Projeto de cooperação em Moçambique e Malaui contribui para o desenvolvimento local

Publicado em 08/08/2018 00:00Modificado em 19/04/2023 11:50
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“Nos campos dos produtores Daniel Malacha, Mavuto Salimo e Ferrão Finiasse, em Golo-Golo [região de Moçambique] a produtividade aumentou dos cerca de 500 kg por hectare, obtidos em média no país, para próximo a 2.500 kg”. Este é um dos frutos do projeto de cooperação técnica “

Cotton Shire - Zambeze

”, coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) em parceria com a

Embrapa

e com a

Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa)

, com apoio do

Instituto Brasileiro do Algodão (IBA)

.

A iniciativa, em curso desde 2014, visa o fortalecimento do setor algodoeiro nas bacias do baixo Shire e Zambeze, região que compreende Moçambique e Malaui. Uma das atividades do projeto é o desenvolvimento de um sistema de produção de sementes certificadas, necessário para alavancar a produtividade local.

Implementado em parceria com o Instituto de Algodão de Moçambique e a Estação Experimental de Makoka, no Malaui, o projeto envolve técnicos da Embrapa que realizam missões de acompanhamento e orientação em campos de produção de sementes nos dois países - plantados e conduzidos pelos próprios agricultores. O pesquisador da Embrapa Agroenergia, Cesar Behling, um dos responsáveis pelas atividades do projeto, relata que o impacto da iniciativa é mais abrangente do que apenas o aumento da produtividade:

“No ano passado, Mavuto havia comprado uma ‘motorizada’ com os recursos da boa colheita. Para uma região que fica a mais de 100 km de estrada de chão batido, e imagina batido nisto, temperado com muitas pedras, ter um meio de transporte próprio é muito mais do que necessidade. Para o próximo ano, o produtor planeja aumentar a plantação para quatro hectares, antevendo que com o lucro poderá comprar um ‘quatro-rodas’. Com isso, além dos cuidados com a família, poderá transportar parte da comunidade em alguma necessidade urgente. A contabilidade fica a cargo do filho, que vai colocando em prática o que aprende na escola.”

Além de uma iniciativa para compartilhar recursos técnicos e conhecimento, a cooperação Sul–Sul é uma oportunidade para desenvolver novos conhecimentos. Os técnicos da Embrapa vêm acompanhando a evolução de uma virose rara em algumas áreas de Moçambique e do Malaui, ocasião que pode ser vantajosa para formar conhecimento, no Brasil, sobre um problema que um dia poderá nos atingir. Para Behling, “Nesse contexto de ensinar e aprender, o projeto segue em frente, levando a outros cantos tropicais a experiência da Embrapa”.

Autor: Comunicação/ Agência Brasileira de Cooperação (ABC)

Fonte: Artigo do Pesquisador da Embrapa Agroenergia, Cesar Heraclides Behling Miranda.

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