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Experiência brasileira de alimentação escolar é destaque em Semana de Nutrição, em Roma
A experiência brasileira de alimentação escolar, reconhecida por promover a nutrição de milhões de estudantes e fortalecer a agricultura familiar, e as iniciativas desenvolvidas pelo Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO para fortalecer as políticas de alimentação escolar na América Latina e no Caribe foram apresentados durante a Semana de Nutrição, promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), de 25 a 28 de maio, en Roma.
A participação brasileira ocorreu na sessão “Fortalecendo a nutrição por meio da alimentação escolar inclusiva, diversa e local”. A abertura foi realizada por Janja Lula da Silva, primeira-dama do Brasil e embaixadora da alimentação escolar no país. Em sua fala, destacou que cerca de 40 milhões de estudantes são beneficiados pela política brasileira de alimentação escolar, além de milhares de agricultores familiares que fornecem alimentos para as escolas, garantindo renda estável e fortalecimento da produção local. Janja também ressaltou a importância de ampliar o debate internacional sobre alimentação escolar.
“Fortalecer essa agenda internacionalmente é essencial para ampliarmos investimentos capazes de multiplicar a produção sustentável de alimentos e construir sistemas alimentares centrados nos direitos humanos, na biodiversidade e no cuidado com o planeta”, disse a primeira-dama que também tem o título de Campeã da Boa Vontade da FAO contra a Fome.
A primeira-dama destacou ainda que a experiência brasileira inspira iniciativas de cooperação promovidas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), em parceria com organismos internacionais como a FAO e o Centro de Excelência contra a Fome no Brasil, do Programa Mundial de Alimentos (PMA). Também lembrou a criação da Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES), lançada em 2018 pelo Governo do Brasil e pela FAO e que atualmente reúne 18 países membros.
Sobre a RAES, a presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba, afirmou que a Rede tornou-se um dos mais relevantes espaços regionais de intercâmbio técnico e político sobre alimentação escolar sustentável. “Hoje, 18 países integram formalmente a Rede, trabalhando conjuntamente em temas como universalização da alimentação escolar, fortalecimento de marcos regulatórios, compras públicas da agricultura familiar, educação alimentar e nutricional e melhoria da infraestrutura escolar”, afirmou a presidente destacando que a cooperação regional tem produzido resultados concretos.
Pacobahyba lembrou, também, que os programas de alimentação escolar são políticas estruturantes capazes de articular produção local, diversidade alimentar, educação nutricional e sustentabilidade ambiental, sendo estratégicos para reorganizar padrões de produção e consumo.
RAES
Najla Veloso, especialista sênior de alimentação escolar da FAO na América Latina e no Caribe e secretária-executiva da RAES, apresentou os avanços da Rede, destacando que o mais recente trabalho dos países membros consiste na construção de uma agenda regional para fortalecer a alimentação escolar. Esta agenda regional conta com sete eixos prioritários: gestão e governança, financiamento, marcos regulatórios, compras públicas da agricultura familiar, educação alimentar, nutricional e ambiental, monitoramento e avaliação e dietas saudáveis.
Encerrando o painel, Cecília Malaguti, responsável pela cooperação sul-sul trilateral com organismos internacionais da ABC/MRE, afirmou que a experiência brasileira demonstra como as políticas públicas universais e sensíveis à nutrição podem melhorar a saúde e a aprendizagem dos estudantes, fortalecer a agricultura familiar, promover igualdade de gênero e impulsionar sistemas alimentares mais sustentáveis. Malaguti destacou a relevância do intercâmbio técnico promovido pela cooperação internacional em alimentação escolar, desenvolvido pelo Brasil há quase duas décadas em parceria com diferentes países e organismos internacionais.
O evento reuniu representantes de países como Quênia, Finlândia e Filipinas, além de especialistas internacionais. Durante os debates, especialistas e integrantes de governos destacaram que a alimentação escolar pode desempenhar um papel estratégico na transformação dos sistemas agroalimentares, contribuindo para melhorar a nutrição de milhões de estudantes e fortalecer as economias locais por meio da articulação com a agricultura familiar.
Agendas
Além da participação nas sessões temáticas da Semana de Nutrição, a delegação brasileira cumpriu intensa agenda de reuniões e diálogos estratégicos com organismos internacionais e parceiros multilaterais. Entre os compromissos realizados estiveram encontros com representantes do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), do Programa Mundial de Alimentos (WFP) e da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil no âmbito do G20.
A programação também incluiu a participação em painéis sobre financiamento da nutrição, sistemas alimentares sustentáveis e experiências regionais da América Latina e do Caribe, além de reuniões técnicas com organismos das Nações Unidas voltadas ao fortalecimento da cooperação internacional em alimentação escolar, segurança alimentar e agricultura familiar.
As agendas reforçaram o papel do Brasil como referência internacional na promoção de políticas públicas de alimentação escolar e nutrição, bem como o compromisso do país com o intercâmbio de conhecimentos e o fortalecimento da cooperação Sul-Sul para o enfrentamento da fome e da pobreza.
