ENTRE O CUIDADO E O ADOECIMENTO

Estudo revela fatores associados ao risco de suicídio em profissionais de enfermagem no sul do Brasil

Artigo publicado na RBSO destaca a realidade dos hospitais universitários federais e aprofunda o debate sobre sofrimento psíquico

Publicado em 22/01/2026 18:25
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No topo da imagem está artigo de pesquisa, abaixo a logomarca da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO). Abaixo e no centro está o título “Saúde mental: o risco do suicídio na enfermagem”., acompanhando uma imagem que mostra profissionais de enfermagem em ambiente hospitalar, utilizando equipamentos de proteção individual durante atividade de trabalho. O layout usa tons de azul e branco e apresenta a logomarca da Fundacentro no canto inferior direito.

A Revista Brasileira de Saúde Ocupacional – RBSO publica uma pesquisa que lança um alerta sobre a saúde mental dos profissionais de enfermagem no Brasil. Intitulada “Risco de suicídio em profissionais de enfermagem: um estudo transversal em hospitais universitários no extremo sul do Brasil”, o artigo evidencia a urgência do debate sobre o sofrimento psíquico e condições de trabalho na área da saúde.    

Realizada em dois hospitais universitários federais, a investigação examina a prevalência do risco de suicídio e os fatores associados à categoria, em um momento marcado pela pandemia de Covid-19 e intensificação das exigências físicas e emocionais no trabalho em saúde.  

Risco de suicídio entre profissionais de enfermagem  

Participaram do estudo 581 profissionais de enfermagem, majoritariamente mulheres, que responderam a um questionário on-line com informações sociodemográficas, de saúde e de comportamento, além do instrumento MINI (International Neuropsychiatric Interview) para avaliação do risco de suicídio. A prevalência encontrada foi de 8,8%, percentual inferior ao observado em estudos pré-pandêmicos com o mesmo método, diferença atribuída a características locais da amostra e possível viés de seleção.  

A pesquisa identificou maior prevalência de risco de suicídio entre mulheres, profissionais com idade entre 41 e 68 anos e pessoas LGBTQIAPN+. O risco também foi mais elevado entre participantes de pele branca, sem companheiro, com escolaridade média ou técnica e sem filhos. Além disso, o levantamento aponta índices mais altos entre aqueles com renda familiar entre 3 mil e 5 mil reais e que vivem em imóvel alugado ou cedido.  

A análise ajustada mostrou que o risco de suicídio esteve associado ao uso de tabaco, à depressão autorreferida, apontada como o fator de maior impacto; à vivência de abuso ou agressão na infância; e ao desejo de trocar de profissão, elemento relacionado ao estresse crônico e às limitações do processo de trabalho na enfermagem. A renda familiar mais elevada apareceu como fator de proteção, reduzindo significativamente esse risco.  

Condições de trabalho, pandemia e adoecimento mental  

O estudo reforça evidências nacionais e internacionais de que enfermeiros estão mais vulneráveis ao adoecimento psíquico do que a população geral. Os achados destacam a necessidade de ações institucionais voltadas à valorização profissional, à prevenção em saúde mental e ao acompanhamento psicossocial contínuo nos ambientes de trabalho. 

Os profissionais de enfermagem, que compõem a maior parte da força de trabalho em saúde, atuam sob condições de alta sobrecarga, estresse e exposição a riscos. Destaca-se o adoecimento mental nesse grupo, com ocorrência de ansiedade, depressão, esgotamento profissional e risco de suicídio, fenômeno crescente e considerado um grave problema de saúde pública. 

Evidências nacionais e internacionais indicam maior prevalência de tentativas e ideação suicida entre profissionais de enfermagem em comparação a outros trabalhadores e à população geral. O texto ressalta que ambientes de trabalho psicologicamente desfavoráveis e a intensificação das exigências durante a pandemia de Covid-19 agravaram esses riscos, associando o suicídio a motivos como estresse elevado, depressão, histórico prévio e impactos pessoais da pandemia. 

Diante desse contexto, o estudo enfatiza a importância de investigar a saúde mental da enfermagem e propõe identificar a prevalência e as causas associadas ao risco de suicídio.  

Autoria

As especialistas Vanda Maria da Rosa Jardim e Laíne Bertinetti Aldrighi contribuíram na concepção do estudo, no levantamento, análise e interpretação dos dados. Também na elaboração e revisão crítica do manuscrito.  

artigo de pesquisa está disponível na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional – RBSO, na plataforma SciELO, com acesso gratuito ao PDF, nos idiomas português e inglês.   

Saiba mais

Confira os demais artigos do volume e acompanhe as publicações da RBSO nos sites da Fundacentro e do SciELO. O conteúdo também pode ser acessado pelo X e pelo aplicativo da revista, disponível para os sistemas iOS e Android.   

Texto:

Débora Maria Santos

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Categorias
Trabalho, Emprego e Previdência > Trabalho e Emprego > Saúde e Segurança no Trabalho
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