DESENVOLVIMENTO REGIONAL

CAPES lança rede de pesquisa para fortalecer pós-graduação e inovação no Nordeste

Edital de R$ 114,8 milhões amplia parceria com fundações estaduais e cria nova etapa de apoio à região após programa voltado ao Semiárido

Publicado em 01/07/2026 10:54Modificado há 13 horas
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Presidente da Capes palestrando
A presidente da CAPES, Denise Pires de Carvalho, detalha o edital voltado ao fortalecimento da pós-graduação e da inovação científica na Região Nordeste.. Foto: Yas Fonseca/CAPES

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) lançou nesta segunda-feira (29), em Fortaleza (CE), o edital que cria a Rede de Pesquisa e Desenvolvimento da Região Nordeste, no âmbito do Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação (PDPG) – Parcerias Estratégicas nos Estados. A iniciativa busca fortalecer a ciência, a formação de pesquisadores e a produção de conhecimento aplicado às demandas estratégicas dos nove estados nordestinos.

Com investimento global estimado em R$ 114,8 milhões, o documento oficial é resultado da parceria entre a CAPES e as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) da região, que atuarão na articulação das propostas junto às Instituições de Ensino Superior (IES). A ação prevê o financiamento de até 36 projetos, com duração de até 60 meses, envolvendo bolsas no país e no exterior.

Para a presidente da CAPES, Denise Pires de Carvalho, ampliar o acesso à formação de excelência é um compromisso fundamental para o desenvolvimento nacional e para a redução das desigualdades regionais.

“Toda brasileira e brasileiro deve ter a oportunidade de ter acesso à educação de qualidade, em todos os seus níveis. Desde a educação básica até a pós-graduação”, afirmou.

Ainda segundo a presidente, o edital considera também as diferenças existentes dentro dos próprios estados brasileiros e busca ampliar oportunidades para pesquisadores e estudantes em diferentes territórios.

“Existem assimetrias dentro dos próprios estados. Mas não importa a quantidade de habitantes do município, se há habitantes, eles têm que ter a oportunidade de acessar o pós-doutorado”, destacou Denise.

Marcaram presença pela CAPES o diretor de Programas e Bolsas no País (DPB), Luiz Antonio Pessan, e a coordenadora-geral de Monitoramento de Resultados e Planejamento (CGMRP), Idê Talhavini, além do atual presidente da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP), professor Raimundo Nogueira da Costa Filho, que integra o Conselho Superior da CAPES. 

Demanda acadêmica impulsionou criação da rede

A construção do edital também foi marcada pela mobilização da comunidade científica nordestina. Segundo a presidente do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (FOPROP), professora Iraildes Pereira Assunção, a iniciativa teve como ponto de partida uma carta encaminhada pelo Fórum à CAPES, apresentando a necessidade de ampliar investimentos e fortalecer a ciência produzida na região.

“O Nordeste tem pressa e a nossa ciência tem a resposta para as nossas dificuldades. Nós só precisamos de investimento porque nossos cientistas são brilhantes”, enfatizou a acadêmica.

A presidente do FOPROP destacou que a Rede de Pesquisa e Desenvolvimento representa o reconhecimento da capacidade científica existente no Nordeste e a importância de criar condições para que pesquisadores e instituições possam ampliar sua atuação.

Cooperação entre CAPES e FAPs fortalece pesquisa regional

A Rede de Pesquisa e Desenvolvimento da Região Nordeste reúne a CAPES e as nove Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa. As propostas serão executadas por Instituições de Ensino Superior, por meio de coordenadores indicados pelas Pró-Reitorias de Pós-Graduação e Pesquisa em articulação com as FAPs. 

Cada rede deverá envolver pelo menos três Programas de Pós-Graduação (PPGs), incluindo, preferencialmente, pelo menos uma instituição localizada no interior, além de programas de diferentes estados da região.

A iniciativa integra ações da Diretoria de Programas e Bolsas no País (DPB) e da Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da CAPES, ampliando a cooperação científica nacional e internacional.

Ciência alinhada às vocações do Nordeste

Os projetos selecionados deverão estar vinculados a pelo menos um dos 11 eixos estratégicos definidos pelo edital, construídos a partir de diálogo com as FAPs e instituições de ensino da região. 

Entre os temas estão sustentabilidade, educação inclusiva, energias renováveis, tecnologias aplicadas à saúde pública, cidades inteligentes, agricultura sustentável, cultura e economia criativa, transformação digital, mudanças climáticas, recursos hídricos, oceanos e tecnologias quânticas.

A proposta busca aproximar a produção científica das necessidades locais, estimulando redes de pesquisa capazes de gerar soluções para desafios sociais, ambientais e econômicos do Nordeste.

Para o reitor da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Hidelbrando dos Santos Soares, a iniciativa representa um avanço no enfrentamento das desigualdades históricas no campo da ciência e tecnologia. 

“Nenhuma política pública pode ignorar que somos um país da nossa dimensão, com profundas desigualdades, inclusive na ciência e na tecnologia. Esse é o grande desafio deste edital: diminuir a desigualdade. É uma notícia que precisamos comemorar”, afirmou.

Nova fase de investimentos após o PDPG Semiárido

Coube ao servidor da CAPES, Júlio César Piffero de Siqueira, coordenador-geral de Fomento a Ações Estratégicas, apresentar aos presentes o novo edital. O documento oficial dá continuidade à atuação estratégica da CAPES no Nordeste após o Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação (PDPG) Semiárido, criado pelo Edital nº 4/2021, cuja vigência termina em outubro de 2026.

A nova Rede Nordeste amplia o alcance da iniciativa anterior ao contemplar todos os nove estados da região, fortalecer a colaboração entre instituições de diferentes unidades da Federação, incorporar ações de internacionalização e ampliar o volume de recursos destinados aos projetos.

Cada proposta poderá receber até R$ 2 milhões em recursos de custeio e bolsas no país, além de até R$ 1,19 milhão em bolsas no exterior. As FAPs participantes deverão apresentar contrapartida mínima equivalente a 30% do valor investido pela CAPES em cada projeto.

Cronograma

- Manifestação de interesse das FAPs: até 14 de julho de 2026.

- Abertura das inscrições: a partir de 3 de agosto de 2026.

- Submissão das propostas: até 30 de novembro de 2026.

- Resultado final e assinatura dos Acordos de Cooperação Técnica: a partir de 5 de maio de 2027.

- Início da implementação dos projetos: maio de 2027.

- Bolsas no exterior: previsão de implementação a partir do segundo semestre de 2027.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é uma fundação vinculada ao Ministério da Educação (MEC).

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura ASCOM/CAPES

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Educação e Pesquisa
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