Desconhecimento de políticas públicas em ST e dificuldade em identificar usuários como trabalhadores figuram como barreiras à Renast
Estudo aponta fragilidades para consolidar a Saúde do Trabalhador na atenção primária e necessidade de investir na formação inicial e continuada de profissionais da saúde na perspectiva da ST

A prática de Saúde do Trabalhador (ST) ainda enfrenta obstáculos para se consolidar na Atenção Primária à Saúde (APS). É o que aponta o artigo “Fragilidades e estratégias para fortalecimento das ações em Saúde do Trabalhador na Atenção Primária à Saúde: percepções de trabalhadores de saúde”, publicado no volume 50 da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional.
A pesquisa contou com 17 profissionais de três unidades da APS de um município de São Paulo, entre médicos, enfermeiros, técnicos e agentes comunitários. As entrevistas revelaram não apenas falta de conhecimento sobre as atribuições da APS na prevenção e promoção da saúde dos trabalhadores, mas sobre o próprio papel dos profissionais que nela atuam. Reflexo disso é atribuírem a responsabilidade pela saúde ocupacional exclusivamente às empresas.
São diversos aspectos que dificultam atender e encaminhar os trabalhadores que procuram atendimento na atenção primária. Entre eles, pouca compreensão dos profissionais sobre Saúde do Trabalhador enquanto política pública e dificuldades em identificar usuários como trabalhadores e em reconhecer a influência da atividade laboral nas queixas.
“Com base nos achados, pode-se afirmar que ainda persiste a lógica do modelo biológico, centrado na doença e com poucas ações de promoção à saúde e prevenção de doenças na APS, bem como os desafios em se compreender os determinantes sociais de saúde no processo de adoecimento dos trabalhadores”, consideram as autoras.
Os resultados do estudo também mostram falta de familiaridade com a organização da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Renast) e os instrumentos de notificação relativos à ST. Fluxos de atendimento mal estruturados, comunicação falha e desarticulação entre os diversos pontos da rede, como os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), enfraquecem ainda mais a consolidação.
No entanto, os entrevistados enxergam caminhos para fortalecer a atenção à saúde do trabalhador no âmbito da APS, como revitalizar os Cerests e reconhecê-los como colaboradores. Apontam ainda a importância de aprimorar a articulação com a vigilância epidemiológica e garantir a efetiva comunicação entre os diferentes pontos da rede e ampliar o horário de atendimento das unidades. Por fim, desenvolver ações educativas voltadas tanto aos profissionais, quanto aos usuários.
As autoras reconhecem que o estudo poderia analisar as percepções por categoria profissional, o que revelaria eventuais níveis de conhecimento diferentes. “Todavia, avança o conhecimento em identificar que, mesmo após a publicação de políticas em ST no âmbito nacional, ainda são necessários investimentos de diferentes formas para sua consolidação e fortalecimento na esfera municipal, especialmente direcionados à formação dos profissionais das equipes da APS, para compreenderem, planejarem e desenvolverem ações e programas em ST”, concluem.
O artigo é de autoria de Thaina Cavinatto, Maria Ferreira da Silva, Fernanda Maria de Miranda, Jaqueline Alcântara Marcelino e Vivian Mininel e está disponível na página do SciELO. O conteúdo está em português e inglês, e o download do PDF é gratuito.
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Texto:
Karina Penariol Sanches
Imagem:
Criada por IA no banco de imagens Freepik
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