Capítulos trazem abordagens híbridas em intervenções de Laboratório de Mudanças
Com coautoria de pesquisador da Fundacentro, textos discutem modelos intervencionistas adaptados a diferentes contextos locais e setores produtivos para minimizar contradições e desafios

O livro “Aprendizagem expansiva para transformar a saúde e a segurança no trabalho”, publicado pela editora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), traz duas contribuições de coautoria do pesquisador da Fundacentro José Marçal Jackson Filho. São dois capítulos: Agência transformadora no desenho de serviço de saúde coletiva do trabalhador e nova atuação sindical e Agência dos pesquisadores nas adaptações do Laboratório de Mudanças a contextos locais de intervenção: exemplos de abordagens híbridas.
Assim como os demais capítulos, ambos compartilham e analisam os aprendizados obtidos nas diversas intervenções no campo da Saúde do Trabalhador desenvolvidos no projeto Inovação e Transformação para Atividade de Prevenção de Riscos Profissionais (Itapar). Também abarcam as inovações e transformações geradas nos locais de trabalho onde foram realizadas as intervenções.
No capítulo Agência transformadora no desenho de serviço de saúde coletiva do trabalhador e nova atuação sindical, os pesquisadores relatam como o Laboratório de Mudança auxiliou o Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LP) a recuperar a atuação preventiva, de vigilância e promoção da saúde. A análise se debruça sobre a modelagem para solução de contradições, terceira etapa da intervenção formativa.
O texto mostra o desenvolvimento do processo de agência transformadora, que se baseou na dupla estimulação e combinou conceitos de referenciais teóricos diferentes, o que chamam de hibridização. A estratégia desempenhou papel fundamental no desenho do novo modelo de serviço e contribuiu para ampliar conhecimentos de Saúde do Trabalhador (ST) e a atuação sindical no campo dos dirigentes participantes.
Expandir a visão sobre o cuidado com a saúde física e mental dos petroleiros na perspectiva coletiva e multidisciplinar lhes possibilitou atuar ativa e coletivamente para desenhar e implementar o serviço de saúde coletiva. Os pesquisadores, no entanto, discutem dificuldades à continuidade do serviço, como precisar do engajamento dos diretores que participaram da intervenção. Depende deles sustentar a perspectiva de prevenção junto aos demais, que defendem cultura da reparação como perspectiva das ações sindicais.
“O sindicato, inserido no contexto neoliberal, tende a agir como observou Inácio, ou seja, a se organizar e a gerir o trabalho de modo semelhante à empresa, com impacto na vida e saúde dos seus funcionários”, destacam.
Junto com José Marçal, assinam o texto Mara Alice Takahashi, Angela Paula Simonelli, Denise Borbarelli Grecco, Pamela Passos dos Santos, Marcelo Juvenal Vasco, Fábio Antonio Alves, André Alves Ramalho e Tiago Nicolini Lima.
Já o capítulo Agência dos pesquisadores nas adaptações do Laboratório de Mudanças a contextos locais de intervenção: exemplos de abordagens híbridas foca nas hibridizações feitas nas intervenções formativas do projeto Itapar relatadas em outros capítulos. Destacam exemplos de combinações de práticas, técnicas, conceitos e estratégias de diferentes campos do conhecimento. Entre elas, a Saúde do Trabalhador (ST), a Ergonomia da Atividade e a segurança ampliada, com os do Laboratório de Mudanças (LM).
Ao sintetizar as experiências, os autores demonstram como a hibridização ampliou o aprendizado dos pesquisadores e permitiu adaptar modelos de intervenções a contextos locais e diferentes setores produtivos. A estratégia teve maior impacto ao potencializar as transformações do trabalho, que se tornaram mais eficazes e sustentáveis.
Os autores pontuam que as combinações são possíveis porque o LM e a intervenção ergonômica são como uma caixa de ferramentas e conceitos que não precisam seguir uma sequência fechada e inflexível. “Esta flexibilidade permitiu a essa comunidade de práticas em ST lançar mão de diferentes meios para viabilizar a intervenção a partir das contradições e desafios enfrentados em cada campo”, completam.
O capítulo evolui seguindo a linha de desenvolvimento das etapas do LM durante as intervenções formativas, mostrando como a hibridização ocorreu em cada uma, desde o primeiro movimento de aprendizagem até a fase de exame e teste do novo modelo. “As hibridizações usadas pelo grupo combinaram o LM com diferentes técnicas, como vídeos, imagens e técnica de autoconfrontação, assim como conceitos específicos da ergonomia e segurança do trabalho”, exemplificam.
Também são autores Adelaide Nascimento, Marco Antônio Querol, Rodolfo Vilela, Alain Garrigou e Vivian Mininel.
Saiba mais
Os capítulos estão no livro “Aprendizagem expansiva para transformar a saúde e a segurança no trabalho”, disponível para download gratuito no site da Editora da Universidade Federal de São Carlos (EdUFSCar).
Texto:
Karina Penariol Sanches
Imagem:
Capa do livro