El Niño deve reduzir chuvas e elevar temperaturas no Nordeste entre julho e setembro, aponta boletim climático

Publicado em 08/07/2026 13:49Modificado há 5 dias
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Boletim

Fenômeno tem 98% de probabilidade de ocorrer no trimestre. Faixa leste da região deve registrar chuvas abaixo da média, enquanto temperaturas ficarão acima do normal em todos os estados.

O Nordeste brasileiro deverá enfrentar um trimestre mais quente e com menos chuva entre julho e setembro de 2026. A previsão consta no Boletim Climático da Reunião Climática do Nordeste (NEB), elaborado por instituições meteorológicas da região e coordenado pela Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), com apoio do Instituto Nacional do Semiárido (INSA).

Segundo o boletim, há maior probabilidade de chuvas abaixo da média histórica no sudeste do Rio Grande do Norte, no leste da Paraíba, Pernambuco e Bahia, além de todo o território de Alagoas e Sergipe. Nas demais áreas do Nordeste, especialmente no interior, o período corresponde à estação seca, quando os volumes de chuva normalmente já são reduzidos.

Além da diminuição das precipitações, a previsão indica temperaturas acima da média em toda a região durante o trimestre, cenário que pode intensificar a sensação de calor, principalmente nas áreas do Semiárido.

El Niño ganha força

O boletim destaca que as condições oceânicas e atmosféricas confirmam o fortalecimento do El Niño. A previsão do Centro de Previsão Climática (CPC/NOAA) aponta 98% de probabilidade de o fenômeno estar presente entre julho e setembro de 2026, enquanto a possibilidade de neutralidade é de apenas 2%. Não há previsão de ocorrência de La Niña nesse período.

Os meteorologistas alertam que, caso o El Niño permaneça forte até o verão de 2027, o próximo período chuvoso das porções oeste e norte do Nordeste também poderá ser prejudicado.

Próximos 30 dias

A tendência para o mês de julho também reforça o cenário de estiagem. Os modelos climáticos indicam chuvas abaixo da média em grande parte do norte e do leste do Nordeste, com os maiores déficits previstos para o litoral do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e praticamente todo o estado de Alagoas. Já áreas do centro-sul da Bahia, do sul do Maranhão e do Piauí devem registrar precipitações próximas da normalidade.

Eventos extremos ainda podem ocorrer

Apesar da previsão de redução das chuvas, o boletim ressalta que isso não elimina a possibilidade de eventos extremos. Sistemas meteorológicos, como os Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOL), podem provocar episódios de chuva intensa de forma localizada, mesmo em um cenário de precipitação abaixo da média.

O boletim é elaborado mensalmente com base em modelos climáticos nacionais e internacionais e tem como objetivo subsidiar ações de monitoramento e gestão dos riscos climáticos na região Nordeste.

Texto: Fernanda Lima

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