Sudeco promove diálogo sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha e proteção às mulheres

Palestra realizada durante o Agosto Lilás orientou sobre as diferentes formas de violência e o caminho para buscar ajuda

Publicado em 11/08/2026 14:56
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Superintendente da Sudeco, Luciana Barros, abre palestra sobre violência contra a mulher
Superintendente da Sudeco, Luciana Barros, fala sobre enfrentamento à violência

A informação pode ser o primeiro passo para interromper a violência. Com essa visão a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) promoveu na terça-feira, 11 de agosto, uma palestra em alusão ao Agosto Lilás, campanha de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. A iniciativa também promoveu ações de autocuidado, além de uma feira de exposição com a participação do Projeto Transforme-se, que apoia mulheres em situação de vulnerabilidade psicológica e financeira. 

Palestra foi conduzida pela defensora pública federal Liana Lidiane Pacheco, da Defensoria Pública
A palestra foi conduzida pela defensora pública federal Liana Lidiane Pacheco, da Defensoria Pública

O encontro abordou os 20 anos da lei Maria da Penha e suas principais atualizações. A palestra foi conduzida pela defensora pública federal Liana Lidiane Pacheco, da Defensoria Pública da União (DPU). 

A superintendente da Sudeco, Luciana Barros, abriu a programação e destacou que o enfrentamento à violência exige informação, acolhimento e participação de toda a sociedade. “A conscientização é importante porque formamos pessoas. Nem todas as violências são computadas. Precisamos de uma rede de apoio que ampare, acolha e que não julgue.” 

Luciana Barros também reforçou que o diálogo precisa ultrapassar a instituição e chegar às casas e às comunidades. “Cabe a nós, como sociedade, trabalharmos dentro das nossas casas e comunidades. Esse é um trabalho que não termina aqui.” 

Diferentes formas de violência 

Durante a palestra, a defensora Liana explicou que a violência contra mulheres e meninas vai além da agressão física. Ela pode acontecer de forma psicológica, moral, patrimonial, sexual, vicária — violência direcionada a filhos e dependentes para atingir a mulher, virtual e no ambiente de trabalho. 

A palestrante também abordou a interseccionalidade, explicando que marcadores sociais como raça, idade, condição econômica, deficiência, orientação sexual, identidade de gênero e situação migratória podem agravar a vulnerabilidade à violência. 

Como reconhecer o ciclo da violência 

Outra abordagem mencionada foi o ciclo da violência que tende a se repetir e intensificar com o tempo. Ele costuma iniciar com tensão, quando o agressor fica irritado e tenso. Seguido de agressão, momento em que a tensão acumulada se transforma em violência física, psicológica ou sexual, podendo ocorrer a “Lua de Mel”, quando o agressor pede desculpas, promete mudar e se comporta carinhosamente. 

Com o passar do tempo, os intervalos entre as fases se tornam mais curtos e as agressões mais intensas. Em casos extremos, o ciclo pode terminar em feminicídio. 

Os dados reforçam a gravidade do problema. Em 2023, o Brasil registrou 1.463 feminicídios e 68% dos casos nesse período ocorreram em ambiente doméstico. 

Plano de Segurança 

A defensora também falou sobre a importância de ter um plano para sair com segurança de situações abusivas. 

Entre as orientações apresentadas estão: reconhecer a situação, falar com alguém de confiança, documentar a violência com data, horários, fotos de lesões e prints (capturas de tela) de mensagens. Ter um plano de fuga também é importante para saber aonde ir em caso de emergência, além de montar um kit emergencial com documentos, medicamentos, chaves e roupas. Programar os números importantes com antecedência e envolver as autoridades competentes fizeram parte das instruções apresentadas. 

Onde buscar ajuda 

A Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, funciona gratuitamente todos os dias da semana durante 24 horas. Em emergências ou durante a violência, a orientação é chamar a Polícia Militar no telefone 190. 

O objetivo da ação da Campanha Agosto Lilás na Sudeco é conscientizar, informar e sensibilizar servidores e colaboradores sobre a prevenção e o enfrentamento da violência contra a mulher, fortalecendo a cultura do respeito, acolhimento e proteção.  

Por Marquelle Antunes 

Categorias
Comunicações e Transparência Pública
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