Estresse no Trabalho é tema de palestra na Fundacentro
O estresse pode levar ao adoecimento e sofrimento

Em alusão ao dia 28 de abril, Dia Internacional em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, a Fundacentro realizou evento para abordar o tema “Estresse no Trabalho – um desafio coletivo”.
O evento que aconteceu no dia 27, contou com a presença de Robson Spinelli Gomes, diretor Técnico, que deu início ao evento refletindo sobre a forma como o estresse no trabalho é percebido e questionando se o conteúdo da informação é passada de uma forma que permita ao trabalhador uma tomada de decisão, quando se trata do estresse diário. “É preciso refletir sobre o que gera o estresse no trabalho”, comenta. Robson finaliza refletindo sobre o Dia em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho dizendo que precisamos guardar o dia para que possam ser tomadas ações positivas.
No dia 28 de abril de 1969 a explosão de uma mina na Virgínia, EUA, matou 78 mineiros. Em 2003, a Organização Internacional do Trabalho – OIT – adotou a data como o dia oficial da segurança e saúde nos locais de trabalho. No Brasil, em maio de 2005, foi instituído o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.
Em 7 de março de 2003, o Conselho Curador da Fundacentro instituiu o dia 28 de abril como uma data em homenagem aos trabalhadores vitimados por acidentes de trabalho.
Histórico do conceito de estresse
Tereza Luiza Ferreira, pesquisadora e psicóloga da Fundacentro, falou sobre a necessidade em tratar as questões de transtornos mentais e lembrou que o estresse é uma porta de entrada para outras doenças como depressão e transtorno de ansiedade.
O estresse já entrou no vocabulário popular como sinônimo de nervosismo, impaciência, irritação ou agressividade. O distresse é o esgotamento, indica uma situação em que a exigência é maior do que os meios para enfrentá-las.
O estresse manifesta a Síndrome Geral de Adaptação (SGA), que se desenvolvem em três fases: a relação de alarme ou de luta/fuga; adaptação/resistência; enfrentamento.
O estresse é prejudicial ao trabalho?
O estresse pode levar ao adoecimento e sofrimento. É preciso observar a frequência da exposição aos riscos ou fatores psicossociais que podem levar ao estresse.
Diversos fatores podem levar o trabalhador ao estresse como, por exemplo, exigências para a realização de tarefas, falta de controle sobre as atividades, aspectos referentes à carreira, excesso da jornada de trabalho, riscos químicos e físicos, problemas no trabalho ou no lar, relações com a chefia e assédio moral, sendo também uma conjunção desses fatores.
Diferentes abordagens, conceitos e visões sobre o processo de estresse levam a uma ideologia de culpabilização do trabalhador em relação ao adoecimento, sendo que esse não deve ser considerado um problema individual e sim coletivo.
Para que essas situações sejam revertidas é preciso pensar as condições de trabalho, sua organização, planos de carreira, e ter uma visão mais humanizada do trabalho e das pessoas. “É preciso levar em consideração de que o estresse é uma tensão, ele não é desnecessário, mas ele deve ser controlado”, conclui a pesquisadora.
Ações da Fundacentro no Programa Organização do Trabalho e Adoecimento
Dando continuidade às palestras Maria Maeno, mestre em Saúde Pública, apresentou as ações da Fundacentro e abordou questões sobre o estresse e outras doenças relacionadas à saúde mental do trabalhador.
Maeno coloca que somos produto do meio, ou seja nossa educação, ambiente e ausência de trabalho, serviços sociais, direitos sociais. É nesse conjunto que se cria a rede familiar, social ou comunitária. Somos o que está entre a carga genética e a nossa vida. Ou seja, isso determina nossa saúde ou acidentes, são os determinantes sociais.
O adoecimento psíquico geralmente passa despercebido e não é mensurável, não sendo possível falar o quanto a pessoa está doente, além disso, ele também é multicausal, tendo vários fatores que podem levar ao adoecimento.
A tecnologia tem sido utilizada para diminuir o tempo de lazer e aumentar o tempo de trabalho. Nos dias atuais o trabalho já não é um fator de realização para as pessoas, levando em consideração a existência de metas crescentes, sistema de participação de lucros e resultados, gestão inadequada e focada apenas na produtividade, a perda da criatividade dentro do trabalho sendo agora mais fragmentado.
A terceirização crescente também é um fator que pode causar efeitos psíquicos e físicos, tendo em vista que eles têm menos direitos e os acidentes ocorrem mais com esses funcionários. Se o profissional não consegue atingir as metas que são propostas ele se sente incapaz o que também pode levar ao adoecimento do corpo e da mente.
Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo IBGE em 2013, informa que 7,6 pessoas com 18 anos ou mais foram diagnosticadas por um profissional de saúde com depressão, isso sem contar com o transtorno de ansiedade entre outras doenças como o alcoolismo crônico; perda de sentido no trabalho, sensação de incapacidade; transtorno de estresse pós-traumático; síndrome burnout (doença do esgotamento profissional). Maeno frisa que isso não tem a ver com a pessoa, mas com o sistema ao qual ela pertence.
Papel da Comissão Interna de Saúde do Servidor Público – CISSP
Daniela Sanches Tavares apresentou a Comissão Interna de Saúde do Servidor Público, gestão compartilhada entre gestores e servidores que visa a melhoria das condições de trabalho e prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, bem como a promoção da saúde e humanização do trabalho.
As principais ações desenvolvidas pela CISSP estão relacionadas à busca da participação de terceirizados na comissão e nos cursos de formação para membros da CISSP e interlocutores, acolhida e trabalho em conjunto com o RH em casos individuais de sofrimento e adoecimento relacionado ao trabalho, auxílio na documentação e registro de adoecimentos relacionados ao trabalho, campanha contra o assédio sexual e a opressão de gênero, levantamento das condições dos sistemas de prevenção e combate a incêndio nos prédios da Fundacentro, projeto e construção da rampa, parceria com serviços de ações educativas e palestras sobre assédio moral e sexual, acessibilidade, tabagismo e outras questões de saúde pública de interesse imediato.
Os cursos contam com a participação dos servidores e tem o objetivo de harmonizar conceitos e entendimentos e possibilitar a discussão entre o grupo.
Daniela relata que os problemas mais apresentados estão relacionados ao mal-estar coletivo, o medo de errar, clima de vigilância e desconfiança dentro do ambiente de trabalho, o que traz grandes riscos à saúde mental. Além disso, o que é mencionado como prejudicial está relacionado à grande quantidade de normas e constantes mudanças e também a grande carga de trabalho.
Outra questão apresentada está associada à contradição entre a carreira e realidade de trabalho, onde muitas vezes a expectativa do profissional não é alcançada em seu ambiente de trabalho.
Cerimônia da vela – simbolizando a data de 28 de abril
Para finalizar o evento foi realizada a cerimônia da vela, que simboliza a vida em transformação. Ela contém a mensagem dominante do dia 28: o sofrimento, a dor e a morte. A queima da vela é associada com o impacto na vida das vítimas de acidentes e a rejeição às formas insustentáveis de trabalho.
Da chama do dia 28 de abril surge o simbolismo de tornar cinzas, os acontecimentos e fortalecer a prevenção de acidentes e doenças do trabalho, de onde surge a motivação para a mudança, a ação consciente e emergente de novas esperanças e aspirações.
A queima da vela é o exemplo supremo da transformação. Sua chama fala da força interior, a qual também expressa à possibilidade da transformação de nossas energias para dar apoio à vida e para nossa existência. O dia Mundial em Homenagem às Vítimas de Acidentes e Doenças relacionadas ao trabalho termina com a celebração da vida nas comemorações do dia 1º de maio que é a lembrança de que a vida dos trabalhadores deve ser protegida.
*Texto redigido pela estagiária, Rebeca Melo, sob supervisão de Alexandra Rinaldi, MTb 24548