos de formação se reuniram no Rio de Janeiro para discutir os caminhos do futebol feminino no Brasil. Realizado nos dias 14 e 15 de setembro, o Women’s International Football Summit (WIFS) 2026 abriu espaço para debates sobre formação de atletas, gestão, investimento, comunicação, impacto social e as oportunidades relacionadas à Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027.
O Ministério do Esporte participou das discussões sobre o fortalecimento do futebol feminino no contexto da preparação para o Mundial. O encontro abordou, especialmente, o legado esportivo, econômico e social que pode ser construído a partir da realização da competição no Brasil.
Participaram do evento, pelo Ministério do Esporte, Raquel Ribeiro Martins, coordenadora-geral da Copa na Secretaria Extraordinária para a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027 (SECOPA), e Miraildes Maciel Mota, a Formiga, diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino.
Entre os temas discutidos estiveram a formação esportiva, a ampliação das oportunidades para meninas e mulheres, o fortalecimento do futebol feminino e a construção de um legado que permaneça depois da competição.
O WIFS reuniu ainda representantes de clubes como Grêmio, Fluminense, Santos e Flamengo, além de atletas, ex-atletas e profissionais de diferentes áreas do futebol. Projetos sociais e iniciativas de formação também integraram a programação, com experiências voltadas ao acesso de meninas à modalidade.
Formação começa na infância
A ampliação das oportunidades para meninas começarem a jogar futebol desde cedo esteve entre os temas apresentados no encontro. A diretora do Aliança Futebol Clube, de Goiânia, Patrícia Menezes, apresentou a experiência do projeto Mulheres Sem Impedimentos, voltado à prática e à formação no futebol feminino.
A iniciativa oferece atividades gratuitas e prevê ampliar o atendimento de meninas desde a infância, inclusive no contraturno escolar. O objetivo é oferecer formação esportiva desde os primeiros contatos com a modalidade e permitir que as participantes percorram diferentes etapas de desenvolvimento.
“Meu objetivo agora é retornar para o futebol aquilo que ele me deu: pegar as meninas a partir de cinco anos e ensinar para elas todos os fundamentos do futebol”, afirmou Patrícia.
Para a gestora, iniciar a formação mais cedo também ajuda a enfrentar uma diferença histórica entre meninas e meninos no acesso ao futebol. A proposta é criar oportunidades para que elas aprendam os fundamentos desde a infância e cheguem mais preparadas às categorias seguintes, inclusive para seguir no alto rendimento.
A trajetória de Patrícia acompanha diferentes momentos do futebol feminino brasileiro. Ela começou a jogar em Goiânia em 1979, participou posteriormente da criação do departamento feminino do Atlético Goianiense e, em 1990, e é uma fundadoras do Aliança Futebol Clube.

Copa de 2027 amplia debate sobre base e sustentabilidade
A preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027 também colocou em discussão a estrutura dos clubes e a necessidade de transformar a maior visibilidade da modalidade em oportunidades permanentes.
Executiva de Futebol Feminino do Grêmio, Bárbara Fonseca, apontou três frentes que podem ser impulsionadas no contexto do Mundial. As categorias de base, a formação de torcida e atração de novos investimentos.
“Nos preparamos agora para cada vez mais absorver atletas mais jovens, fomentar a categoria de base, fazer a visibilidade gerar torcida e fazer a visibilidade trazer grandes marcas”, afirmou.
Bárbara também destacou a sustentabilidade financeira como um dos desafios enfrentados pelos departamentos de futebol feminino. Nesse cenário, a visibilidade gerada pela Copa pode contribuir para aproximar novos públicos, ampliar o interesse de marcas e fortalecer projetos de longo prazo.
Mais mulheres também fora das quatro linhas
Os possíveis legados da Copa de 2027 não se restringem às atletas. A presença de mulheres em diferentes profissões ligadas ao futebol também fez parte das discussões do WIFS.
A jornalista e apresentadora da TV Brasil, Marília Arrigoni, criadora do podcast Copa Delas, destacou a comunicação esportiva como uma das áreas que podem ser impactadas pela maior visibilidade da modalidade.
“Eu acho que vai ser mais um legado social que a Copa do Mundo Feminina no Brasil vai trazer com mais mulheres à frente das câmeras, comentando, reportando ou até narrando”, afirmou.
Para Marília, a presença feminina nesses espaços também pode estimular outras mulheres e meninas a enxergarem novas possibilidades profissionais.
“Cada vez mais, tendo mulheres no local, no palco do jogo, inspira outras meninas e mulheres também. Eu não tinha mulheres narrando na minha geração, e hoje tem”, disse.
O Copa Delas surgiu em 2023, durante a Copa do Mundo Feminina disputada na Austrália e na Nova Zelândia. A iniciativa nasceu da proposta de ampliar a participação de mulheres nos comentários e análises sobre seleções, atletas e competições de futebol feminino.
Legado para além de 2027
A Copa do Mundo Feminina da FIFA será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. Será a primeira edição da competição disputada na América do Sul. O torneio terá 32 seleções e oito cidades-sede - Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. A abertura e a final serão disputadas no Maracanã, no Rio de Janeiro.
Assessoria de Comunicação – Ministério do Esporte