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INTERNACIONALIZAÇÃO
Pesquisa e pós-graduação aproximam Brasil e Alemanha em encontro internacional
Imagem: Yas Fonseca/CAPES
Para debater os desafios da cooperação acadêmica e científica em um cenário de transformações geopolíticas, representantes de instituições brasileiras e alemãs estiveram reunidos nesta quinta-feira (28), na Embaixada da Alemanha, em Brasília, durante o painel “Alianças em Movimento: Cooperação Acadêmica em Tempos de Transformação Geopolítica”, promovido no encontro “Redes de Competência Brasil–Alemanha”.
Durante o painel, o diretor de Relações Internacionais da CAPES/MEC, Rui Oppermann, destacou o papel da internacionalização na consolidação da pós-graduação brasileira. O debate também contou com a participação do presidente do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), Joybrato Mukherjee; do secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luís Manuel Fernandes; da presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader; e do pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Draiton Gonzaga de Souza. A mediação foi da jornalista Leila Sterenberg.
Ao abordar a trajetória da CAPES/MEC, Oppermann lembrou que a atuação internacional acompanha a fundação desde seus primeiros anos e teve influência direta na construção do Sistema Nacional de Pós-Graduação.“Os primeiros bolsistas foram enviados para instituições da Europa e da América do Norte. Esse movimento permitiu que se construísse o nosso sistema nacional de pós-graduação, que hoje tem mais de 7 mil cursos de mestrado e doutorado espalhados pelo país inteiro”, afirmou.
O diretor também frisou os esforços para ampliar as oportunidades de inserção internacional das instituições brasileiras e fortalecer parcerias já consolidadas. “Temos buscado resgatar e ampliar nossas parcerias tradicionais com países da Europa e ampliar a internacionalização das nossas instituições de educação superior”, disse.
Atualmente, a CAPES/MEC mantém cerca de 4,4 mil bolsistas em diversos países e investe em programas voltados à formação de pesquisadores e ao fortalecimento de redes acadêmicas. “Em 2025, nós tivemos um orçamento de R$ 337 milhões na área de relações internacionais e perto de 10 mil bolsistas presentes em 61 países”, acrescentou.
Ao tratar da relação com a Alemanha, Oppermann apontou que a relevância da produção científica desenvolvida no país europeu e o impacto das iniciativas conjuntas são fundamentais para a formação de recursos humanos e o avanço do conhecimento. “A Alemanha ocupa, evidentemente, um lugar importante pela variedade, pela competência e pela qualidade da ciência produzida.”
Entre os exemplos citados estão programas realizados em parceria com o DAAD, a Fundação Alexander von Humboldt e a Fundação Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG), além do Probral, que apoia projetos desenvolvidos por equipes dos dois países. “O Probral é um modelo que hoje adotamos como referência para outros programas, porque propõe projetos colaborativos com entrega de resultados, para além da tese”, observou.
O presidente do DAAD, Joybrato Mukherjee, enfatizou que a cooperação internacional ganhou ainda mais importância diante das mudanças observadas no cenário global. Segundo ele, a construção de redes entre pesquisadores e estudantes é fundamental para fortalecer valores compartilhados e ampliar a produção de conhecimento. “Precisamos criar uma comunidade cada vez maior de pessoas que compartilham princípios, formas de pensar e de fazer ciência.”
Mukherjee também defendeu que a pesquisa e a educação passaram a ocupar posição estratégica nas relações entre os países. “O que fazemos é relevante para a geopolítica. Isso não é folclore cultural”, declarou.
A presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader, sinalizou a importância da colaboração entre nações para enfrentar desafios contemporâneos e reforçou a necessidade de preservar valores democráticos para garantir a liberdade de produção do conhecimento. “Vou continuar a minha luta pela ciência e pela democracia”.
Ela também apontou áreas com potencial para novas iniciativas conjuntas, como saúde, inteligência artificial, biotecnologia, sustentabilidade e segurança alimentar.
Redes que conectam conhecimento
O encontro “Redes de Competência Brasil–Alemanha” reúne ex-bolsistas brasileiros com experiência acadêmica e científica na Alemanha, além de representantes de universidades, centros de pesquisa, empresas e instituições públicas dos dois países. A iniciativa busca fortalecer a mobilidade acadêmica, a circulação de conhecimento e a construção de novas parcerias em áreas como educação, clima, saúde, inovação e governança.
A programação inclui ainda apresentações de ex-bolsistas, atividades de networking e fóruns temáticos voltados ao desenvolvimento científico e à formação de talentos, reforçando os vínculos construídos ao longo de décadas entre Brasil e Alemanha.
Experiência internacional que transforma vidas
Ex-bolsista do DAAD e da CAPES/MEC, o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Draiton Gonzaga de Souza, realizou o pós-doutorado em Filosofia pela Universidade de Kassel, na Alemanha. Ele contou sobre a sua trajetória acadêmica apontando que a cooperação entre as instituições teve um impacto duradouro tanto na carreira quanto na vida pessoal, fortalecendo laços com instituições alemãs e ampliando a sua visão de mundo.
“A experiência de ser bolsista mudou profundamente a minha vida. Do ponto de vista científico, construí até hoje laços fortes com a academia alemã”, declarou. Para o professor, o intercâmbio representa, acima de tudo, uma oportunidade de crescimento humano ao colocar pesquisadores em contato com novas culturas: “O processo de ser bolsista no exterior é o processo de sair de si, encontrar o desconhecido, outra temperatura, outra comida, outros costumes. Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém”, concluiu, recorrendo a uma famosa referência de Vinicius de Moraes.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação ASCOM/CAPES)
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