Sudeco promove diálogo sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha e proteção às mulheres
Palestra realizada durante o Agosto Lilás orientou sobre as diferentes formas de violência e o caminho para buscar ajuda

A informação pode ser o primeiro passo para interromper a violência. Com essa visão a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) promoveu na terça-feira, 11 de agosto, uma palestra em alusão ao Agosto Lilás, campanha de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. A iniciativa também promoveu ações de autocuidado, além de uma feira de exposição com a participação do Projeto Transforme-se, que apoia mulheres em situação de vulnerabilidade psicológica e financeira.

O encontro abordou os 20 anos da lei Maria da Penha e suas principais atualizações. A palestra foi conduzida pela defensora pública federal Liana Lidiane Pacheco, da Defensoria Pública da União (DPU).
A superintendente da Sudeco, Luciana Barros, abriu a programação e destacou que o enfrentamento à violência exige informação, acolhimento e participação de toda a sociedade. “A conscientização é importante porque formamos pessoas. Nem todas as violências são computadas. Precisamos de uma rede de apoio que ampare, acolha e que não julgue.”
Luciana Barros também reforçou que o diálogo precisa ultrapassar a instituição e chegar às casas e às comunidades. “Cabe a nós, como sociedade, trabalharmos dentro das nossas casas e comunidades. Esse é um trabalho que não termina aqui.”
Diferentes formas de violência
Durante a palestra, a defensora Liana explicou que a violência contra mulheres e meninas vai além da agressão física. Ela pode acontecer de forma psicológica, moral, patrimonial, sexual, vicária — violência direcionada a filhos e dependentes para atingir a mulher, virtual e no ambiente de trabalho.
A palestrante também abordou a interseccionalidade, explicando que marcadores sociais como raça, idade, condição econômica, deficiência, orientação sexual, identidade de gênero e situação migratória podem agravar a vulnerabilidade à violência.
Como reconhecer o ciclo da violência
Outra abordagem mencionada foi o ciclo da violência que tende a se repetir e intensificar com o tempo. Ele costuma iniciar com tensão, quando o agressor fica irritado e tenso. Seguido de agressão, momento em que a tensão acumulada se transforma em violência física, psicológica ou sexual, podendo ocorrer a “Lua de Mel”, quando o agressor pede desculpas, promete mudar e se comporta carinhosamente.
Com o passar do tempo, os intervalos entre as fases se tornam mais curtos e as agressões mais intensas. Em casos extremos, o ciclo pode terminar em feminicídio.
Os dados reforçam a gravidade do problema. Em 2023, o Brasil registrou 1.463 feminicídios e 68% dos casos nesse período ocorreram em ambiente doméstico.
Plano de Segurança
A defensora também falou sobre a importância de ter um plano para sair com segurança de situações abusivas.
Entre as orientações apresentadas estão: reconhecer a situação, falar com alguém de confiança, documentar a violência com data, horários, fotos de lesões e prints (capturas de tela) de mensagens. Ter um plano de fuga também é importante para saber aonde ir em caso de emergência, além de montar um kit emergencial com documentos, medicamentos, chaves e roupas. Programar os números importantes com antecedência e envolver as autoridades competentes fizeram parte das instruções apresentadas.
Onde buscar ajuda
A Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, funciona gratuitamente todos os dias da semana durante 24 horas. Em emergências ou durante a violência, a orientação é chamar a Polícia Militar no telefone 190.
O objetivo da ação da Campanha Agosto Lilás na Sudeco é conscientizar, informar e sensibilizar servidores e colaboradores sobre a prevenção e o enfrentamento da violência contra a mulher, fortalecendo a cultura do respeito, acolhimento e proteção.
Por Marquelle Antunes