III Encontro de Pesquisa & Inovação

Pesquisas enfocam nanomateriais, professores, indústria da construção e amianto

Estudos são realizados por pesquisadores da Fundacentro

Publicado em 10/01/2023 19:04Modificado há 3 anos
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No III Encontro de Pesquisa & Inovação, a Conversa Intramuros, que costuma ser um bate-papo entre servidores da Fundacentro para apresentarem os projetos em andamento, foi compartilhada com a sociedade. O vídeo está disponível no canal da Fundacentro no YouTube. Nele é possível assistir às palestras dos pesquisadores e conhecer os resultados de algumas pesquisas.

Nanomateriais

O tecnologista José Renato Schmidt apresentou a pesquisa “Comparação de métodos específicos de avaliação de riscos de nanomateriais em laboratórios de pesquisa”, que busca identificar qual o método mais adequado. “Os nanomateriais apresentam propriedades físicas, químicas e biológicas diferentes em relação aos materiais na escala micro e molecular”, explica.

Para avaliá-los, há métodos qualitativos e quantitativos. No caso dos qualitativos, que são mais baratos e mais simples, existe uma dificuldade de comparação, o que foi discutido durante a apresentação. O principal modelo para esse tipo de avaliação é o de Controle de Bandas (CB). Na pesquisa, foram encontrados 10 métodos utilizados em diferentes países.

Schmidt comparou as diferentes categorias de perigo e de exposição e os níveis de risco em cada método. Os resultados encontrados apontaram sete métodos com categoria de maior perigo e dois de categoria de perigo intermediária; três métodos com categoria baixa de exposição, quatro com categoria intermediária de exposição e dois de alta exposição; e oito métodos que indicam um risco alto e dois com nível de risco em situação intermediária.

“Ao analisarmos o conjunto dos resultados para as três tarefas estudadas, a convergência considerando o agrupamento dos métodos por grupo de maior concordância e grupo de maior rigor é obtida apenas com o Control Banding do Imec”, conclui o tecnologista. No fim da apresentação, ele recomendou o acesso aos vídeos do Ciclo de Palestras Nanotecnologia e seus impactos sobre a Segurança e Saúde no Trabalho.

Professores

As condições de trabalho e saúde dos professores também estiveram em pauta durante o evento. O tecnologista Jefferson Silva apresentou os resultados da pesquisa “Caminhos para a melhoria das condições de trabalho e saúde dos professores na perspectiva das políticas públicas”.

A pesquisa de natureza quali-quantitativa resultou em dois relatórios já publicados – Estatísticas e indicadores epidemiológicos de saúde dos professores: um novo olhar com base em dados públicos oficiais e Condições de trabalho e saúde dos professores no Brasil : uma revisão para subsidiar as políticas públicas – e um em vias de publicação – Condições de trabalho e saúde dos professores no Brasil: caminhos e descaminhos das políticas públicas na avaliação de um grupo de pesquisadoras. Cada um é resultado de um dos três eixos do projeto.

O Eixo 1 – Estatísticas e Indicadores Epidemiológicos de Saúde dos Professores buscou explorar os dados estatísticos disponíveis sobre adoecimento e afastamentos do trabalho desses trabalhadores de modo a prover subsídios para a tomada de decisões e apoio às políticas públicas. O estudo descreveu rol de ocupações docentes na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) e suas caracterizações e examinou os vínculos empregatícios na Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e bases selecionadas. Também construiu algoritmos de machine learning sobre dados da Rais para análise preditiva dos afastamentos de saúde.

O Eixo 2- Bibliográfico analisou, por meio de levantamento em fontes distintas e complementares, estudos dedicados ao tema “condições de trabalho e saúde dos professores” em diferentes níveis e modalidades de ensino, com ênfase nas condições gerais de trabalho e saúde dos professores. Assim traçou um panorama da educação básica ao ensino superior, com enfoque especial na educação a distância nesse nível e na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Os problemas de saúde mais prevalentes entre esses profissionais foram relacionados à saúde mental, saúde vocal e distúrbios osteomusculares. Também se constataram diversas precariedades: violências; indisciplina; desvalorização; desprestígio; baixos salários; problemas de estrutura; intensificação e sobrecarga de trabalho; avanço do trabalho sobre o tempo de descanso e lazer; imposição de lógica alheia à natureza e função social da educação; dificuldades no reconhecimento e manutenção de vínculos de trabalho e dificuldades de formação, entre outras.

No ensino superior, apesar das precariedades, professores veem na relação com os alunos e na prática de pesquisa a possibilidade de um trabalho emancipador, fontes de satisfação e prazer no trabalho.  No EaD, destacam-se a polidocência, no sentido de que um professor exerce várias funções, a lógica fragmentada, a precarização de remuneração e o fato de que os tutores não são reconhecidos como professores. No EJA, houve uma redução no número de professores e permanecem desafios para conjugar educação e trabalho, diversidade de faixa etária e pessoas que não tiveram acesso à educação.

Por fim, o Eixo 3 - Empírico buscou investigar possibilidades de melhorar as condições de trabalho e saúde dos professores no âmbito das políticas públicas, a partir de entrevistas realizadas com 10 pesquisadoras dedicadas ao estudo da relação saúde-trabalho dos professores. Identificaram-se as seguintes categorias temáticas: 1. (In)definições e dualidades de uma noção a desmistificar; 2. Os impasses da (des)integração; 3. A subversão das políticas públicas; 4. Reversão como caminho; 5. A pandemia de Covid-19 e as políticas públicas; e 6. Anatomia do abandono.

“As políticas públicas reais se distinguem das proclamadas, e seu caminho vem sendo contrário ao necessário para a melhoria da educação e das condições de trabalho e saúde dos professores, sendo necessário reverter o (des)caminho. A providência inicial mais urgente e categórica consiste na efetivação da valorização dos professores prevista em lei”, conclui Jefferson Silva.

Indústria da Construção

O projeto “SST na Indústria da Construção: uma abordagem das medidas de proteção coletiva contra queda de altura e choque elétrico”, apresentado pela tecnologista Christina Félix, tem como objetivo subsidiar, por meio da produção de conhecimento, técnicas de engenharia para atender aos requisitos da NR 18 - Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção, especialmente em relação à queda de altura e choque elétrico.

O estudo se divide em duas subcoordenações, uma voltada para proteção contra quedas de altura e outra para proteção contra choque elétrico, dada à complexidade da indústria da construção. São realizadas revisões bibliográficas na literatura nacional e internacional, em que se levantaram materiais produzidos em 19 países, sobre medidas de proteção para esses tipos de risco.

Simultaneamente busca levantar boas práticas a partir de instituições parceiras como os serviços sociais da indústria da construção (Seconci), Serviço Social da Indústria (Sesi), sindicatos patronais e de trabalhadores, núcleos regionais e organizações internacionais, além de visitas técnicas em canteiros de obra.

Dessa forma, será possível sistematizar medidas preventivas necessárias que atendam à norma. Ainda tem se trabalhado para definir formas mais eficazes para difundir medidas preventivas entre trabalhadores e empresas. “Uma das formas de divulgação dos resultados é a produção de duas RTPs (Recomendações Técnicas de Procedimentos), uma para cada tema trabalhado. Outras formas de divulgação facilmente executáveis são os folhetos, podcasts e ciclo de debates sobre os assuntos”, afirma Christina Félix.

Uma nova versão da RTP 04 - Recomendações técnicas de procedimentos: escadas, rampas e passarelas e uma cartilha sobre choques elétricos foram elaboradas e em breve serão publicadas. Também está em fase de produção folheto sobre máquinas e equipamentos. Um trabalho finalizado foi o Folheto “Trabalho em altura: saiba como  evitar acidentes com queda de altura na pintura imobiliária”, em parceria com outros grupos de pesquisa da instituição.

Amianto

O amianto é tema central de dois projetos apresentados durante o Intramuros: “Desenvolvimento de estratégias para difusão de informações para remoção segura dos materiais contendo amianto de instalações prediais”, por José Renato Schmidt, e “Levantamento de Materiais de Fibrocimento-Amianto com uso de imagens de satélite no município de Florianópolis”, pelo tecnologista Gustavo Pottker.

Em sua apresentação, Schmidt mostrou as normas e leis existentes sobre manuseio do amianto. A proibição se deu em 2017 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas não há legislações com diretrizes para remoção. O Guia de boas práticas de desamiantagem, produto do projeto sobre os impactos do processo de remoção do amianto previsto pela aplicação da Lei Municipal n°  10.607/2019 de Florianópolis, traz subsídios importantes sobre como deve ser a remoção de materiais contendo amianto (MCA), abrangendo questões como plano de trabalho, métodos, máquinas, equipamentos, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) recomendados, sinalização, acondicionamento e destinação. É desse primeiro projeto que nascem as duas pesquisas apresentadas.     

O estudo “Desenvolvimento de estratégias para difusão de informações para remoção segura dos materiais contendo amianto de instalações prediais” busca conhecer experiências internacionais de sucesso na remoção do amianto e avaliar a aplicabilidade delas no contexto brasileiro. Também desenvolve estratégias de divulgação de informações sobre remoção segura de MCA em linguagem simples para os trabalhadores e propõe estratégias de comunicação e conscientização sobre o risco de exposição ao amianto da população.

Em 2022, foram realizadas entrevistas com especialistas do Brasil, Reino Unido, Austrália, Colômbia e Itália. Assim foi possível levantar estratégias adotadas e experiências exitosas na remoção do amianto de edificações. Um folheto voltado a trabalhadores se encontra em elaboração assim como vídeo voltado para população geral em conjunto com a Comissão Intersetorial de Saúde de Florianópolis (Cist) e outras instituições. O projeto continuará a ser desenvolvido em 2023.

Já a pesquisa “Levantamento de Materiais de Fibrocimento-Amianto com uso de imagens de satélite no município de Florianópolis” trata-se de uma iniciativa de sensoriamento remoto para fazer levantamento de telhas de amianto nessa cidade. As imagens utilizadas serão de alta resolução espacial, contemplando 8 bandas na faixa do visível e infravermelho, com data mais recente que janeiro de 2020.

Os dados serão analisados a partir da segmentação das imagens, que as divide de forma homogênea, formando objetos. A classificação desses será feita por meio de algoritmo e haverá aferição da qualidade dela. Trabalhos em outros países mostram classificação com acurácia de 87 a 89%.

Com o mapeamento realizado, espera-se quantificar e estimar o volume de MCAs em telhados, potenciais riscos de exposição nas atividades de remoção do amianto e esforços necessários para minimizar o impacto ao meio ambiente. Pretende-se elaborar materiais para subsidiar tomadores de decisão e contribuir para a segurança dos trabalhadores envolvidos na remoção e de toda população.

Saiba mais

Assista ao vídeo do Intramuros com todas as apresentações no canal da instituição no YouTube.

Conheça a Vitrine de Projetos.

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