INSA inaugura sede do CTERSA e amplia atuação do Semiárido na pesquisa em energias renováveis

O Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI) inaugurou, na última sexta-feira (19), em Campina Grande (PB), a sede do Centro de Tecnologias em Energias Renováveis do Semiárido (CTERSA). A nova estrutura fortalece a capacidade científica e tecnológica da região e consolida o compromisso do instituto com o desenvolvimento de soluções inovadoras voltadas à transição energética e ao desenvolvimento sustentável.
A cerimônia reuniu representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), agências de fomento, universidades, institutos de pesquisa, gestores públicos, pesquisadores e parceiros institucionais que contribuíram para a implantação do centro. Entre os presentes estiveram a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda; o presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq-PB), Cláudio Furtado; representantes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), reitores de universidades, pesquisadores, coordenadores do CTERSA e do INSA, além de representantes da sociedade civil.
Resultado de investimentos de aproximadamente R$ 34 milhões, viabilizados por meio de encomendas tecnológicas da Finep, o CTERSA foi concebido para atuar como um ambiente de pesquisa, inovação e articulação científica em áreas consideradas estratégicas para o futuro energético do país. Entre elas estão energia solar, energia eólica, biomassa, biocombustíveis e hidrogênio de baixa emissão de carbono.
A nova sede conta com mais de 2.200 metros quadrados de área construída, distribuídos entre espaços administrativos e laboratórios especializados, destinados ao desenvolvimento de pesquisas aplicadas, formação de recursos humanos e geração de tecnologias capazes de contribuir para o aproveitamento sustentável dos recursos energéticos disponíveis no Semiárido brasileiro.

Durante a solenidade, a ministra Luciana Santos destacou a importância dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação para o fortalecimento das capacidades nacionais em um contexto de transformação da matriz energética mundial. Para a ministra, o CTERSA representa um investimento estratégico na produção de conhecimento, no desenvolvimento tecnológico e na formação de profissionais qualificados para os desafios do futuro.
Na ocasião, a diretora substituta do INSA, Dilma Trovão, realizou a leitura da mensagem institucional do diretor do INSA e do CTERSA, Etham Barbosa, que precisou se ausentar antes da chegada da ministra em razão de compromissos previamente agendados. Em sua mensagem, Etham destacou que o Semiárido reúne algumas das melhores condições do mundo para a produção de energias renováveis e que o principal objetivo do centro é transformar esse potencial em conhecimento, inovação e oportunidades para a população da região.
Ao complementar a mensagem, Dilma Trovão ressaltou que o CTERSA representa um importante legado para o Semiárido brasileiro, ampliando as possibilidades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação voltadas às especificidades do território. A diretora destacou ainda o potencial do centro para impulsionar estudos e soluções que promovam o desenvolvimento sustentável e fortaleçam a convivência dos povos do Semiárido com suas características ambientais, sociais e econômicas, contribuindo para uma transição energética inclusiva e alinhada às necessidades da região.
Além de impulsionar pesquisas, o centro pretende fortalecer a cooperação entre universidades, institutos de pesquisa, empresas e governos, promovendo uma ampla rede de colaboração voltada à construção de soluções para os desafios energéticos do Semiárido e do país.
O CTERSA já inicia suas atividades apresentando resultados concretos. Entre eles está o Programa Vértice, iniciativa criada pelo INSA para estimular a aceleração tecnológica de pesquisas em energias renováveis. O programa mobilizou pesquisadores e instituições de diversos estados do Semiárido brasileiro e busca aproximar a produção científica das demandas da sociedade e do setor produtivo.
As propostas contemplam pesquisas nas áreas de energia solar, energia eólica, biomassa, biocombustíveis e hidrogênio de baixa emissão de carbono. Atualmente, os projetos classificados participam das etapas de capacitação e aperfeiçoamento que antecedem a seleção das iniciativas que receberão apoio para transformar conhecimento científico em soluções com potencial de aplicação prática e impacto socioeconômico.

Segundo a pesquisadora em energias renováveis do INSA e integrante do CTERSA, Maria Helena de Sousa, a consolidação de ambientes dedicados à pesquisa e inovação é fundamental para fortalecer o papel do Nordeste na transição energética nacional.
A pesquisadora destaca que, em pouco mais de duas décadas, a região passou de importadora a exportadora de energia elétrica, sendo atualmente responsável por uma geração majoritariamente baseada em fontes renováveis, especialmente solar e eólica. Para ela, a continuidade desse avanço depende de investimentos permanentes em pesquisa científica, planejamento energético e desenvolvimento tecnológico, considerando sempre os aspectos ambientais e sociais do Semiárido.
O coordenador técnico do CTERSA, Valdemir Brito, enfatiza que o centro foi concebido para atuar de forma integrada em diferentes fontes renováveis, ampliando as oportunidades de inovação e desenvolvimento para a região. Segundo ele, além das áreas já consolidadas, como energia solar e eólica, o centro pretende impulsionar pesquisas estratégicas em biomassa, biocombustíveis e hidrogênio de baixa emissão de carbono, considerados segmentos promissores para a economia de baixo carbono.
Entre as ações previstas para os próximos anos estão o mapeamento dos potenciais energéticos do Semiárido, o fortalecimento de redes colaborativas de pesquisa, o desenvolvimento de plataformas tecnológicas de monitoramento, a criação do Conselho de Energia do Semiárido e o apoio à formulação de políticas públicas voltadas ao setor energético.

A consolidação do CTERSA também é resultado de uma ampla rede de cooperação institucional construída ao longo de sua implantação. Entre os principais parceiros estão a Finep, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba, a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate) e as Fundações de Amparo à Pesquisa dos estados do Nordeste. O centro também fortalece sua atuação por meio da colaboração com cerca de 25 universidades e instituições de pesquisa mobilizadas pelo Programa Vértice.
Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, especialmente os ODS 7 (Energia Acessível e Limpa), 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura), 13 (Ação Contra a Mudança do Clima) e 17 (Parcerias e Meios de Implementação), o CTERSA reforça a missão institucional do INSA de produzir conhecimento científico e tecnológico capaz de contribuir para o desenvolvimento sustentável do Semiárido brasileiro.

Com a inauguração da nova sede, o INSA amplia sua capacidade de atuação em uma área estratégica para o futuro do país e reafirma o papel do Semiárido como território de inovação, conhecimento e construção de soluções para os desafios da transição energética. Mais do que um novo edifício, o CTERSA simboliza a consolidação de um ambiente capaz de conectar ciência, tecnologia, desenvolvimento regional e oportunidades para os povos do Semiárido.
Texto: Valécia Estrela | Fotos: Letícia Rogério (ASCOM INSA) | Maryana Roma (ASCOM SECTIS) | Diego Galba (ASCOM MCTI)