SIMPÓSIO ANSN | DESAFIOS DO SETOR NUCLEAR

Planejamento de longo prazo e preservação do conhecimento são desafios para um setor que está em expansão

Debate também destacou a necessidade de uma regulação capaz de acompanhar a expansão das aplicações das radiações e as transformações tecnológicas.

Publicado em 02/10/2026 19:58Modificado em 08/10/2026 09:04
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Como construir políticas públicas de longo prazo sem estruturas capazes de assegurar planejamento e continuidade institucional? Desafio para o setor nuclear. (Bianca Wendhausen/ANSN)
Como construir políticas públicas de longo prazo sem estruturas capazes de assegurar planejamento e continuidade institucional? Desafio para o setor nuclear. (Bianca Wendhausen/ANSN)

O planejamento de longo prazo, a governança institucional e a preservação do conhecimento técnico foram temas de destaque no Grande Painel Estratégico – Regulação Nuclear diante das Transformações Climáticas, Tecnológicas e Energéticas, realizado nesta quinta-feira (1), no Centro Cultural FGV, no Rio de Janeiro. Promovido em comemoração ao primeiro ano da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), o encontro também abordou os desafios de conciliar a expansão das aplicações nucleares e radiativas com a segurança regulatória e a incorporação de novas tecnologias.

O diretor de Instalações Nucleares e Salvaguardas da ANSN, Ailton Fernando Dias, foi quem trouxe ao debate a necessidade de transformar o reconhecimento da importância das políticas de Estado em ações concretas de planejamento e governança.

Retomando reflexões apresentadas pelo professor Paulo Artaxo durante a palestra magna do Simpósio, Ailton questionou como construir políticas públicas de longo prazo sem estruturas capazes de assegurar planejamento e continuidade institucional.

Ailton Dias, durante sua exposição.
Ailton Dias: "Políticas de Estado precisam se transformar em ações concretas de planejamento e governança".

O diretor destacou que o Brasil dispõe de um ecossistema nuclear abrangente, com conhecimento sobre o ciclo do combustível, uma base industrial desenvolvida e instituições acadêmicas reconhecidas. Essa capacidade, entretanto, convive com desafios relacionados à renovação dos quadros técnicos e à preservação do conhecimento acumulado.

Ele alertou para a saída contínua de profissionais experientes, sem reposição suficiente, e para o risco de perda da massa crítica necessária à manutenção e ao desenvolvimento das atividades nucleares.

Nesse contexto, defendeu programas consistentes de formação de pessoal, associados a uma governança capaz de articular as diferentes instituições do setor e sustentar os projetos estratégicos nacionais.

Segurança regulatória em um setor em expansão

A diretora de Instalações Radiativas e Controle da ANSN, Lorena Pozzo, destacou o crescimento das aplicações das radiações ionizantes no Brasil, especialmente nas áreas médica, industrial e de pesquisa, acompanhado de transformações tecnológicas que apresentam novos desafios à regulação.

Segundo Lorena, esse cenário exige um marco regulatório suficientemente sólido para assegurar a proteção dos trabalhadores, da população e do meio ambiente, mas também capaz de acompanhar a evolução das tecnologias e das atividades reguladas.

A diretora ressaltou que a combinação entre rigor técnico, clareza normativa e capacidade de adaptação é fundamental para oferecer segurança jurídica e previsibilidade, contribuindo também para um ambiente favorável à inovação e aos investimentos.

Desafios para a consolidação institucional

Ao reunir diferentes visões sobre regulação, desenvolvimento tecnológico e políticas públicas, o Grande Painel Estratégico evidenciou que o futuro do setor nuclear brasileiro depende não apenas de capacidades científicas e industriais, mas também de instituições estruturadas, recursos adequados, profissionais qualificados e decisões sustentadas no longo prazo.

Realizado no marco do primeiro aniversário da ANSN, o debate também reforçou a importância de consolidar uma autoridade reguladora capaz de exercer suas competências com independência técnica, transparência e confiança pública, em um cenário de transformações que ampliam tanto as oportunidades quanto as responsabilidades da regulação nuclear no Brasil.

Leia também: Especialistas debatem autonomia regulatória, transição energética e desafios para o futuro nuclear brasileiro

Painelistas

Alessandro Facure, diretor-presidente da ANSN
Ailton Fernando Dias, diretor de Instalações Nucleares e Salvaguardas da ANSN
Lorena Pozzo, diretora de Instalações Radiativas e Controle da ANSN
Almirante de Esquadra Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, secretário Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (SecNSNQ)
Nathasha Salinas, professorada FGV Direito Rio
Nivalde de Castro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Moderadora: Alketa Peci, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV (EBAPE/FGV).

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Ciência e Tecnologia
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