Anvisa e autoridade sanitária de Hong Kong assinam memorando para ampliar cooperação em saúde
Acordo abre caminho para intercâmbio regulatório e aproximação em áreas como pesquisa clínica, novas tecnologias, medicina tradicional, serviços de saúde e inovação
Em um cenário em que novas terapias, modelos de assistência e tecnologias avançam cada vez mais rápido, a cooperação entre autoridades sanitárias passou a ocupar um papel estratégico na regulação da saúde. Foi nesse contexto que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) encerrou uma das principais etapas de sua missão à China com a assinatura de um Memorando de Entendimento com a autoridade sanitária de Hong Kong, criando uma base institucional para ampliar o intercâmbio técnico e desenvolver novas frentes de colaboração entre os dois lados.
O memorando abre possibilidades de cooperação que vão da medicina tradicional às novas tecnologias, passando por pesquisa, serviços de saúde, indústria e troca de experiências regulatórias. A expectativa é que a aproximação permita transformar o diálogo entre as autoridades em iniciativas concretas e também favoreça conexões entre instituições de pesquisa, hospitais e outros atores dos dois países. O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, destacou que a ação cria uma ponte para que essa troca tenha continuidade. Para ele, há espaço para aproximar instituições, compartilhar experiências regulatórias e construir projetos que transformem conhecimento e inovação em resultados para a saúde da população.
A assinatura ocorreu após uma agenda em Hong Kong que incluiu visitas a estruturas dedicadas à medicina tradicional chinesa. A delegação brasileira conheceu o mais novo hospital da cidade voltado a essas práticas, onde conhecimentos tradicionais são associados a pesquisa, novas tecnologias e assistência. Também visitou o laboratório de controle da autoridade sanitária dedicado à medicina tradicional chinesa, que mantém um trabalho de catalogação e caracterização de mais de mil plantas. Para a Anvisa, a experiência também chama atenção para o potencial brasileiro de transformar sua biodiversidade, com mais de 50 mil espécies vegetais, em conhecimento científico e novas soluções em saúde.
A missão também passou por Pequim, onde a delegação visitou o National Cancer Center of China. O centro mantém cerca de 600 estudos clínicos em andamento envolvendo aproximadamente 200 moléculas, desde novos usos de medicamentos conhecidos até terapias avançadas, como CAR-T e terapias gênicas. A visita permitiu conhecer como uma instituição de grande porte integra assistência e pesquisa, organiza Boas Práticas Clínicas, acompanha eventos adversos e estabelece mecanismos de governança e segurança para estudos complexos.
Em Hainan, a Anvisa conheceu ainda o Bo’ao Lecheng, uma zona médica especial que reúne cerca de 40 hospitais e instituições públicas, privadas e internacionais. O modelo permite, sob condições específicas, o uso de determinadas terapias ainda não aprovadas localmente, mas já autorizadas por autoridades estrangeiras de referência. A experiência é sustentada por produção de dados do mundo real, rastreabilidade das tecnologias e monitoramento dos resultados nos pacientes, criando um ambiente no qual inovação regulatória e gestão de riscos avançam de forma conjunta.
Para Safatle, as experiências observadas durante a missão mostram que a cooperação internacional pode ultrapassar a relação formal entre autoridades reguladoras. Segundo ele, quando se aproximam regulação, pesquisa, assistência, indústria e conhecimento tradicional, são criadas condições para que novas ideias encontrem caminhos concretos de desenvolvimento.