O Semiárido Brasileiro

O Semiárido brasileiro é um território de grande diversidade ambiental, social, cultural e econômica. Lar de mais de 31 milhões de pessoas, a região reúne 1.477 municípios distribuídos pelos nove estados do Nordeste e por Minas Gerais e Espírito Santo, É nesse território plural e dinâmico que o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) desenvolve pesquisas, tecnologias e ações voltadas à produção de conhecimento e à convivência sustentável com as condições ambientais da região.
O Semiárido possui um patrimônio natural singular, que reúne uma grande biodiversidade, um elevado potencial de captura de carbono da atmosfera e recursos naturais que fazem dele uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, pois 96% da eletricidade gerada na região vêm de fontes renováveis, como eólica, solar, biomassa e hidrelétrica.

O Semiárido brasileiro é um território de grande diversidade ambiental, social, cultural e econômica. Lar de mais de 31 milhões de pessoas, a região reúne 1.477 municípios distribuídos pelos nove estados do Nordeste e por Minas Gerais e Espírito Santo, É nesse território plural e dinâmico que o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) desenvolve pesquisas, tecnologias e ações voltadas à produção de conhecimento e à convivência sustentável com as condições ambientais da região.
O Semiárido brasileiro é um território de grande diversidade ambiental, social, cultural e econômica. Lar de mais de 31 milhões de pessoas, a região reúne 1.477 municípios distribuídos pelos nove estados do Nordeste e por Minas Gerais e Espírito Santo, É nesse território plural e dinâmico que o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) desenvolve pesquisas, tecnologias e ações voltadas à produção de conhecimento e à convivência sustentável com as condições ambientais da região.


O clima no semiárido brasileiro é marcado, principalmente, pela irregularidade das chuvas, pelas temperaturas elevadas e por altas taxas de evapotranspiração. Isso significa que períodos prolongados de estiagem podem se alternar com episódios de chuvas intensas e concentradas, capazes de provocar cheias, alimentar rios temporários e contribuir para a recarga de reservatórios.
Essa variabilidade faz parte da dinâmica natural do Semiárido e influencia a biodiversidade, a produção de alimentos, a disponibilidade de água e o cotidiano de milhões de pessoas. Em um cenário de mudanças climáticas, compreender essas dinâmicas torna-se ainda mais importante, especialmente diante da possibilidade de intensificação dos eventos extremos, como secas prolongadas e precipitações intensas. Por isso, o conhecimento científico, o monitoramento ambiental, o desenvolvimento de tecnologias adaptadas à região e os saberes construídos pelas populações do Semiárido são fundamentais para enfrentar riscos e ampliar a capacidade de adaptação do território.


A Caatinga é o bioma predominante no Semiárido brasileiro e abriga uma rica diversidade de plantas adaptadas às condições de calor e à irregularidade das chuvas. Sua vegetação reúne espécies herbáceas, gramíneas, arbustos e árvores, além de grupos bastante característicos da paisagem regional, como cactáceas e bromeliáceas.
Muitas espécies perdem as folhas durante a estação seca como estratégia para reduzir a perda de água. Nesse período, troncos e galhos de coloração clara tornam-se mais visíveis na paisagem — característica tradicionalmente associada à origem do nome “Caatinga”, expressão de origem tupi que significa “mata branca”. Com a chegada das chuvas, a paisagem se transforma rapidamente, com o surgimento de folhas, flores e frutos.
Conhecer e conservar essa biodiversidade é também uma das frentes de atuação do INSA. O Instituto mantém o Cactário Guimarães Duque, uma coleção botânica viva dedicada à conservação, pesquisa e divulgação científica sobre cactos e outras plantas suculentas, incluindo espécies nativas do Semiárido e espécies ameaçadas.
O trabalho desenvolvido no INSA envolve ainda estudos de cultivo in vitro, técnica realizada em condições controladas de laboratório que permite, entre outras aplicações, a multiplicação de plantas. Essas pesquisas contribuem para ampliar o conhecimento científico e desenvolver estratégias de conservação da flora regional.


A produção agrícola do Semiárido é diversificada e reúne cultivos importantes para a alimentação, a geração de renda e diferentes cadeias produtivas. Entre eles estão milho, feijão, mandioca, algodão, cana-de-açúcar e soja. As formas de produção variam de acordo com fatores como disponibilidade de água, características do solo, clima, tamanho das propriedades e acesso a tecnologias.
Além da agricultura, os produtos da sociobiodiversidade e do extrativismo vegetal desempenham papel importante na economia de muitas comunidades. Frutos, sementes, fibras e outras matérias-primas da vegetação regional são utilizados na alimentação, no artesanato, na produção de óleos, cosméticos e outros produtos.
O umbu é um dos exemplos mais conhecidos. Fruto característico da Caatinga, pode ser consumido fresco ou transformado em polpas, doces, geleias e outros alimentos, gerando oportunidades de trabalho e renda para agricultores familiares e empreendimentos comunitários, inclusive iniciativas protagonizadas por mulheres.
Outros produtos também integram diferentes cadeias produtivas do Semiárido, como pequi, carnaúba, castanha de caju, babaçu e licuri. Buriti, piaçava, mangaba, cajá, murici, pitomba, ouricuri e oiticica estão entre outros recursos vegetais utilizados para diferentes finalidades.
A valorização sustentável desses produtos ajuda a aproximar conservação da biodiversidade, geração de renda e desenvolvimento de novos produtos, fortalecendo atividades econômicas associadas aos recursos naturais e aos conhecimentos existentes no território.


A criação de animais faz parte da história, da economia e dos sistemas produtivos do Semiárido. Bovinos, caprinos, ovinos e aves estão presentes em diferentes escalas de produção, da agricultura familiar às atividades comerciais.
Uma das linhas de pesquisa do INSA está relacionada à conservação, ao conhecimento e à valorização de recursos genéticos animais adaptados às condições da região. Entre eles estão o gado Curraleiro Pé-Duro, os caprinos Landi — também conhecidos em algumas localidades como Nambi — e as chamadas galinhas de capoeira.
Ao longo de gerações, essas populações animais desenvolveram características relacionadas à adaptação às condições ambientais e aos sistemas de criação do Semiárido. Preservá-las significa conservar também diversidade genética que pode ser importante para sistemas produtivos mais adaptados às condições de calor, estiagem e disponibilidade variável de alimentos.
O Curraleiro Pé-Duro, por exemplo, é conhecido por características como rusticidade e adaptação às condições ambientais. Os caprinos Landi constituem um recurso genético local associado principalmente à agricultura familiar, enquanto as galinhas de capoeira integram os sistemas produtivos próximos às residências, contribuindo para a alimentação das famílias e para a geração de renda.
A alimentação dos rebanhos é outro importante campo de pesquisa. A vegetação da Caatinga oferece diferentes recursos forrageiros para caprinos, ovinos, bovinos e outros herbívoros. Estudos desenvolvidos pelo INSA indicam que cerca de 70% das espécies nativas podem participar da dieta desses animais. Parte das plantas com potencial forrageiro, no entanto, possui espinhos, pelos, taninos e outras estruturas ou substâncias que limitam o consumo direto e exigem conhecimento e manejo adequados.
O Instituto estuda, entre outros aspectos, a composição químico-bromatológica dessas plantas — isto é, suas características nutricionais — para compreender como os recursos disponíveis na própria Caatinga podem ser utilizados de maneira segura e sustentável na alimentação animal.
Outra espécie fundamental para a segurança forrageira é a palma. Adaptada às condições do Semiárido e rica em água, ela se torna especialmente importante nos períodos de estiagem prolongada. Seu uso na alimentação dos animais deve ser associado a outras fontes de nutrientes e fibras para garantir uma dieta equilibrada.
A ocorrência da cochonilha-do-carmim, inseto que provocou grandes perdas em áreas cultivadas com palma no Semiárido, ampliou a necessidade de pesquisar variedades resistentes e formas adequadas de cultivo e manejo. O INSA desenvolve e participa de estudos voltados a essas alternativas, buscando fortalecer a produção de forragem em condições semiáridas.


A fauna do Semiárido mostra que uma paisagem seca está longe de significar ausência de vida. A região abriga grande diversidade de mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes, insetos e outros grupos animais, muitos deles adaptados às condições particulares de temperatura e disponibilidade de água.
Assim como ocorre com as plantas, os animais desenvolveram diferentes estratégias para sobreviver aos períodos secos. Há espécies com hábitos predominantemente noturnos, comportamentos migratórios e adaptações fisiológicas capazes de reduzir a perda de água ou o gasto de energia.
Da Um exemplo é a estivação, estado de dormência adotado por alguns animais durante períodos prolongados de calor e seca. O anfíbio Pleurodema diplolistris, encontrado na Caatinga, pode permanecer enterrado durante grande parte do período seco, reduzindo sua atividade metabólica até que as condições ambientais se tornem novamente favoráveis.
A biodiversidade animal, no entanto, sofre diferentes pressões associadas à perda e à degradação de habitats, à captura e ao tráfico de animais silvestres e a outras atividades humanas. Espécies emblemáticas da Caatinga estão entre aquelas que demandam ações específicas de conservação.
Proteger essa fauna envolve ampliar o conhecimento científico sobre as espécies, conservar seus habitats, fortalecer áreas protegidas, combater atividades ilegais e desenvolver estratégias que conciliem conservação da biodiversidade e uso sustentável dos recursos naturais.

Os solos do Semiárido brasileiro apresentam grande diversidade. Há desde solos rasos e pedregosos até solos mais profundos e argilosos, além de áreas arenosas, solos com diferentes níveis de fertilidade e ambientes com limitações de drenagem.
Essas características naturais influenciam a disponibilidade de água, a vegetação e as possibilidades de uso agrícola. Quando associadas à retirada da cobertura vegetal, ao manejo inadequado do solo, ao sobrepastoreio ou à irrigação sem planejamento, podem aumentar problemas como erosão, perda de matéria orgânica, compactação e salinização.
Nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, a degradação das terras pode levar à desertificação — processo complexo que envolve fatores ambientais, climáticos e humanos e compromete a capacidade produtiva e o funcionamento dos ecossistemas.
Em estudo desenvolvido por pesquisadores do INSA e instituições parceiras, uma metodologia baseada no Carbono Orgânico do Solo indicou índices de intensidade da desertificação classificados como altos em 9%, moderados em 85% e baixos em 6% da extensão analisada do Semiárido. Esses resultados ajudam a compreender a dimensão do problema e a orientar novas estratégias de monitoramento e enfrentamento.
A conservação da vegetação nativa e a adoção de práticas adequadas de manejo são fundamentais para proteger o solo da erosão, conservar matéria orgânica e água e recuperar áreas degradadas.
Para apoiar o conhecimento e a tomada de decisão, o INSA também desenvolveu o Portal da Desertificação, uma geotecnologia que reúne indicadores ambientais, sociais, econômicos e institucionais e permite acompanhar diferentes dimensões relacionadas ao processo de desertificação no Semiárido.


A disponibilidade de água é um dos grandes desafios do Semiárido brasileiro. A irregularidade das chuvas, as altas taxas de evapotranspiração e as características dos solos, rios e reservatórios fazem com que a oferta de água varie significativamente no espaço e ao longo do tempo. Nos períodos prolongados de estiagem, os impactos podem atingir o abastecimento das populações, a produção agropecuária e outras atividades econômicas.
Ao mesmo tempo, a ciência tem mostrado que ampliar a segurança hídrica não depende apenas de encontrar novas fontes de água, mas também de utilizar melhor os recursos disponíveis. O tratamento e o reúso de águas residuárias, por exemplo, podem transformar um efluente que precisa ser adequadamente tratado em uma fonte alternativa de água para usos compatíveis, reduzindo a pressão sobre mananciais convencionais.
Além do monitoramento da disponibilidade e do uso das águas, o Instituto desenvolve pesquisas e tecnologias voltadas à ampliação da segurança hídrica, envolvendo temas como captação e aproveitamento da água da chuva, tratamento e reúso de águas residuárias, dessalinização, planejamento e uso eficiente da água.
São pesquisas que procuram responder a um desafio cotidiano do Semiárido: produzir conhecimento e tecnologias capazes de fazer cada fonte de água disponível ser utilizada de forma mais eficiente, segura e sustentável.


Quando se fala em “clima semiárido”, frequentemente a primeira imagem que surge é a de uma natureza severa e bastante inóspita. Isto não está totalmente errado, visto que estas regiões se caracterizam principalmente pela irregularidade das chuvas e pelas altas taxas de evapotranspiração, elementos que juntos contribuem para o risco constante de escassez hídrica. Porém, tanto quanto a seca é parte indissociável do Semiárido, também o é o fenômeno das monções torrenciais, que caem eventualmente em períodos curtos e provocam cheias, reavivando os milhares de rios e lagos intermitentes, devolvendo pujança à vegetação e ajudando a recuperar os reservatórios. Assim, esta dicotomia climática torna o Semiárido brasileiro ao mesmo tempo um dos mais habitáveis do mundo e uma região particularmente suscetível às mudanças climáticas, razão pela qual sua climatologia conta com diversos monitoramentos científicos e com a sabedoria popular do povo sertanejo.


Com mais de onze mil espécies vegetais catalogadas, o bioma predominante do Semiárido brasileiro é a Caatinga, constituída especialmente por leguminosas, gramíneas, euphorbiáceas, bromeliáceas e cactáceas.
A vegetação adaptada ao clima semiárido é composta por mata espinhosa tropical. Normalmente, é constituída por um estrato herbáceo-graminoso ao lado de árvores e arbustos, cuja densidade depende das condições de clima e do estado de conservação do solo.
Grande parte das espécies vegetais têm folhas que caem na época seca em resposta à adaptação fisiológica dessa vegetação à escassez de água, influenciando na denominação do termo “Caatinga” que significa “mata-branca” no tupi-guarani. Com a queda das folhas, os troncos esbranquiçados e brilhantes ficam visíveis e dominam a paisagem.
Como forma de garantir a conservação de algumas espécies de cactáceas ameaçadas de extinção no Semiárido brasileiro, o Instituto Nacional do Semiárido abriga o Cactário Guimarães Duque, que possui 160 espécies de cactos e outras suculentas, sendo, em sua maioria, indivíduos nativos da região. Além disso, vem sendo desenvolvido, por meio do cultivo in vitro (cultivo asséptico de plantas dentro de frascos através de um meio nutritivo) a micropropagação de algumas destas espécies.


Dentre os produtos agrícolas produzidos no Semiárido brasileiro, destacam-se a soja, milho, algodão, feijão, mandioca e cana-de-açúcar.
A renda da produção da soja está concentrada no Piauí, Bahia e Minas Gerais, enquanto a do milho é expressiva em todos os estados do Semiárido, notadamente na Bahia, Piauí, Ceará, Pernambuco e Sergipe. O estado da Bahia concentra a renda do algodão herbáceo, que também é expressiva em Minas Gerais, Piauí, Ceará e Paraíba.
O feijão e a mandioca também são produtos com alta produtividade em todo o Semiárido. Os estados que garantiram maior renda com a produção da mandioca foram Pernambuco, Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas, enquanto Paraíba e Piauí destacaram-se na produção de feijão.
A cana-de-açúcar também é um importante produto das lavouras do Semiárido, com sua renda concentrada nos estados de Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Minas Gerais.
Os produtos da extração vegetal também desempenham importante papel para a geração de renda no Semiárido. O umbu é uma fruta típica da Caatinga que pode ser encontrada principalmente na Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia e Alagoas. Possui
grande potencial de comercialização com a produção da polpa congelada, importante atividade desenvolvida especialmente por mulheres da agricultura familiar. O pequi é um fruto típico do Cerrado, mas que também ocorre no Semiárido piauiense, baiano e, de forma expressiva, no Semiárido mineiro e cearense. Sua polpa é requerida na culinária e seu óleo é excelente para a produção de biodiesel.
A carnaúba, de considerável ocorrência no Semiárido do Ceará, é uma grande produtora nativa de cera, de papel e peças artesanais, ração animal e óleo.
Outra matéria prima importante para diversas indústrias de alimentos e pequenas fábricas de processamento é a castanha de caju, produzida principalmente no Semiárido pernambucano e baiano.
O babaçu e o licuri, são palmeiras endêmicas da região Nordeste. O babaçu gera constante oportunidade de renda principalmente para o Semiárido do Maranhão, Piauí e do Ceará, sobretudo através da venda de suas amêndoas e de derivados como o leite do babaçu, azeite, sabão e o carvão obtido a partir das cascas. O licuri é explorado no Semiárido da Bahia e de Alagoas. Há um amplo aproveitamento de suas partes, desde a extração de óleo das amêndoas, que possui alto potencial para a produção de biodiesel, até o uso das folhas para confecção de artesanatos.
Buriti, piaçava, mangaba, cajá, murici, pitomba, ouricuri, oticica, entre outros frutos e oleaginosas, também se destacam para fins variados.



Apesar da notoriedade dada à ovinocaprinocultura, em termos quantitativos, os bovinos são o principal rebanho da área do SAB. A região Nordeste possui cerca de 13,3% do efetivo bovino do Brasil e, no Semiárido brasileiro, mesmo com a limitação na disponibilidade de pastagens, principalmente nos períodos de escassez de forragens, a região detém aproximadamente 58,1% desse rebanho bovino do Nordeste.
O Instituto Nacional do Semiárido desenvolve pesquisas que tem por objetivo realizar estudos, difusão e formação visando à conservação, uso e valorização de raças nativas do SAB, a exemplo do Gado Curraleiro Pé-Duro, os caprinos Landi e as galinhas de capoeira.
O resgate e a conservação de animais de raças nativas são de grande importância para as famílias agricultoras. Essas raças desenvolveram ao longo do tempo grande adaptabilidade às condições de solo, clima e vegetação da região, especialmente, na sua capacidade de resistência ao período de estiagem e escassez de alimento no Semiárido.
Ao longo de quatro séculos, os bovinos da raça Curraleiro Pé-Duro adquiriram características específicas, tais como a docilidade, longevidade e extraordinária rusticidade, tornando-se assim, extremamente adaptados às condições ambientais do Semiárido. Esse genótipo bovino nativo é fundamental para a sustentabilidade da pecuária regional neste novo cenário de mudanças climáticas.
As galinhas de raças nativas, denominadas popularmente como “galinhas de capoeira”, contribuem para a soberania alimentar da família, para a resistência e resiliência dos agroecossistemas e autonomia da mulher agricultora. Estes animais, além de outras espécies de aves, se integram com os cultivos nos arredores da casa e no agroecossistema em seu conjunto.
Os Caprinos Landi (ou Nambi) por sua vez, são fontes de proteína e de renda para os agricultores da região, no entanto, esse patrimônio está sob risco de extinção, daí a necessidade do desenvolvimento de estudos e estratégias que otimizem a preservação e uso sustentável desse recurso genético local.
No que se refere à alimentação animal, 70% das espécies botânicas da caatinga participam da dieta dos caprinos, ovinos e bovinos e outros animais herbívoros. Os outros 30% apresentam mecanismos de defesa como pelos, espinhos e compostos antinutricionais que limitam o uso direto na alimentação. Porém, muitas dessas plantas, quando passam por processos de desidratação ou fermentação, se constituem em importantes recursos forrageiros. A vegetação nativa da caatinga só tem elevado potencial forrageiro quando preservada à sua diversidade botânica. Atualmente, o INSA vem realizando estudos sobre a composição químico-bromatológica dessas forragens nativas da caatinga.
A palma forrageira é considerada uma das mais importantes forrageiras para alimentação dos rebanhos em épocas de estiagens prolongadas, principalmente, pela sua boa adaptação as condições do solo e clima da região. Sua utilização é acompanhada de uma fonte de fibra para facilitar o aproveitamento dos nutrientes e evitar distúrbios metabólicos. O uso destas cactáceas pelos animais reduz consideravelmente o consumo de água, uma vez que dependendo do estágio que a planta for ofertada, sua composição pode chegar até a 90% de água.
Com a introdução da Cochonilha-do-carmim (Dactylopius opuntiae) que dizimou ostensivamente os campos de palma do Semiárido brasileiro, ocorreu a necessidade de buscar alternativas para tentar amenizar os problemas trazidos pela mesma. Uma das soluções encontradas na pesquisa desenvolvida pelo Instituto Nacional do Semiárido, foi a utilização de variedades de palma forrageira resistentes ao inseto-praga. Dentre elas, uma das que mais se destacaram foi a variedade Orelha de Elefante Africana(Opuntia undulata). Essa variedade apresenta grandes potencialidades para se tornar uma ótima alternativa de cultivo para os distintos ecossistemas do Semiárido brasileiro.
FONTES
Alvares, C.A., Stape, J.L., Sentelhas, P.C., Gonçalves, J.L.M.; Sparovek, G., 2013. Köppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, DOI: http://dx.doi.org/10.1127/0941-2948/2013/0507
ADECE - Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará. A Carnaúba: Preservação e Sustentabilidade. Fortaleza: Câmara Setorial da Carnaúba, 40p., 2009.
CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS – CGEE. Desertificação, degradação da terra e secas no Brasil. Brasília, DF: 2016, 252 p.
Giulietti, A.M., et al. Diagnóstico da vegetação nativa do bioma Caatinga. In: J.M.C. Silva, M. Tabarelli, M.T. Fonseca & L.V. Lins (orgs.). Biodiversidade da Caatinga: áreas e ações prioritárias para a conservação. pp. 48-90. Ministério do Meio Ambiente, Brasília, 2004.
IBGE BDiA (Banco de Dados de Informações Ambientais). Mapa Pedologia. 2019. Disponível em: https://bdiaweb.ibge.gov.br/#/consulta/pedologia
IBGE. Mapa Biomas e Sistema Costeiro Marinho do Brasil. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/apps/biomas/, 2003.
LOIOLA, M. I. B., et al. Caatinga: Vegetação do semiárido brasileiro. Revista Ecologia 4: 14-19, ISSN: 1647-2829, 2012.
MMA (Ministério do Meio Ambiente). Caatinga. Disponível em: <https://www.mma.gov.br/biomas/caatinga.html>
MI - Ministério da Integração Nacional. Nova Delimitação do Semiárido. SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), pg. 1-63. 2017. Disponível em: http://www.sudene.gov.br/images/arquivos/semiarido/arquivos/Relação_de_Municípios _Semiárido.pdf.
PEREIRA, Iwelton Madson Celestino. Potencial de Produção de Oleaginosas no Semiárido Pernambucano, com ênfase ao desenvolvimento de Syagrus Coronata (Licuri) em Solos Degradados. Universidade Federal de Pernambuco (Tese de Doutorado). Recife, 2018.
PORRO, Roberto. A Economia Invisível do Babaçu e sua Importância para meios de vida em Comunidades Agroextrativistas. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Belém, v.14, nº 1, doi.: 10.1590/1981.81222019000100011, 2019.
SOUSA, Francisco das Chagas. Uso do Óleo de Pequi (Caryocar Brasiliense) do Semiárido Nordestino como Substrato para a Produção de Biodiesel por Catálise Enzimática. Anais I CONIDIS (Congresso Internacional da Diversidade do Semiárido). Campina Grande: Realize Editora, 2016. Disponível em: <https://www.editorarealize.com.br/artigo/visualizar/24231>.
SIDRA/IBGE. Tabela 5938. Produto Interno Bruto a preços correntes. 2010. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/5938#resultado
SIDRA/IBGE. Tabela 1301. Área e Densidade Demográfica da Unidade Territorial. 2010. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1301
SIDRA/IBGE. Tabela 1390. Pessoas de 10 anos ou mais de idade, por situação de domicílio e sexo, segundo a condição de alfabetização e as classes de rendimento nominal mensal. 2010. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1390
SIDRA. Tabela 289. Quantidade produzida e valor da produção na extração vegetal, por tipo de produto extrativo. Censo Agropecuário, IBGE 2018.
SIDRA. Tabela 1612. Área plantada, área colhida, quantidade produzida, rendimento médio e valor da produção das lavouras temporárias. Censo Agropecuário, IBGE 2018.
SIDRA/IBGE. Tabela 3939. Efetivo dos rebanhos, por tipo de rebanho. 2018. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/3939