FNE acompanha debate sobre financiamento e equidade na educação básica durante audiência pública na Câmara
03 de julho de 2025
O Fórum Nacional de Educação (FNE) acompanhou, nesta terça-feira (1º), mais uma
audiência pública realizada pela comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa
o Projeto de Lei nº 2.614/2024, que institui o novo Plano Nacional de Educação (PNE) para
o decênio 2024–2034.
Em pauta, estava o Objetivo 18 do novo PNE, que trata do modelo de financiamento da
educação básica com foco na redução das desigualdades e na garantia de infraestrutura
escolar de qualidade em todo o território nacional.
O FNE acompanha com atenção a tramitação do novo plano e considera fundamental que o
debate sobre financiamento da educação esteja orientado por princípios de equidade,
justiça distributiva e padrão nacional de qualidade.
Durante a audiência, especialistas e representantes de instituições públicas e da sociedade
civil reforçaram a importância de vincular o aumento de investimento à redistribuição
equitativa dos recursos, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade
socioeconômica e educacional.
Entre os pontos destacados do Objetivo 18 estão:
¿ Ampliação do investimento público em educação para 7% do PIB em até 6 anos e
10% ao final do decênio;
¿ Alcance do Custo Aluno Qualidade (CAQ) como referência de financiamento e
equiparação ao investimento médio da OCDE;
¿ Equalização da capacidade de financiamento entre os entes federativos;
¿ Redução das desigualdades regionais na infraestrutura das escolas.
Representando o Ministério da Educação (MEC), Armando Simões afirmou que o maior
desafio da educação brasileira é a desigualdade nas condições de oferta, com um cenário
alarmante: em 2022, a maioria das escolas públicas dispunha apenas de infraestrutura
básica ou elementar, especialmente na educação infantil.
A audiência também contou com a participação de representantes do Inep, do Fundo
Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), da União Nacional dos Dirigentes
Municipais de Educação (Undime), federações e sindicatos da educação. Todos reforçaram
a urgência de políticas estruturantes para superar os desequilíbrios históricos no
financiamento da educação básica.
O relator do projeto na comissão especial, deputado Moses Rodrigues (União-CE), e o
presidente da audiência, deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), também fizeram
questionamentos importantes sobre os limites fiscais e a viabilidade de execução das metas previstas. Representantes do Tesouro Nacional propuseram caminhos complementares,
como parcerias público-privadas e novos instrumentos de financiamento.
Para o FNE, a garantia do direito à educação exige não apenas compromisso político, mas
também medidas concretas de financiamento público adequado, especialmente em regiões
historicamente negligenciadas, como destacou a deputada Professora Goreth (PDT-AP) ao
mencionar os desafios da região amazônica.
O Fórum seguirá acompanhando os desdobramentos do debate no Legislativo, reafirmando
seu papel de instância de participação e monitoramento das políticas educacionais,
conforme previsto na legislação brasileira.
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