Projeto apoiado pelo MPI vence Prêmio Chico Vive
Jovens da TI Taunay-Ipegue recebem R$ 50 mil pela iniciativa Semeador do Bem Viver

Em cerimônia, realizada na quinta-feira (23), jovens indígenas da Terra Indígena Taunay-Ipegue, localizada em Aquidauana-MS, foram reconhecidos pelo projeto Semeador do Bem Viver, que concorreu pela categoria Bioma Pantanal do Prêmio Chico Vive. O evento foi promovido no Teatro Cultura Artística, na capital do estado de São Paulo, e cada vencedor recebeu R$ 50 mil e uma consultoria da plataforma organizadora do prêmio.
Com apoio do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) no valor de R$ 629.187,32 e da UFF (Universidade Federal Fluminense), o projeto foi responsável pelo estabelecimento do primeiro viveiro de mudas da comunidade e virou uma referência regional ao fornecer mudas para o plantio de ipês variados, cumbaru, cedro e jacarandá, em diversos lugares da Terra Indígena. O que motivou a criação da iniciativa foram as queimadas que atingiram a Terra Indígena Taunay-Ipegue.
Com 30 integrantes da comunidade mencionada, o projeto Semeador do Bem Viver visa promover a restauração de regiões desmatadas ou queimadas, bem como fazer o plantio de vegetação nativa e recuperar rios e nascentes. Além disso, a iniciativa conduz ações de educação ambiental com jovens e crianças indígenas em nome da preservação em locais como escolas, aldeias do bioma pantaneiro, entre outras.
Ao todo, 18 finalistas foram selecionados entre mais de 500 projetos inscritos. Os seis projetos contemplados pela Premiação representam cada um dos biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.
Mais de três mil mudas
O projeto teve início em abril de 2024 e, além do viveiro de mudas nativas, hortas agroecológicas e um aviário foram implementados na comunidade.
O projeto tem como intuito formar 30 indígenas mulheres, sejam elas lideranças, jovens, anciãs ou caciques, para conduzir a ação no território com autonomia. Já foram produzidas mais de três mil mudas no viveiro, chamado Raízes do Pantanal, com a distribuição em escolas, onde também é feito um processo de conscientização com jovens de 7 a 16 anos sobre a importância de preservação da biodiversidade do Pantanal e da plantação de árvores.
O propósito do projeto é mesclar conhecimentos tradicionais e de manejo, proveniente dos anciões acerca de períodos de plantio, colheita, fases da lua, reunião de sementes, com conhecimento das instituições de ensino frequentadas pelos jovens com enfoque em agroecologia.
Mosarambihára: Semeadores do Bem Viver
O projeto foi contemplado pelo edital Semeadores do Bem Viver, criado por meio do Programa Mosarambihára: Semeadores do Bem Viver para Cura da Terra, instituído pela Portaria GM/MPI nº 97/2024.
O Edital de Apoio à Agricultura Ancestral e Produção de Florestas que promovam a cultura alimentar dos povos indígenas”, nº 17 de chamamento público – Portaria nº 97, de 20 de março de 2024, destina apoio financeiro a projetos para atividades de implementação de iniciativas e projetos alinhados aos propósitos específicos da PNGATI e do Programa Mosarambihára, com aporte total de R$ 2 milhões.
A verba é aplicada em projetos que visem restaurar áreas degradadas com espécies nativas e monitorar as mudanças nos ecossistemas dos vários biomas brasileiros. Além disso, o edital procura promover a agrobiodiversidade, garantir a segurança alimentar e identificar e apoiar o manejo de espécies de importância sociocultural, valorizando as práticas agrícolas ancestrais e as sementes crioulas.