Desenvolvimento das Agrárias permite participação crescente da área na pauta de exportação brasileira
A produção agrícola e animal é um dos importantes itens na pauta de exportação brasileira. Dentre outros fatores, o reconhecido patamar atingido se deve fortemente aos conhecimentos científicos produzidos nas últimas três décadas na pós-graduação e pesquisa e que foram repassados ao setor produtivo. O tema foi tratado durante a terceira semana da Avaliação Trienal 2013.
"A área de Ciências Agrárias tem uma contribuição muito grande no desenvolvimento do agronegócio no país. Os programas de pós-graduação (PPGs) estão formando mestres e doutores que estão estudando tecnologias para melhorar a qualidade dos alimentos que chegam à mesa e aumentar a produção para a exportação", disse a coordenadora da área de zootecnica/recursos pesqueiros, Telma Berchielli, vinculada à Universidade Estadual Paulista (Unesp-Jaboticabal).
Para Maria Beatriz Abreu Glória, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora da área de Ciência de Alimentos, o desafio atual é agregar valor à matéria prima. "Temos que deixar de exportar commodities e passar a exportar produtos com valor agregado. Grande parte da matéria prima exportada pelo Brasil não é trabalhada. É preciso desenvolver novas tecnologias para gerar produtos de qualidade e essa pode ser a maior contribuição da área de alimentos."
Controle de doenças
Além de agregar valor aos produtos, dois coordenadores de área participantes da Avaliação Trienal 2013 ressaltaram a importância do controle de doenças em animais e plantas e desenvolvimento de produtos mais resistentes. "O Brasil precisa de certificação de laboratórios, de um desenvolvimento na área de sanidade animal para que nosso produto seja melhor aceito lá fora. O país já dominou a produção animal, mas essa questão da doença ainda é a causa de muitas vezes exportarmos carnes e os outros países não aceitarem e mandarem de volta. Isso tem uma implicância exorbitante no impacto econômico brasileiro", revelou Maria Angélica Miglino, da Universidade de São Paulo (USP), coordenadora da área de Medicina Veterinária.
Sobre esse assunto, Maria Angélica ainda complementou. "Nós temos uma biodiversidade magnífica. Penso que nossos animais, dentro dessa biodiversidade, podem ter genes que garantam, por exemplo, a resistência ao calor, ao frio, a doenças. Sendo assim, deveríamos ter centros relevantes de genética – já temos, mas precisamos multiplicá-los – para que esses genes possam ser selecionados e transferidos para animais trazendo, assim, melhorias para nossa exportação e para a Medicina Veterinária como um todo."
Falta de pessoal
Quanto ao principal gargalo para o desenvolvimento contínuo da pós-graduação na grande área das Agrárias e, consequentemente, para o crescimento expressivo na pauta da exportação, a resposta foi unânime: a falta de pessoal especializado. "Precisamos de investimento em infraestrutura, pessoal de apoio para desenvolvimento de pesquisas e funcionários especializados – deficiente na maioria dos programas. A pós-graduação cresceu, temos laboratórios com vários equipamentos, mas não temos técnicos para manusear adequadamente", ressaltou Telma Berchielli.
Segundo Maria Beatriz, atualmente, a média de docentes permanentes por programa é de 12, 13. "Isso é muito baixo considerando a importância que a alimentação tem. Sem a alimentação o ser humano não sobrevive, fica também sem saúde e sem uma série de condições que são necessárias para a sobrevivência. Precisamos aumentar o pessoal para poder atender a todas as demandas."
Na Medicina Veterinária, Angélica revelou que foram tituladas neste triênio cerca de 3 mil pessoas. "É um número considerável, mas leva tempo até que eles se estabeleçam e reproduzam o conhecimento. Precisamos de uma injeção imediata de talentos, de líderes. Nisso, o programa Ciência sem Fronteiras é fantástico, pois permite que pessoas de fora venham e tragam novas ideias, arejem as nossas linhas de pesquisa e, com isso, permitam nosso crescimento."
(Gisele Novais e Natália Morato)