Lixeiro, não. Coletor de lixo!
Exposição revela as condições de trabalho, a organização da categoria e ainda salienta a marginalização sofrida pelos profissionais

Painéis fotográficos que desvendam as condições de trabalho, formas de agir, sentir e pensar dos coletores de lixo estão expostos no Hospital São Luiz Gonzaga, entidade filantrópica mantida pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, desde o dia 23 de julho de 2007. Trata-se de um evento dentro das comemorações do Dia da Prevenção de Acidentes de Trabalho, o dia 27 de julho, último dia da exposição. A exposição, intitulada “Coletores de Lixo – Arriscando, limpando e brincando”, é coordenada por Tereza Luiza Ferreira dos Santos, tecnologista da Divisão de Psicologia e Sociologia (DPI), da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), promovida por iniciativa da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) do Hospital São Luiz Gonzaga. “O ´brincar’, que compõe o título da exposição, se justifica, uma vez que os coletores de lixo mantêm em sua profissão um componente lúdico como expressão genuína e também como uma forma de lidar com a dureza da monotonia da atividade de trabalho pesado, afirma Tereza. Com o objetivo de revelar as condições de trabalho e organização desses profissionais, pretende-se valorizar a categoria desses trabalhadores e convidar a população a uma reflexão sobre os resíduos e a forma de acondicionamento, arrumação em condições adequadas e locais determinados para o lixo. Uma atividade que é responsável por 10 por cento de todos os acidentes de trabalho. Palestra No dia 27 de julho, sexta-feira, às 10h, a coordenadora da exposição, servidora da Fundacentro, Tereza Luiza Ferreira dos Santos, fará uma palestra sobre os riscos e a subjetividade do coletor na profissão, como forma de encerramento da semana em que se comemora o Dia de Prevenção de Acidentes de Trabalho. A maioria dos casos de acidentes dos coletores de lixo refere-se a cortes e perfurações ocasionadas por material perfuro-cortante, como latas de alumínio e peças de vidro, descartados sem a devida proteção e embrulho, ferindo assim, na maioria das vezes, a região das mãos dos profissionais. De acordo com o presidente da CIPA do Hospital São Luiz Gonzaga, Décio Batista Rocha, “é a primeira vez que uma exposição como essa será levada a hospitais. Pretende-se com isso, trabalhar a conscientização dos colaboradores do Hospital, apresentando um assunto voltado à prevenção formando assim, multiplicadores da informação”, afirma Décio. Coletores de Lixo Segundo os organizadores da exposição, “é preciso contribuir para um processo de ´tomada de consciência´ no tocante à exclusão social, marginalização, ao qual esse trabalhador é submetido, a ponto de ser confundido com o lixo”, diz o folder de divulgação. Além da falta de organização na separação do lixo, a discriminação social que o coletor sofre também é algo preocupante. Diversas pessoas julgam e discriminam o profissional apenas porque trabalha com lixo. Por isso, não reconhecem que a profissão é indispensável para a vida nas cidades. Registrados na década de 1990 como ajudantes gerais, hoje já consta nas carteiras de trabalho e na Classificação Brasileira das Ocupações (CBO) desses profissionais, a categoria de coletor de lixo. Segundo os trabalhadores: “lixeiro não. Coletores de lixo!”. Para eles, “lixeiro é quem faz o lixo”. São Paulo produz aproximadamente 15 mil toneladas de lixo todos os dias, sendo cada cidadão responsável por um quilograma. Isso resulta em um trabalho árduo para os coletores de lixo que chegam a correr independentemente de sol ou chuva, em meio aos perigos do trânsito, cerca de 40 quilômetros por dia. O Hospital São Luis Gonzaga está localizado na rua Michel Ouchana nº 94, no Bairro Jaçanã, em São Paulo (SP). Exposição itinerante Os painéis fotográficos também estiveram expostos no Espaço Cultural do Shopping Plaza Sul, no piso Parque da Independência, do dia 3 até o dia 15 de julho de 2007. Em breve, em outro local, a exposição deverá ser novamente apresentada. Os interessados podem obter mais informações pelo correio eletrônico: ferreira@fundacentro.gov.br.