Copa de 2027 amplia debate sobre visibilidade, formação e legado para o futebol feminino
COB Expo reuniu poder público, ex-atletas e profissionais da comunicação para discutir como o Mundial pode ampliar oportunidades, fortalecer competições e aproximar novas gerações da modalidade

A realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 no Brasil amplia o debate sobre como transformar a visibilidade gerada pelo maior torneio da modalidade em oportunidades permanentes para meninas e mulheres no futebol. Formação de atletas, calendário de competições, presença de público nos estádios e condições para o desenvolvimento profissional estiveram entre os temas discutidos durante a COB Expo 2026, em São Paulo.
O Ministério do Esporte participou, no sábado (3), do curso “Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 no Brasil: mídia, visibilidade e construção de legado”, ao lado de representantes da organização do Mundial, ex-atletas e profissionais da comunicação. O encontro discutiu estratégias para que a realização da primeira Copa do Mundo Feminina na América do Sul produza efeitos que permaneçam depois da competição.
Entre os pontos abordados esteve a importância de ampliar o conhecimento do público sobre a modalidade e suas atletas, fortalecer a realização regular de competições e criar condições para que mais meninas enxerguem o futebol também como possibilidade de formação e carreira.
Aline Pellegrino, ex-capitã da Seleção Brasileira e atual diretora executiva de Legado e Relações Institucionais da Copa do Mundo Feminina, lembrou que essa perspectiva estava distante da realidade de muitas jogadoras no início dos anos 2000. “Eu não via ali a minha profissão. O que eu queria ser era professora de Educação Física”, contou.
Aline conciliou o futebol com a formação universitária e chegou a enfrentar o dilema entre seguir a profissão para a qual havia estudado ou continuar jogando. Para ela, a realização mais frequente e estruturada de competições foi determinante para a transformação observada nas últimas décadas.
“Essa virada vem muito também com essas competições acontecendo de forma mais estruturada. Hoje, no cenário nacional, são nove competições, cinco na categoria adulta e quatro competições de base. E a visibilidade está aqui. Essas atletas vão aparecer quando elas estão jogando”, afirmou.
Do Pan de 2007 à Copa de 2027
A ex-jogadora apontou os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, como um momento importante para ampliar o contato do público brasileiro com a Seleção Feminina. Na avaliação de Aline, a sequência de partidas e a cobertura da competição permitiram acompanhar a equipe durante um período prolongado.
“Para mim, 2007 é o primeiro divisor de águas do futebol feminino no Brasil em termos de visibilidade”, afirmou.
A Seleção conquistou o ouro no Pan-Americano daquele ano e, na sequência, disputou a Copa do Mundo de 2007 e os Jogos Olímpicos de Pequim 2008, quando conquistou a segunda medalha de prata olímpica de sua história.
A experiência foi lembrada no debate como exemplo da relação entre calendário, exposição das atletas e interesse do público. A discussão apontou que a visibilidade precisa estar acompanhada de competições regulares, formação de jogadoras e condições para a continuidade da carreira.
A realização da Copa de 2027 no Brasil amplia essa discussão. Durante o encontro, o Ministério do Esporte abordou a preparação para receber o Mundial e a construção de ações voltadas para que os efeitos da competição ultrapassem o período dos jogos, com atenção à consolidação do futebol feminino e ao desenvolvimento futuro da modalidade.
Informação também constrói visibilidade
A qualidade da cobertura jornalística foi outro tema do encontro. A jornalista Renata Mendonça lembrou que, há pouco mais de uma década, a baixa atenção dedicada à modalidade também aparecia em informações básicas sobre equipes e atletas.
“Em 2015, havia um descaso tão grande com o futebol feminino que as pessoas não cumpriam o básico do dever do jornalista, que era checar a informação, e você via muitos erros de equipes de reportagem falando sobre atletas da Seleção Brasileira”, afirmou.
O debate apontou que ampliar a visibilidade não significa apenas aumentar o volume de exposição. Passa também pela produção de informação qualificada, pelo acompanhamento contínuo das competições e pela apresentação das histórias das jogadoras para além dos grandes torneios internacionais.
A construção desse vínculo entre público, atletas e competições é considerada uma das condições para ampliar a presença nos estádios e consolidar o interesse pela modalidade.
Legado começa antes da Copa
No debate da COB Expo, o legado foi tratado como um processo que começa antes da abertura do Mundial. A perspectiva envolve aproveitar a mobilização gerada pela competição para ampliar a formação, a participação de meninas e mulheres, a visibilidade das atletas e as oportunidades relacionadas ao futebol feminino.
Nesse processo, clubes, projetos sociais, entidades esportivas, poder público, imprensa e demais setores ligados à modalidade têm participação na construção de condições para que o interesse despertado pela Copa permaneça depois de 2027.
Assessoria de Comunicação – Ministério do Esporte