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Durante evento cultural em São Paulo, Funai reforça valorização cultural e compromisso com direitos territoriais
Como parte das atividades do Abril Indígena, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) participou, no dia 19 de abril, do Festival Raízes Ancestrais, ato cultural que fez parte da Feira de Arte Indígena, ambos realizados em São Paulo (SP). O evento, organizado pela Mídia Indígena com apoio da autarquia indigenista e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), reuniu cerca de 100 artistas de mais de 40 povos de diferentes biomas brasileiros, com o objetivo de promover a valorização cultural e a autonomia econômica dos povos indígenas.
Durante a programação, a presidenta da Funai, Lucia Alberta Baré, participou do ato cultural realizado no Espaço Cultural Elza Soares, onde destacou a importância de iniciativas que ampliam a visibilidade da arte indígena e fortalecem o protagonismo dos povos indígenas em diferentes espaços da sociedade.
Em sua fala, a presidenta ressaltou que o 19 de abril deve ser compreendido como um marco de luta e afirmação de direitos. “Nós vamos lutar cada dia mais para que o 19 de abril não seja um dia folclórico, mas um dia de luta pelos direitos dos povos indígenas”, afirmou.
Na ocasião, Lucia Alberta também reforçou o compromisso do Governo do Brasil com o avanço da política indigenista, especialmente no que se refere à regularização fundiária. A presidenta destacou o andamento do processo da Terra Indígena Jaraguá, do povo Guarani Mbya, localizada na capital paulista. “A Funai já realizou a demarcação física e concluímos as etapas necessárias para avançar rumo à homologação. Nosso compromisso é que isso ocorra ainda este ano. É o compromisso com os povos indígenas. Os povos indígenas precisam de suas terras para manter suas culturas vivas, suas línguas, o ecossistema, os biomas.”, declarou.
Considerada a menor terra indígena do país, a Terra Indígena Jaraguá possui grande relevância histórica, cultural e simbólica para o povo Guarani Mbya. O avanço no processo de homologação representa um passo importante para a garantia dos direitos territoriais e para a preservação dos modos de vida tradicionais.
A presidenta também destacou os avanços recentes na demarcação de terras indígenas no país, e ressaltou o papel estratégico desses territórios na proteção dos biomas e na manutenção da diversidade cultural. Segundo ela, a garantia do direito à terra é fundamental para a continuidade das culturas, línguas e formas de organização dos povos indígenas, além de contribuir para a sustentabilidade ambiental.
Participaram do ato cultural, além da Funai e de lideranças indígenas, o secretário executivo do MPI, Marcos Kaingang, e a deputada federal Sonia Guajajara.
Festival
O Festival Raízes Ancestrais foi viabilizado com recursos de R$ 937.985 mil por meio de emenda parlamentar da deputada federal Célia Xakriabá. O projeto é fruto da celebração de Termo de Fomento, entre a Secretaria de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas (SEART) do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e o Instituto No Setor.
O evento reuniu música, expressões culturais e lideranças indígenas de diferentes regiões do país e teve como objetivo apoiar ações culturais, artísticas e de economia da cultura voltadas à valorização da diversidade cultural brasileira e ao diálogo entre ancestralidade e contemporaneidade. Dentro do mesmo recurso mencionado, está prevista uma edição do mesmo festival em Belo Horizonte-MG, com data e local ainda a definir até o início do ano que vem.
A iniciativa é uma parceria que envolve o Instituto Cultural e Social No Setor e o Instituto Favela Gastronômica, os quais integram competências complementares para promover formação em gastronomia social e empreendedorismo solidário. O Instituto será responsável pela gestão, comunicação e articulação institucional. O Social no Setor contribui com infraestrutura comunitária e experiência territorial.
O Festival Raízes Ancestrais tem como público-alvo moradores das regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte, abrangendo jovens, famílias, artistas, produtores e comunidades periféricas. Busca democratizar o acesso à cultura e valorizar a diversidade étnico-racial e territorial, priorizando artistas negros, indígenas, mulheres e juventudes criativas. Estima-se beneficiar diretamente até 100 profissionais e alcançar cerca de quatro mil pessoas de público presencial.
Com o festival, espera-se ampliar o acesso à cultura e à diversidade artística nas cidades de São Paulo e Belo Horizonte, fortalecendo a cena independente e valorizando expressões culturais ancestrais e periféricas. O projeto deve gerar oportunidades de trabalho e renda para artistas e técnicos, promover práticas sustentáveis, registrar e difundir conteúdos audiovisuais e consolidar o Festival Raízes Ancestrais como referência nacional em diversidade e interculturalidade.
Feira
Entre os dias 16 e 19 de abril de 2026, o Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, recebeu a Feira de Arte dos Povos Indígenas, evento gratuito que reuniu cerca de cem artistas e produtores de mais de 40 povos indígenas. A iniciativa, apoiada pelo Ministério dos Povos Indígenas e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas ( Funai) e realizada pela Mídia Indígena, teve como proposta afirmar publicamente que a produção dos povos originários representa arte viva, materialização do território e transmissão de saberes entre gerações.
Coordenação de Comunicação Social/Funai
com informações do Ministério dos Povos Indígenas