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Dados secundários em SST são necessários para filtrar as informações
“É fundamental para o pesquisador ter senso crítico para poder filtrar as informações que são fatos, diversões ou mentiras relacionadas aos dados secundários disponíveis na internet”, salienta o palestrante Cézar Akiyoshi Saito, tecnologista do Serviço de Epidemiologia e Estatística da Fundacentro.
A apresentação do tecnologista focou sobre dados secundários em segurança e saúde no trabalho para os alunos da Pós-Graduação da Fundacentro, no entanto, as pesquisas também podem ser utilizadas em outros estudos.
Os dados secundários englobam informações existentes que possam auxiliar no estudo que o estudante ou pesquisador está desenvolvendo. De acordo com a necessidade, também é possível contextualizar essas informações e, assim, tabular e analisar os dados apresentados.
Por meio de tabela, Cézar informa o número de dissertações defendidas em “Saúde do Trabalhador”, com o nome da instituição, a localização e o período. Com um número de 45 dissertações defendidas de 2013 a 2016, a Fundacentro ganha destaque em relação às outras instituições.
“No Brasil, desde o começo de sua Pós-Graduação, a Fundacentro tem contribuído no cenário nacional como sendo a primeira instituição importante neste vetor Saúde do Trabalho”, frisa Akiyoshi.
Número de dissertações defendidas em “Saúde do Trabalhador”, por instituição, Brasil, de 2013 – 2016. |
| Nome da Instituição | Número | Porcentagem | Porcentagem Acumulada |
| Fundacentro | 45 | 6,6% | 6,6% |
| Fundação Oswaldo Cruz | 31 | 4,6% | 11,2% |
| Universidade Federal da Bahia | 25 | 3,7% | 14,8% |
| Universidade Federal do Rio Grande do Sul | 22 | 3,2% | 18,1% |
| Universidade Federal de Santa Maria | 21 | 3,1% | 21,1% |
| Universidade Federal do Rio de Janeiro | 20 | 2,9% | 24,1% |
| Universidade de São Paulo | 19 | 2,8% | 26,9% |
| Universidade Federal do Rio Grande do Norte | 18 | 2,6% | 29,5% |
| Pontifícia Universidade Católica de Goiás | 16 | 2,3% | 31,9% |
| Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto | 14 | 2,1% | 33,9% |
| Outras 116 instituições | 450 | 66,1% | 100,0% |
| Total | 681 | 100,0% |
A fonte desses dados pertence ao banco de teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação.
Base de Dados em SST
Já na área de SST, Saito descreve as principais bases de dados governamentais, tais como a Relação Anual das Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, que possui dados estatísticos sobre o mercado de trabalho formal; o Sistema Único de Informação de Benefícios – Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho (Suibe – AEAT), da Secretaria de Previdência Social/Ministério da Fazenda, trata-se de benefícios previdenciários e acidentários; e o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, que fornece dados de óbitos da população em geral. Para o especialista, uma base que acompanhasse a vida laboral do trabalhador.
Criado em 2009, está disponível no Portal da Fundacentro, o subsite “Estatística de Acidentes e Doenças do Trabalho”, o qual é apresentado infográficos sobre diversos temas a partir de base de dados secundários do Governo Federal. Nele o consulente pode navegar pelos estados da Federação, por ano de interesse e por indicadores. Também é possível verificar a progressão dos acidentes ocorridos no Brasil: índices de acidentes, casos de doenças do trabalho e mortalidade. “A morte é muito difícil de esconder, do contrário dos acidentes de trabalho”, salienta Cézar.
Diferentemente dos dados primários que são informações novas coletadas pelo pesquisador, os secundários, são informações que já existem em determinadas bases de dados, como por exemplo, a do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Previdência Social.
“Os dados secundários estão para ajudar a ter uma visão geral, assim como no caso do IBGE que teremos uma visão geral da população. Esta coleta tem limitação, e o pesquisador não conseguirá alterá-la. Agora, quando o pesquisador vai ao campo e faz a coleta dos dados tem flexibilidade para escolher a forma que executará o trabalho e, neste caso será necessário padronizar a forma de como será feita a coleta”, frisa Saito.
Características do banco de dados
As bases de dados também podem ser pública (Portal Brasileiro de Dados Abertos), e particular que podem ser os dados primários de uma dissertação e que não deve ser publicada na internet. Outras formas são relacionadas ao formato nominal que mostra o nome completo e sexo, já o formato anônimo não identifica a pessoa. Pode também estar como microdados (nome e sexo) ou agregado constando o percentual do sexo feminino e masculino.
Saito salienta que é necessário passar pelo Comitê de Ética os dados primários ou secundários nominais, bem como Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e possivelmente colocar de forma anônima. Já a base de dados: pública e anônima, em alguns casos não necessita aprovação do Comitê. “Em ambos os casos, para publicar na maioria dos períodos científicos indexados, o artigo científico precisa da aprovação do Comitê de Ética”, informa o tecnologista.
O tema da próxima palestra será “Vigilância em saúde do trabalhador”, a ser apresentada por Maria Teresa Daldon, da Faculdade de Saúde Pública, no dia 18 de setembro, segunda-feira.