LABTALK

Especialistas explicam como funciona a gamificação no trabalho

Tema apresentado na 10ª edição do LabTalk, está disponível no Canal da Fundacentro no YouTube

Publicado em 09/12/2021 18:09Modificado em 17/08/2022 17:59
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Na administração pública, a implantação da técnica de gamificação tem sido cada vez mais incorporada nas organizações. São jogos sérios que contribuem na educação, saúde, segurança, tomada de decisão e participação política.

Para discutir o tema, a Fundacentro realizou a 10ª edição do LabTalk trouxe a pauta “Gamificação em Segurança e Saúde no Trabalho: conquistas e conflitos”, disponível no Canal da Fundacentro no YouTube.

De acordo com especialistas, a gamificação é uma tendência que compromete e recompensa os participantes. Essa ferramenta desenvolve um ambiente de trabalho mais engajado. “Na gamificação é utilizado o conceito e técnicas de jogos em contextos não relacionados aos jogos”, informou Rodrigo Narcizo, servidor público federal da Agência Nacional de Aviação (Anac) e criador de jogos para governos.

Durante a sua apresentação, Narciso que é cofundador da Rede Conexão Inovação Pública e facilitador da Escola Enap Transforma, explicou que se utiliza mecanismo criado e pensado para o ambiente de jogo, aplicando recursos lúdicos e de entretenimento, como o “Role Playing Game” (RPG) e coloca em outro contexto.

O especialista informou que as técnicas utilizadas nos RPG´s têm um componente que é chamado de ponto de experiência, onde o personagem acumula pontos, sobe de nível e fica mais poderoso. “Como exemplo, a gamificação está no uso do ponto de experiência, o qual é colocado no plano de milhagem dos programas de fidelidade das companhias aéreas, e isso gera o engajamento dos clientes”.      

Gamificação na área da saúde

A gamificação pode ser aplicada em diversos campos, principalmente na área da saúde. A coordenadora de saúde corporativa e médica do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo, Adriana Jardim Arias Pereira, apresentou as estratégias de programas de qualidade de vida em uma indústria naval. “Foram acompanhados 479 trabalhadores, onde a maioria era obesa, colesterol alto e diabetes, hipertensos e dislipidêmicos (aumenta a chance de entupimento das artérias e de ataques cardíacos e acidente vascular cerebral)”, explanou a médica do trabalho.

Para mudar essa realidade, a médica comentou que a empresa teve a iniciativa de implantar um programa de qualidade de vida “Mergulhando na Saúde”, que contempla assuntos sobre estímulo de atividade física, alimentação balanceada, controle da obesidade, entre outros tópicos.

Além disso, outras iniciativas foram desenvolvidas. “Criamos o Plano de Ação envolvendo Campanha de sensibilização, consulta médica, acompanhamento nutricional, intervenção no refeitório e introdução à atividade física. Trouxemos também o jogo “Batalha Naval” com o Programa Global Challenger, com duração de 100 dias, os funcionários se engajavam nessa atividade em grupos,” frisou a médica do trabalho.

Para aprimorar ainda mais a comunicação com os trabalhadores e tornar continuo o processo de cuidados com a saúde, Adriana enfatizou que criaram um portal de conhecimento com recursos de gamificação: “Radar da Saúde”. Os funcionários acumulavam pontos e ganhavam premiações quando acessavam a página, postavam, comentavam e faziam os cursos.  

Segundo a médica, a participação dos trabalhadores se dava de forma espontânea e cada um escolhia em qual grupo executaria as atividades contidas nos módulos que envolviam os temas sobre sono, atividade física, nutrição, bem estar psicológico, foco e concentração.

Disse ainda que todos poderiam participar, não somente quem estava com problema de saúde. Recebiam o Pulse que monitorava o cumprimento das jornadas propostas no jogo, desse modo cada profissional poderia acompanhar o seu desempenho e o do time.

Adriana informou que a ideia é que essa ação continue e não pare somente nos 100 dias. As famílias também foram englobadas no programa. “É importante que os colaboradores usem a ferramenta para a sua qualidade de vida”, finalizou a médica do trabalho.

Fiocruz e a gamificação

Complementando as apresentações dos especialistas Rodrigo Narcizo e Adriana Arias, o programador visual da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marcelo de Vasconcellos, destacou alguns exemplos de plataformas que utilizam a gamificação, tais como “Foursquare” (rede social para compartilhar a sua localidade) e a “Khan Academy” (oferece educação de forma gratuita e o usuário ganha uma medalha ao realizar o curso). “A intenção é de que o usuário sinta-se estimulado para realizar mais cursos e ganhar a medalha”, apontou Vasconcellos.

Marcelo também é diretor da Acta Ludica: International Journal of Game Studies e líder do grupo de pesquisas. Dando sequência, o diretor relatou quais são os riscos da gamificação. “Um dos riscos mais perigosos é usar a gamificação para manipular os usuários. Isso acontece muito no setor privado, onde as empresas financeiras usam para coletar dados, e isso pode colocar em risco a privacidade do usuário”, salientou.

Durante o ano todo, o Laboratório de Inovação da Fundacentro por meio do LabTalk, realizou bate-papo sobre inovação em Segurança e Saúde no Trabalho (SST), o qual trouxe vários temas e, consequentemente, diversos especialistas para debaterem temas envolvendo a SST.

A apresentação da 10ª edição foi feita pela diretora de Pesquisa Aplicada, mestre em Ergonomia e Ciências do Trabalho pelo Cnam na França e pós-graduada em Saúde e Segurança do Trabalho, Erika Benevides, e pela chefe do Centro Regional Sudeste II, mestre em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), médica e perito médico previdenciário do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Adriana Hilu, ambas da Fundacentro.

As três apresentações, o debate e os comentários da diretora de Pesquisa Aplicada e da chefe do Centro Regional Sudeste II estão disponíveis no Canal da Fundacentro no YouTube.

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