Medicina hiperbárica e sua importância na saúde ocupacional

Médicos discutem a eficácia do tratamento em câmera hiperbárica que pode tratar diversas doenças graves e melhorar as condições de trabalho

Publicado em 22/09/2009 00:00Modificado em 17/08/2022 18:08
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Fotos: Ana Paula Moraes/GOH/SP (A primeira foto é o interior da câmara multiplace com o técnico de enfermagem mostrando o uso da máscara para respiração do oxigênio e a segunda foto mostra duas câmaras monoplace com pacientes durante a sessão e técnica de enfermagem acompanhando o tratamento) Subdividida em três áreas de atuação, a medicina hiperbárica está nas atividades profissionais que são exercidas sob pressões anormais, como na saúde ocupacional de mergulhadores, nos trabalhadores de tubulões e túneis pressurizados e na oxigenoterapia hiperbárica utilizada em patologias com lesões isquêmicas/infectadas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina, sob a resolução CFM nº 1457/95, como tratamento médico. A oxigenoterapia hiperbárica é um tratamento médico, no qual o paciente fica dentro de uma câmara hiperbárica, sendo submetido a uma pressão maior que a atmosfera ao nível do mar. Nesse tratamento é utilizado cem por cento de oxigênio e trata diversas doenças graves, entre elas queimaduras, lesões por radiação, inflamação óssea na medula (osteomielites), gangrenas e entre outras infecções. Esse tipo de tratamento acaba sendo eficaz porque o oxigênio atua na oxigenação dos tecidos que estão em sofrimento, no qual faz com que o número de glóbulos vermelhos que estão presentes no sangue (hemácias) aumentem e favorece no combate às infecções e a cicratização do tecido. Preocupados em capacitar mais médicos com conhecimento específico na área, melhorar os atendimentos nos hospitais, na qualidade e segurança dos serviços de medicina hiperbárica no Brasil e revisar a norma regulamentadora nº 15, anexo 6, do Ministério do Trabalho (MTE), que se refere a trabalhos sob condições hiperbáricas -, a Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica (SBMH), responsável pela organização, normatização e divulgação da atividade médica hiperbárica no Brasil, nos aspectos de Medicina do Mergulho, Trabalho em Ambientes Pressurizados e Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB), juntamente com representantes de vários segmentos, promovem e discutem o assunto em reuniões, Fóruns e Congressos. Os representantes são os Conselhos, Regional e Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Agência Nacional de Saúde Suplementar, CONFEA, Conselho Nacional de Saúde, Ministério da Saúde, Ministério do Trabalho, Ministério da Educação e Cultura, Secretarias Estaduais de Saúde, Operadoras de Seguros e de Planos de Saúde, Comissão de Saúde e Seguridade Social da Câmara dos Deputados. A Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Medicina e Segurança do Trabalho/MTE (Fundacentro), representada pelo doutor Antônio Ricardo Daltrini e o presidente da SBMH, doutor José Ribamar Carvalho Branco Filho e a Diretora da SBMH, doutora Mariza D’agostinho Dias reuniram-se em São Paulo, no final do ano passado, para discutirem sobre a possível colaboração da Fundacentro na questão que envolve as alterações na norma regulamentadora nº 15 do anexo 6. Segundo doutor Daltrini, a reunião foi positiva para que a Fundacentro saiba mais sobre a medicina hiperbárica e, de certa forma, possa contribuir com a legislação. Disse ainda que a aplicação de um protocolo que visa à saúde do trabalhador será muito interessante. Após a primeira reunião com a diretoria da SBMH, doutor Daltrini participou de mais três reuniões com a doutora Luciana Menegazzo da SBMH, a qual fomentaram a colaboração da instituição na proposta de restruturação da norma. “A Fundacentro não tem um técnico na área, e a participação da instituição será direcionada na revisão da norma regulamentadora”, comentou Daltrini. Segundo a médica Luciana Maria Martins Menegazzo, da SBMH, a discussão em São Paulo sobre a norma regulamentadora teve continuidade esse ano, em uma reunião que foi realizada no Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do MTE (DSST), em Brasília. Participaram da reunião em Brasília, membros da diretoria da SBMH, dra. Luciana Menegazzo, dra. Mariza Dias, dr. Pedro Henry, Tomaz de Aquino Brito e a médica e diretora do DSST/MTE, Junia Maria Barreto, onde discutiram sobre a revisão da norma regulamentadora nº 15, anexo 6, que aborda o trabalho sob condições hiperbáricas. Nessa reunião ficou acordado que a SBMH será consultada para participar da revisão da NR. Para a doutora Mariza Dias, da SBMH, os problemas na área do mergulho são especificamente encontrados no mergulho artesanal onde os mergulhadores não têm orientação e nem acesso ao tratamento quando acontece algum acidente. Na área da construção civil, a legislação está desatualizada e não é cumprida. Além disso, na área de Oxigenoterapia Hiperbárica o tratamento não é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), limitando o acesso a uma pequena parcela da população. “Estamos em constantes reuniões com a ANVISA, Ministério do Trabalho, ANS e com o SUS para podermos regularizar e resolver as falhas existentes na área”, enfatiza Mariza. A SBMH e seus representantes a cada dois anos, elaboram um documento baseado no Fórum de Qualidade e Segurança da SBMH, com o nome de Diretrizes de Segurança e Qualidade - que já está na sua segunda revisão. Esse documento tem 8 (oito) capítulos que abordam assuntos sobre as câmaras monopaciente ou monoplace, câmaras multipacientes ou multiplace, indicações médicas, diretrizes para o acompanhamento de pacientes em OHB, feridas agudas e crônicas, requisitos para atendimento a profissionais que exerçam atividades sob condições hiperbáricas, prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde em medicina hiperbárica e remuneração dos procedimentos. Reconhecimento como Área de Atuação A Medicina Hiperbárica foi reconhecida como “Área de Atuação”, por ser especializada nas áreas de medicina do trabalho, anestesiologia, clínica médica e na terapia intensiva. Com isso, os médicos hiperbaristas deverão ser formados em estágios específicos que tem duração de um ano e residência médica. A SBMH aguarda o posicionamento do MEC para dar início nesta formação, finaliza Menegazzo. Os médicos filiados à SBMH, para atuarem na área tem que preencher os requisitos de qualificação. No Brasil, a Sociedade é a única entidade médica científica reconhecida como referência pelos órgãos regulamentadores oficiais. Até o momento, são dois centros formadores, Oxigênio Hiperbárico SS, em São Paulo, sob a responsabilidade da doutora Mariza D’Agostinho Dias e o Centro de Medicina Hiperbárica do Hospital São Paulo, em Ribeirão Preto, SP, sob a responsabilidade do doutor Osmar Feres. Aqueles que têm interesse em se cadastrar para ser um formador, a SBMH já esta cadastrando os Centros Formadores interessados que deverão cumprir os requisitos conforme orientação da Associação Médica Brasileira (AMB). Além da especialização dos médicos, o equipamento utilizado nos tratamentos também é importante. A câmara hiperbárica tem que ser devidamente certificada pela ANVISA, que está elaborando o recadastramento das câmaras Multiplace do Brasil. O equipamento com certificação além de proporcionar conforto ao paciente, possibilita o monitoramento para controlar continuamente os percentuais de oxigênio, com suprimento individual e círculo de som e vídeo. Nesse caso, o médico tem como acompanhar permanentemente o tratamento e as atividades internas da câmara. O modelo de uma câmara hiperbárica é igual a de um submarino. Existem dois tipos de câmaras hiperbáricas: uma é a monoplace que atende um paciente por vez, instalada dentro de hospitais e podem tratar pacientes mais graves que estejam hospitalizados ou em ambulatórios. A outra é a multiplace que acomoda mais de um paciente -, são apropriadas para pacientes ambulatoriais e tratam acidentes de mergulho ou de construção civil. Nos dois casos o acompanhamento é feito pelo médico hiperbarista e auxiliar técnico. Quando a sessão é iniciada, a pressurização do interior da câmara chega a uma pressão de 1 a 3 acima da pressão atmosférica. Para realizar esse procedimento o paciente recebe uma máscara de oxigênio -, no qual é administrado cem por cento de oxigênio puro durante a sessão. Tema terá evento em outubro Em sua quarta edição, nos dias 08 a 10 de outubro de 2009, acontecerá o Fórum Nacional de Qualidade e Segurança, promovido pela Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica (SBMH). O evento será no Hotel Sonesta Ibirapuera, localizado à avenida Ibirapuera, 2534, Moema, em São Paulo, SP. Esse evento tem o objetivo dar continuidade às atividades em prol da organização da Medicina Hiperbárica no Brasil. _Essa edição será realizada nos mesmos moldes que as edições anteriores, ou seja, haverá obrigatoriamente de um representante de cada Serviço, além de representantes dos fabricantes de câmaras e de gases medicinais_, comenta a médica Luciana. A programação completa do IV Fórum Nacional de Qualidade e Segurança, inscrição e forma de pagamento e informações referentes ao Fórum, poderão ser obtidas com Denise pelo telefone: (11) 3263.0611. A Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica disponibiliza em seu site: www.sbmh.com.br, informações sobre eventos, serviços médicos, publicações, links, notícias e contato. Assessoria de Comunicação Social Texto elaborado por Débora Maria Santos Matrícula SJSP: 1409E

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