Ivermectina NÃO cura câncer
Medicamento aprovado para o tratamento de infecções parasitárias não tem comprovação científica para a redução ou eliminação de tumores

Uma das principais causas de mortes no mundo, o câncer é responsável por quase 10 milhões de óbitos anualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com mais de 20 milhões de diagnósticos a cada ano, é compreensível que pacientes e familiares busquem qualquer esperança de cura da doença. Entre as promessas mais comentadas na internet, está a ivermectina, um medicamento indicado para o tratamento de infecções parasitárias que NÃO tem comprovação científica para a redução ou eliminação de tumores oncológicos.
Nas redes sociais, circulam informações a respeito de estudos em laboratório (in vitro) e em animais, sugerindo que o medicamento poderia ter propriedades antitumorais. Várias postagens informam que foram iniciados ensaios clínicos, para demonstrar segurança e benefício real para pacientes com câncer, e comercializam e-books e protocolos de tratamento que têm a ivermectina como medicamento-chave.
No entanto, NÃO existem evidências científicas de que a ivermectina cure câncer ou qualquer outra doença além daquelas previstas em sua bula: o medicamento atua contra várias espécies de parasitas e vermes. NÃO existe pedido ou estudo de nenhum laboratório junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que esse medicamento também seja indicado em bula para tratamentos oncológicos.
Desde 2019, informações relativas ao medicamento para tratamento de câncer passaram a circular na internet, quando estudos sobre o uso da substância e do mebendazol (outro antiparasitário e antiprotozoário utilizado principalmente no tratamento da doença de Chagas) mostraram que ambos tiveram algum efeito contra o câncer em células e em ratos. Estudos in vitro e em animais são os primeiros realizados em pesquisas iniciais, mas, por si só, NÃO são suficientes para comprovar a eficácia terapêutica de um medicamento.
Em 2024, um estudo publicado pelo periódico científico PLOS Biology revelou que, de todos os medicamentos que passam pela fase de teste em animais, apenas 5% se tornam viáveis para seu uso em seres humanos considerando o cenário daFood and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos.
Redução do controle da doença
Um dos grandes problemas desse tipo de indicação é que muitos pacientes podem substituir terapias comprovadas - como quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou cirurgia - por tratamentos sem base científica. Com isso, as chances de cura ou controle da doença caem significativamente.
Outra preocupação dos especialistas é que o uso de substâncias sem orientação médica pode interferir na eficácia dos tratamentos oncológicos convencionais ou intensificar efeitos colaterais, comprometendo ainda mais a saúde dos pacientes.
Existem mais de 200 tipos de câncer identificados na literatura. Por isso, o tratamento oncológico é definido por médicos a partir do tipo de tumor, estágio da doença e condição clínica do paciente. As principais modalidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde incluem cirurgia oncológica, radioterapia, quimioterapia e, em casos selecionados, transplante de medula óssea - isoladas ou combinadas -, sempre dentro de diretrizes e protocolos clínicos que têm base científica.
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