No Rio de Janeiro, CAPES debate o papel da pós-graduação como motor da inovação
Encontro fez parte do Ciclo de Seminários do Instituto de Química e discutiu o impacto da formação de pesquisadores no ecossistema de tecnologia
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sediou nesta quinta-feira (18) o debate sobre a pós-graduação brasileira como motor da inovação. O encontro faz parte do Ciclo de Seminários do Instituto de Química (IQ) da instituição e foi organizado a convite da professora titular do Departamento de Bioquímica do IQ, Denise Maria Guimarães Freire. A presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES/MEC), a professora Denise Pires de Carvalho, apresentou o papel estratégico das instituições de ensino superior no avanço científico e tecnológico do país.
“Eu convidei a professora para que ela mostrasse o que a CAPES fez nos últimos anos. É de extrema importância que as pessoas saibam o que está sendo realizado e conheçam todas as políticas públicas que dão suporte à pesquisa nacional”, destacou Denise Maria Guimarães Freire, ao contextualizar a relevância da presença institucional na universidade.
Na apresentação, a presidente da CAPES enfatizou que a ciência brasileira e a inovação passam, obrigatoriamente, pela pós-graduação, destacando o papel da UFRJ como um dos grandes motores da ciência nacional. A universidade reúne atualmente o maior número de alunos matriculados na pós-graduação do país, além do maior número de programas de excelência avaliados com as notas máximas da Fundação.
“Nós produzimos um conhecimento de altíssimo nível que, muitas vezes, acaba sendo utilizado pelos países desenvolvidos. Para que o Brasil se torne uma nação altamente desenvolvida, precisamos reter esse talento e garantir que a pós-graduação e a pesquisa estejam diretamente conectadas ao nosso crescimento interno”, afirmou Denise Pires de Carvalho.
CONEXÃO COM A NOVA INDÚSTRIA BRASIL
Aproximar o ecossistema acadêmico do setor privado é considerado um pilar essencial para o sucesso da política industrial do governo federal. Denise Pires de Carvalho ressaltou que, historicamente, os doutores formados no país não passavam pelos bancos do setor industrial, concentrando-se quase exclusivamente na docência ou na pesquisa acadêmica. Para modificar esse cenário e impulsionar a inovação tecnológica nas fábricas, a inserção de mestres e doutores no mercado corporativo tornou-se uma prioridade estratégica.
Uma das principais ferramentas para viabilizar esse movimento é a Portaria CAPES nº 133/2023, que regulamenta o acúmulo de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado com atividades remuneradas ou outros rendimentos, ampliando as possibilidades de atuação dos pós-graduandos em diferentes contextos.
MODERNIZAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO
INCLUSÃO E DIVERSIDADE
A modernização da pós-graduação inclui ações afirmativas e de fixação de novos perfis de pesquisadores. Nesse sentido, Denise Pires de Carvalho destacou a relevância da instituição do Programa Aurora (Portaria CAPES nº 129/2026), voltado à permanência de mulheres mães cientistas na pós-graduação. Por meio dele, as professoras e pesquisadoras gestantes ou mães de crianças de até dois anos passam a contar com um auxílio financeiro específico para a contratação de um assistente de pesquisa (via bolsa de pós-doutorado), garantindo apoio institucional para o andamento de suas atividades científicas durante o período da maternidade.
VALORIZAÇÃO DO ACERVO CIENTÍFICO
A presidente relembrou que o sistema nacional de pós-graduação completou 60 anos de existência, período em que consolidou um volume robusto de artigos publicados, além de um número histórico de teses e dissertações defendidas anualmente. Ela também ressaltou os 50 anos do modelo de avaliação da CAPES/MEC, responsável por um salto significativo na qualidade dos programas ao longo das últimas décadas.
ENTREGA DE LEGADO E DESAFIO TECNOLÓGICO
Denise Pires de Carvalho destacou que deve concluir o mandato com a entrega de um legado institucional: a Agenda Nacional de Pós-Graduação, acompanhada de um plano estratégico detalhado para o setor, desenhado para orientar o crescimento da ciência brasileira nos próximos anos.
“Vamos continuar fortalecendo a pós-graduação e a formação de doutores para que a nossa academia interaja cada vez mais com o setor produtivo não acadêmico. Precisamos associar a alta tecnologia aos nossos produtos, desde a nossa robótica até o produto primário brasileiro”, destacou a gestora. “Somente por meio dessa transformação da economia de base extrativista para uma economia de base tecnológica de ponta é que poderemos fazer do Brasil uma nação verdadeiramente soberana”, concluiu.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é uma fundação vinculada ao Ministério da Educação (MEC).
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