Pioneira da Seleção, Fanta vê Copa do Mundo Feminina de 2027 como legado para novas gerações
Integrante da equipe brasileira que disputou torneio experimental na China em 1988, ex-lateral hoje ensina futebol a meninas no Rio de Janeiro e acompanha a preparação para o primeiro Mundial Feminino realizado no Brasil

Rosilene Camargo Motta, a Fanta, ajudou a construir a história do futebol feminino brasileiro antes mesmo da realização da primeira Copa do Mundo Feminina da FIFA. Na década de 1980 ela jogou em clubes como o Esporte Clube Radar, no Rio de Janeiro, e em 1988, integrou a primeira seleção feminina de futebol que defendeu o Brasil no Torneiro Experimental de Futebol Feminino na China. Quase quatro décadas depois, acompanha com expectativa a preparação para a Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027.
A competição será realizada entre 24 de junho e 25 de julho de 2027 e marcará a primeira edição do Mundial Feminino na América do Sul. Para Fanta, receber o torneio no país também permite olhar para a trajetória das mulheres que ajudaram a abrir espaço para a modalidade no Brasil.
A ex-lateral-esquerda construiu uma carreira de cerca de duas décadas. Além do Radar, jogou no Campo Grande, Vasco, Palmeiras e Santos. Pelo Vasco, conquistou cinco títulos brasileiros. Encerrou a carreira em 2003, no Santa Cruz, de Belo Horizonte, também com uma conquista.
Pela Seleção Brasileira, Fanta participou também das Copas do Mundo de 1991, na China, 1995, na Suécia, e 1999, nos Estados Unidos. Também disputou os Campeonatos Sul-Americanos de 1991 e 1995, ambos vencidos pelo Brasil.
O apelido que a acompanhou pelos gramados surgiu ainda durante a carreira. “Fanta” veio de “fantasma”, como era chamada por um antigo treinador. A preferência pelo refrigerante de mesmo nome ajudou a consolidar o apelido.

Das pioneiras às novas gerações
Aos 60 anos, Fanta mantém uma relação diária com o futebol. Atualmente, participa de projetos sociais e oferece aulas gratuitas para meninas no Rio de Janeiro. A atividade aproxima uma integrante das primeiras gerações da Seleção Brasileira de jovens que crescem em um cenário no qual o futebol feminino ocupa cada vez mais espaços de formação e competição.
A ex-jogadora também atua em uma das vilas olímpicas do projeto Rio: Capital do Futebol Feminino, iniciativa de incentivo à modalidade por meio de aulas gratuitas. O trabalho é realizado ao lado da ex-zagueira Marisa Pires Nogueira, outra integrante da equipe brasileira de 1988.
Para Fanta, transmitir às novas gerações o conhecimento adquirido durante a carreira também é uma forma de preservar a memória de quem ajudou a manter o futebol feminino em atividade em períodos de pouca estrutura e reconhecimento.
“Acredito que a luta nunca foi em vão. Acredito também que a reparação é um legado deixado para a nova geração”, afirma a ex-jogadora, que concilia o trabalho nos projetos esportivos com outras atividades profissionais.
A trajetória das pioneiras atravessa um período decisivo da história da modalidade no país. Entre 1941 e 1979, normas brasileiras restringiram a participação de mulheres em determinadas práticas esportivas, contexto que atingiu diretamente o futebol. A regulamentação específica da modalidade feminina só avançaria nos anos seguintes ao fim dessas restrições.
“Vivência, disciplina, persistência e amadurecimento dentro da nossa modalidade fazem parte da luta”, resume Fanta.
Agora, a aproximação da Copa do Mundo Feminina de 2027 cria um encontro entre diferentes gerações. Mulheres que participaram da construção do futebol feminino brasileiro antes da primeira Copa acompanham meninas que poderão assistir, em seu próprio país, às principais seleções do mundo.
Para Fanta, essa passagem de experiência ajuda a dar sentido ao caminho percorrido dentro e fora dos gramados. Para ela, o Mundial de 2027 representa também uma oportunidade para que novas gerações conheçam as histórias de quem jogou quando o futebol feminino ainda buscava espaço, estrutura e reconhecimento.
Assessoria de Comunicação – Ministério do Esporte