Debate sobre maternidade e retorno de mães acadêmicas a ambiente de trabalho saudável precisa avançar
Pesquisa revela sobrecarga de trabalho, falta de apoio de universidade pública e pensa possibilidade para uma mudança cultural

As desigualdades de gênero colocam as mulheres em desvantagem também no meio acadêmico, com impactos nas atividades científicas. Apesar da legislação protetiva, docentes da Saúde que retornam da licença-maternidade relatam dificuldades comuns às profissionais de todas as áreas. Sofrem com a sobreposição de trabalho e cuidado não remunerado, perseguição, discriminação, assédio e falta de apoio pela universidade. A análise está no artigo Desafios vivenciados por mães acadêmicas da área da saúde após a licença-maternidade, publicado no volume 51 da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO).
Na área da Saúde, os desafios são maiores, apontam as pesquisadoras Jéssica Schlemmer, Júnia Laia da Mata, Maria de Lourdes Custódio e Kethruyn Ferreira. “Há necessidade de cuidados redobrados com a mulher gestante e lactante em serviços de saúde, por estarem sujeitas a riscos ocupacionais que podem impactar a saúde da gestante e do bebê,” explicam.
Para pensar possíveis estratégias para promover o bem-estar no ambiente de trabalho, o estudo buscou conhecer e problematizar os desafios enfrentados por essas mães. As entrevistas envolveram oito docentes do curso de enfermagem de uma universidade pública do estado do Rio Grande do Sul.
Com idades entre 35 e 44 anos, as acadêmicas tiveram filhos entre 2019 e 2023, algumas com mais de uma experiência de maternidade no período. Todas usufruíram de licença-maternidade de quatro meses, período de prorrogação para aleitamento de dois meses e férias de um mês.
Desafios maternos
Conciliar atividades da profissão (ensino, pesquisa, extensão e gestão) com o trabalho de cuidado não remunerado, em meio à adaptação aos novos papéis da maternidade, foi a principal dificuldade relata. Não apenas pela sobrecarga de trabalho, mas por repercutir de forma negativa na carreira.
Outras aspecto recorrente nas falas é a falta de rede de apoio sólida na universidade para poderem retornar às atividades. Encontram suporte no núcleo familiar, em creches, escolas e em alguns poucos colegas de profissão apoiam, embora haja relatos de pressão por parte de outros. Além da legislação federal que lhes concede alguma garantia, a universidade não oferece qualquer outro tipo de respaldo, como uma infraestrutura com salas de apoio à amamentação e extração de leite materno.
As pesquisadoras observam a urgência em se criar ambientes acadêmicos mais inclusivos e acolhedores. Infraestrutura que atenda e respeite as mães acadêmicas, docentes e alunas, com espaços adequados. No aspecto administrativo, sugerem implementar estratégias que promovam uma cultura de trabalho mais flexível e inclusiva sem prejuízos à carreira. São ações que permitem equilíbrio entre vida profissional e pessoal, possibilitando se dedicarem à produção acadêmica e científica e aos filhos.
Leia o artigo Desafios vivenciados por mães acadêmicas da área da saúde após a licença-maternidade na página da RBSO no SciELO. O conteúdo está em português e inglês, e o download do PDF é gratuito.
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Texto:
Karina Penariol Sanches
Imagem:
Criada por IA no banco de imagens Magnific