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NANOTECNOLOGIA
Especialistas da Fundacentro desenvolvem ferramenta de avaliação e controle de risco ocupacional com nanomateriais
Especialistas da Fundacentro publicam artigo no periódico científico Research, Society and Development para apresentar ferramenta NanoCB-Fundacentro. Desenvolvida para auxiliar na avaliação e controle do risco ocupacional envolvendo nanomateriais, tem com foco ambientes internos. O instrumento também oferece recomendações para cada nível de risco, orientando as ações de controle e mitigação necessárias.
Concebida a partir da análise criteriosa de 15 métodos de controle de bandas selecionados pelos especialistas, a NanoCB-Fundacentro contempla variáveis para além daquelas tradicionalmente consideradas por outras ferramentas. Na categoria severidade do dano, inclui as variantes pulverulência, frequência, duração e quantidade, entre outras. Na categoria probabilidade de exposição, envolve morfologia, mutagenicidade/genotoxicidade, carcinogenicidade, sensibilização respiratória, toxicidade reprodutiva e solubilidade.
A ferramenta foi elaborada a partir do princípio da precaução e incorpora um processo de avaliação que contempla medidas de controle já existentes no ambiente de trabalho. “Essa abordagem oferece uma estrutura sistemática para a categorização da severidade de danos nanomateriais e da probabilidade de exposição, possibilitando a determinação do nível de risco — classificado em baixo, médio, alto ou muito alto”, observam os autores.
Ao incorporar variáveis complementares e abranger categorias específicas de medidas preventivas e componentes críticos, a ferramenta propõe uma abordagem mais ampla e integrada. Destaca-se por sua aplicabilidade prática, abrangência metodológica e facilidade de uso em distintos contextos laborais. Também desponta como avanço relevante ao preencher uma lacuna na gestão de segurança e saúde no trabalho.
“Uma lacuna significativa identificada na revisão de literatura foi a baixa valorização das medidas de controle por parte dos modelos existentes. A maioria das ferramentas disponíveis não incorpora variáveis relacionadas à presença de equipamentos de proteção coletiva (EPC), medidas administrativas e equipamentos de proteção individual (EPI), na avaliação da probabilidade de exposição e, consequentemente, na estimativa do risco final”, observam os autores. E completam, “para isso, foram incorporadas variáveis complementares, abrangendo categorias específicas de medidas preventivas e componentes críticos para a gestão segura dos nanomateriais em diferentes contextos industriais e laboratoriais”.
O artigo descreve as etapas de avaliação de risco para cada categoria e pontua as recomendações de controle para cada um dos níveis de risco. Redigido pelos especialistas da Fundacentro José Renato Alves Schmidt, Arline Sydneia Abel Arcuri, Jefferson Peixoto da Silva, Luís Renato Balbão Andrade, Maria de Fátima Torres Faria Viegas e Valéria Ramos Soares Pinto, está disponível no site do Research, Society and Development.
Nanotecnologia em diversos setores econômicos
Área de estudo multidisciplinar, a nanotecnologia se dedica a manipular a matéria em escala atômica e molecular. Assim, é responsável por desenvolver e fabricar materiais com dimensões nanométricas, entre 1 e 100 nanômetros (nm). Nessa escala, os materiais muitas vezes apresentam características diferentes daquelas em escala natural.
Assim, as propriedade físico-químicas, até mesmo decorrentes de interações biológicas, podem apresentar características até então desconhecidas. Isso concede aos nanomateriais ampla gama de aplicações nos mais variados setores econômicos, como indústria farmacêutica, da construção civil, alimentícia, têxtil, de produtos de higiene e beleza, na agricultura, entre muitos outros.
Essa aplicação em larga escala, associada à ausência de conhecimento relativo às propriedades e aos riscos oferecidos pelos nanomateriais, aumenta a preocupação em relação à saúde e à segurança daqueles que manipulam tais materiais. Estejam envolvidos na produção, manipulação ou descarte de nanomateriais, esses trabalhadores estão potencialmente expostos a uma série de riscos ocupacionais devido às características únicas dessas substâncias.
Para estimar o risco ocupacional a que estão expostos, os métodos qualitativos são mais adequados que os quantitativos. Uma das principais estratégias qualitativas é a chamada Controle de Bandas (CB), devido à simplicidade que oferece. É também adotada pela NanoCB-Fundacentro.
Saiba mais
Leia na íntegra o artigo "NanoCB-Fundacentro: uma ferramenta para auxiliar a avaliação e controle do risco ocupacional envolvendo nanomateriais".
Texto:
Karina Penariol Sanches
Imagens:
Macrovector e Harryarts em Freepik