Organizações com cultura de segurança proporcionam um ambiente de trabalho saudável
Tecnologista e analista da Fundacentro apresentam métodos para promover a SST

As questões que envolvem a segurança e saúde no trabalho (SST) devem ser abordadas de forma multidisciplinar, com equipes compostas por profissionais de diferentes áreas do conhecimento. É o que defende o tecnologista da Fundacentro Flávio Maldonado Bentes. Essa é uma decisão significativa já que as organizações com cultura de segurança proporcionam um ambiente de trabalho saudável e mais produtivo.
Bentes salienta que a multidisciplinaridade é importante porque possibilita abranger diversos olhares sobre um problema e criar melhores alternativas de soluções. Ao exemplificar as questões de identificação de perigos e avaliação de riscos ocupacionais, o tecnologista faz um breve comentário sobre a Norma Regulamentadora n° 01.
O novo texto da NR 01, publicado pela Portaria n°6.370, determina que as empresas implantem o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). “O pilar para identificar e avaliar os riscos ocupacionais consideram o disposto nas normas regulamentadoras e demais exigências legais de SST”, frisa.
Ele ainda destaca o sistema Curva de Bradley, que mostra os estágios e as soluções adotadas pelas empresas no amadurecimento da cultura de segurança organizacional. Adotar métodos de prevenção de acidentes é a melhor ferramenta para reduzir o número de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
“Sempre é bom investir na prevenção, sobretudo na preservação da saúde física, mental e da dignidade dos (as) trabalhadores (as)”, completa o tecnologista.
Dando continuidade à discussão que envolve a saúde dos trabalhadores, o analista Emerson Moraes Teixeira salienta que o trabalho ocupa um lugar central na vida das pessoas. “Os mundos do trabalho estão repletos de contradições. O neoliberalismo que implica na lógica da competição generalizada entre empresas e trabalhadores colide frontalmente com as ações de produção de saúde no trabalho. Ou seja, ambientes e uma organização do trabalho que não trazem consigo um conceito de prevenção e cuidado com a vida dos trabalhadores”, comenta Moraes.
Completa que o processo de intensificação do trabalho para cumprir metas, competitividade desenfreada e a falta de comunicação refletem algumas condições de trabalho que fomentam aos riscos psicossociais e afetam a saúde física e mental do trabalhador.
Em sua apresentação, ele pontua algumas estratégias para produção de saúde e enfrentamento às violências no trabalho. Emerson cita a Clínica da Atividade, vertente clínica da psicologia do trabalho francesa, cujo interlocutor é o professor e pesquisador francês, Yves Clot, a qual tem sido muito debatida no que se refere à análise da relação entre trabalho, saúde e subjetividade.
O analista explica que nesta clínica o diálogo é o caminho imprescindível para que se efetive um debate entre os saberes científicos e os saberes da experiência para uma análise do trabalho. Diz ainda que é importante saber lidar com as diferenças e singularidades entre os trabalhadores, com o repertório de experiências que cada um traz e desenvolve ao longo do tempo.
A criação de métodos na Clínica da Atividade aposta no desenvolvimento do poder de agir do trabalhador, tornando-o protagonista na transformação do seu trabalho e de si. “O trabalho é atividade inventiva que transborda a execução técnica de tarefas ou normas prescritas, e o trabalhador não é um mero autômato reprodutor de prescrições ou técnicas”, finaliza.
Os temas apresentados pelo tecnologista e pelo analista da Fundacentro – Centro Regional Sudeste I – Rio de Janeiro fazem parte da 17ª edição do “Seminário Trabalho e Prevenção”, em seu novo formato por meio do Webinar. As apresentações completas estão disponíveis no canal da instituição no YouTube.