Presidente da Funai visita Terra Indígena Arariboia (MA) para firmar plano de apoio após incêndio

Publicado em 25/11/2015 19:10Modificado em 31/10/2022 11:18
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Arariboia Guajajara-Foto MarioVilela-Funai (7)

O deslocamento ocorreu no último final de semana com o objetivo de observar in loco as consequências provocadas pelo fogo e ouvir dos moradores prioridades para recuperação dos danos. O presidente da Funai, João Pedro, pode comprovar a magnitude do incêndio, que chegou a atingir 220 mil hectares, o que corresponde a metade da área indígena onde vivem comunidades da etnia Guajajara e grupos isolados Awá-Guajá.

No sábado (21), representantes indígenas das seis regiões que compõem a Terra Indígena (TI) Arariboia participaram de uma reunião, na aldeia Juçaral, com o objetivo de elencar ações emergenciais e produzir um plano de ação para a recuperação da área degradada. "Passamos por muito sofrimento e hoje não temos mais nada. Essa mata aqui acabou. Não temos nem as palhas para fazermos nossas casas. Precisamos de ajuda para fazer projetos, replantar os roçados e refazer as casas", disse o cacique Osmar Guajajara, da aldeia Guaruhu. O incêndio devastou regiões de mata, roças e destruiu casas de sete famílias Guajajara.

O presidente da Funai declarou que "este é o maior incêndio em terra indígena no país. Estamos aqui para juntar nossas forças e é muito importante contarmos com a união de vocês para levamos essa recuperação à frente juntos. Faremos um ampla articulação da Funai com as comunidades indígenas, o governo estadual e outros ministérios para fortalecer as ações aqui na Terra Indígena Arariboia".

João Pedro recebeu dos Guajajara um projeto de recuperação ambiental da terra indígena o qual se comprometeu a avaliar e dar encaminhamento. Emergencialmente, propôs disponibilizar madeira, assim como transporte para carregar os materiais necessários à reconstrução das casas; promover uma articulação com a Embrapa e o governo estadual a fim de fornecer sementes para o replantio das matas e roças, e com a prefeitura de Amarante para viabilizar a recuperação de estradas no interior da terra indígena; além de articular com o Ibama o fortalecimento do projeto Guardiões do Território Arariboia.

Esta semana, foi registrado novo ponto de fogo na parte sudeste da TI Arariboia. Brigadistas do Prevfogo foram deslocados para o local.

Guardioes Guajajara-Foto MarioVilela-Funai (3)

Projeto Guardiões

O projeto Guardiões do Território Arariboia surgiu de forma mais estruturada em 2014, apesar de sua ideia começar a ser trabalhada desde 2012. Ele conta com 48 indígenas das seis regiões da TI Arariboia, que realizam ações preventivas de proteção territorial, conscientização da comunidade e monitoramento da área.

No domingo (22), João Pedro visitou a aérea escolhida pelos guardiões para a construção do Centro de Saberes Tenetehara Cacique Xicão, em localidade próxima à aldeia Lagoa Cumprida. A intenção é que o local sirva para a fixação de uma base dos guardiões, impedindo a entrada de madeireiros, caçadores e outros invasores para o interior da terra indígena, mas também de cento de encontro para os Guajajara.

"O cacique Chicão foi o primeiro a falar sobre a necessidade de proteger esse território e proteger os índios isolados que vivem aqui. Naquela época, ele chamava os isolados de 'índios bravos', mas ninguém acreditava nele e diziam que estava ficando velho. Hoje a gente vê que ele estava certo e erguer esse espaço significa a realização desse trabalho que começou lá trás", relatou a liderança Sônia Guajajara.

O cacique da Lagoa Cumprida, Zé Lúcio, falou sobre a importância dos guardiões para a proteção e gestão do território Guajajara e Awá. "Queremos parcerias para fazer a gestão do nosso território. Eu e minha mulher também somos guardiões, nós nos sentimos guardiões porque lutamos para proteger nosso território e proteger os Awá isolados. Todos nós queremos essa terra livre. Livre de madeireiros, livre dos invasores".

Reuniao Krikati-Foto MarioVilela-Funai (2)

Visita ao povo Krikati

Além de ouvir os Guajajara, João Pedro também esteve na aldeia São José, na TI Krikati para uma conversa com as lideranças sobre a regularização fundiária do território indígena que possui cerca de 144 mil hectares. No diálogo entre a Funai e o povo Krikati foi apontada a necessidade de ações mais eficazes para promover a gestão e vigilância da terra indígena.

Texto: Clarissa Tavares/Ascom.

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