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LABTALK
Ciência de dados é uma importante ferramenta para políticas públicas
A ciência de dados abrange um leque de campos, os quais incluem estatísticas, análise de dados, métodos científicos e até inteligência artificial (IA). Essa informação foi disponibilizada na 14ª edição do LabTalk, exibida pelo canal da Fundacentro no YouTube.
A cada edição, o Laboratório de Inovação da Fundacentro convida especialistas para discutir temas variados e, desta vez, sob a temática “O uso da ciência de dados para a construção de políticas públicas”, não foi diferente. A live iniciou com o tecnologista da instituição, Marco Antônio Bussacos.
Marco apresentou fontes de dados importantes que trazem informações, análises e estudos sobre acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, disponíveis no portal da Fundacentro em “Ações e Programas – Estatísticas de Acidentes de Trabalho”. “Juntamos vários links relacionados aos acidentes de trabalho e, na parte de estatísticas, é possível observar várias fontes de dados nacionais, internacionais e observatórios”, comentou o tecnologista.
Em relação às fontes nacionais, Bussacos destacou o banco de dados do Ministério do Trabalho e Previdência que mostra na aba do Infologo – Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT) informações básicas sobre acidentes de trabalho por motivo e o número de óbitos.
O especialista diz ainda que o AEAT 2020 elenca uma série de indicadores de acidentes de trabalho por setor de atividade e unidade da federação, sendo possível mensurar a exposição dos trabalhadores de acordo com os níveis de riscos ligados à atividade econômica.
“O exercício que eu farei traz a hipótese de verificar se houve alteração na atividade econômica com maior acidentalidade na última década. Para isso, o melhor é fazer o ranqueamento dos acidentes de trabalho, segundo a divisão da Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) nas unidades da federação. Neste caso, o parâmetro utilizado é a Moda que informa o valor da variável de maior frequência”, ressaltou.
A morbidade corresponde aos acidentes típicos de trajeto, doença ocupacional com CAT e sem CAT, já a mortalidade aos óbitos nos acidentes liquidados no período 2010 e 2020. Na apresentação, o especialista detalhou dados, períodos, atividades e a relação para calcular a Moda de um conjunto de dados observando ainda que aparecem com maior frequência.
Essas informações proporcionam análise, estudos e o desenvolvimento de políticas públicas. No entanto, Marco salientou que dados com números pequenos não são favoráveis para os estatísticos e para os epidemiologistas. Exemplificando, o tecnologista apontou “pequenos números como no caso do Acre e do Amapá, em 2010, foram registrados apenas 4 óbitos, e em Roraima, 3 óbitos. Para calcular uma Moda com 3 valores, fica totalmente frágil. A Moda pode funcionar para a morbidade, mas para a mortalidade, não”.
Marco finalizou informando que “os dados estatísticos e painéis epidemiológicos são essenciais para subsidiar os tomadores de decisão. Trata-se de uma ferramenta fundamental, na qual é necessário o diálogo entre os diversos atores do governo, que tradicionalmente são o Trabalho, a Previdência, a Saúde, mas deveríamos ampliar para outras áreas do governo, dos trabalhadores e empregadores”. Além do tecnologista, a página do site temático de estatística da instituição foi desenvolvida pelos especialistas César Saito, Maria Maeno, Ricardo Lorenzi, André Maia e Juliana Oliveira.
Ciência e manipulação de dados
A ciência de dados prepara, analisa e manipula os dados. Os aplicativos analíticos e os cientistas de dados diante dos resultados capturam as informações, processam utilizando as tecnologias e, principalmente, o armazenamento de dados.
O pesquisador bolsista, Hélio Doyle Pereira da Silva, comentou sobre o conjunto de análise de dados que ele aprendeu a desenvolver com as fontes de SST. A sua formação em estatística e ciência da computação possibilita trabalhar em diversos campos do conhecimento. “O que é mais importante é a troca de informações que existe entre as diferentes áreas do conhecimento. Descobri o tanto que a gente precisa melhorar em termos de divulgação de dados no nosso país. Os dados que já são públicos por natureza, você consegue fazer conexões e consegue entender, por exemplo, como que as coisas funcionam, como que o país funciona, independentemente da área, seja da saúde ou da área trabalhista”, salientou o pesquisador bolsista.
Hélio ressaltou que mesmo tendo acesso aos microdados, é fundamental obedecer a todas as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Além disso, os dados devem ser transparentes para que a população em geral tenha acesso às informações.
Radar SIT
O auditor-fiscal do Trabalho, Jeronymo Marcondes Pinto, informou sobre os conteúdos disponíveis na plataforma do Radar SIT. São diversas abas que trazem temas como trabalho infantil, trabalho escravo, informações e estatísticas da Inspeção do Trabalho no Brasil.
“Na aba de acidentes de trabalho, desenvolvido entre a Secretaria de Trabalho e a Secretaria de Previdência, nós fizemos uma análise temporal dos dados da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Pode-se consultar tópicos como evolução, acidentes por atividade econômica, região, perfil acidentário e ocupações”, explicitou o auditor-fiscal.
Jeronymo também informou que é possível filtrar por tipo de acidente, doença, duração do tratamento e se foi maior ou menor do que 15 dias, região, o agente causador e outros detalhes. “O radar tem sido muito utilizado por órgãos de imprensa e de pesquisa. Nossa ideia realmente é difundir estatística e mostrar resultado da fiscalização, aplicação do dinheiro público e o trabalho que a SIT vem realizando”, finalizou.
Também estiveram presentes e coordenaram o evento, a diretora de Pesquisa Aplicada Erika Benevides e a gerente de Projeto Adriana Hilu. Para elas, os dados são essenciais para desenvolver um sistema de controle de estatísticas consistentes e eficaz para as políticas públicas.
“A ciência de dados é importante porque consegue misturar a Inteligência Artificial com a programação computacional e conseguimos fazer inúmeras abordagens, seja ela para monitoramento de programas em políticas públicas, como também o pessoal de compliance e integridade, o qual utiliza muito para detecção de fraudes”, salientou Erika Benevides.
As falas completas das coordenadoras e dos especialistas estão disponíveis no canal da Fundacentro no Youtube.