LUTO

Chiaki Ishii, pioneiro do judô brasileiro e primeiro medalhista olímpico do país na modalidade

Judoca conquistou o bronze nos Jogos Olímpicos de Munique 1972 e no Mundial de 1971, abrindo caminho para gerações de atletas brasileiros

Publicado em 16/10/2026 17:09
Compartilhe:
Foto de Chiaki Ishii em preto e branco

O esporte brasileiro perdeu, nesta sexta-feira (16), uma de suas figuras históricas. Chiaki Ishii, primeiro judoca brasileiro a conquistar uma medalha olímpica e mundial, morreu aos 85 anos. Nascido no Japão e naturalizado brasileiro em 1969, ele construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo, pela dedicação ao judô e pela contribuição à formação de novas gerações de atletas.

A principal conquista de Ishii veio nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, quando conquistou a medalha de bronze na categoria meio-pesado. O resultado entrou para a história como a primeira medalha olímpica do judô brasileiro e representou um marco para o desenvolvimento da modalidade no país.

Um ano antes, em 1971, Ishii já havia feito história ao conquistar o bronze no Campeonato Mundial de Judô, disputado em Ludwigshafen, na Alemanha Ocidental. Com o resultado, tornou-se também o primeiro brasileiro a subir ao pódio de um Mundial da modalidade. Sua carreira inclui ainda quatro medalhas em Jogos Pan-Americanos, sendo duas de ouro em 1970 e outras duas em 1972.

Nascido em Ashikaga, no Japão, Chiaki Ishii trabalhou como agricultor em uma colônia japonesa em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Reconhecido por sua técnica e habilidade no tatame, Ishii passou a ensinar judô e encontrou no Brasil o caminho para dar continuidade à carreira esportiva. Naturalizado brasileiro em 1969, passou a representar o país em competições internacionais e contribuiu para projetar o judô nacional no cenário mundial.

Suas conquistas ajudaram a abrir caminho para a consolidação do Brasil como uma das forças internacionais da modalidade. Desde o bronze olímpico de Munique, o judô brasileiro acumulou novas medalhas nos Jogos Olímpicos, com atletas de diferentes gerações dando continuidade ao legado iniciado pelo pioneiro.

Após encerrar a carreira competitiva, Ishii seguiu contribuindo para o esporte por meio da formação de atletas em sua academia de judô, localizada no bairro da Lapa, em São Paulo. Entre os judocas que passaram por seu trabalho estão medalhistas olímpicos como Walter Carmona e Rafael Silva, conhecido como Baby.

A influência do sensei também chegou à própria família. Suas filhas, Tânia e Vânia Ishii, seguiram no judô e representaram o Brasil em competições olímpicas.

Em reconhecimento à sua trajetória, Ishii integrou o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB), recebeu a graduação de Kodansha 9º Dan, uma das mais elevadas honrarias da modalidade, e foi agraciado, em 2023, com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, concedido pelo COB a personalidades que deixaram contribuições relevantes e duradouras para o esporte brasileiro.

O Ministério do Esporte manifesta solidariedade aos familiares, amigos, alunos e a toda a comunidade do judô. A história de Chiaki Ishii permanece como parte fundamental da memória esportiva nacional. Seu exemplo demonstra como a dedicação ao esporte, a formação de atletas e a superação de desafios podem transformar trajetórias individuais em um legado para todo o país.

Categorias
Cultura, Artes, História e Esportes
Compartilhe: