Novo acordo entre Brasil e Suriname abre caminho para cooperação em proteção social e combate à pobreza

Visita da presidenta do Suriname ao CRAS Guará apresentou experiências brasileiras em assistência social, Cadastro Único e transferência de renda que poderão subsidiar futuras iniciativas de cooperação técnica entre os dois países

Publicado em 29/05/2026 00:00Modificado em 01/06/2026 15:31
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Um dia após a

assinatura do Memorando de Entendimento sobre Cooperação para o Desenvolvimento na Área Social

, Brasil e Suriname deram mais um passo para fortalecer sua parceria bilateral. Nesta quinta-feira (29), a presidenta do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, visitou o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do Guará, no Distrito Federal, para conhecer de perto experiências brasileiras de proteção social, inclusão social e combate à pobreza.

A visita integrou a agenda oficial da presidenta ao Brasil e permitiu à delegação surinamesa observar, na prática, instrumentos e políticas públicas que poderão inspirar futuras iniciativas de cooperação técnica entre os dois países. A atividade contou com a participação do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, além de representantes do Governo do Distrito Federal, da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores e de autoridades brasileiras e surinamesas.

Durante a visita, foram apresentados o funcionamento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a atuação dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e os mecanismos utilizados pelo Brasil para identificar e acompanhar famílias em situação de vulnerabilidade social. A delegação também conheceu a experiência do Cadastro Único, principal instrumento de identificação socioeconômica utilizado para o acesso a programas sociais federais, entre eles o Bolsa Família, além de benefícios relacionados à tarifa social de energia elétrica, ao auxílio para aquisição de gás de cozinha e a políticas voltadas para pessoas idosas e outros públicos prioritários.

Ao apresentar a experiência brasileira, o ministro Wellington Dias destacou que o enfrentamento da pobreza exige uma abordagem integrada, capaz de responder às múltiplas vulnerabilidades enfrentadas pelas famílias.

“A pobreza não é só alimento e renda. Quais são as outras necessidades que aquela família tem e que representam um custo alto para ela? Moradia, botijão de gás, entre outras. Fazemos uma busca ativa de pessoas em situação de vulnerabilidade. Nestes espaços do CRAS, ganhar a confiança das famílias é muito importante”, afirmou.

O ministro também ressaltou a articulação entre as políticas de assistência social, segurança alimentar e nutricional, educação e inclusão produtiva, destacando iniciativas como a compra pública de alimentos, a ampliação da oferta de creches e escolas em tempo integral e outras ações voltadas à promoção da autonomia das famílias.

As equipes técnicas do CRAS Guará apresentaram ainda o trabalho desenvolvido por meio do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), responsável pelo acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade, bem como as ações de busca ativa realizadas nos territórios. A delegação conheceu também os Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), que promovem atividades coletivas voltadas para diferentes públicos e contribuem para a inclusão social e o fortalecimento dos laços comunitários.

Durante a visita, foi destacado que os CRAS integram uma rede nacional presente em todos os municípios brasileiros. Embora orientado por diretrizes definidas e pactuadas nacionalmente, o trabalho desenvolvido em cada unidade é adaptado às características e necessidades específicas dos territórios atendidos, fortalecendo a prevenção de situações de vulnerabilidade e ampliando o acesso da população aos seus direitos.

A presidenta do Suriname destacou o interesse de seu país em conhecer experiências que vão além da transferência de renda e que promovam impactos duradouros para as famílias.

“Porque não é só dar algum dinheiro, mas, como eu entendo e estudei isso, também está olhando para o efeito que tem na família e nas crianças. E isso é algo com o qual podemos aprender e queremos aprender”, afirmou Jennifer Geerlings-Simons.

Cooperação para o desenvolvimento social

A visita ocorreu no contexto do Memorando de Entendimento sobre Cooperação para o Desenvolvimento na Área Social, assinado em Brasília em 28 de maio pelos governos do Brasil e do Suriname. O instrumento expressa a intenção dos dois países de negociar e implementar projetos de cooperação técnica voltados ao fortalecimento das políticas de proteção social.

Coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a iniciativa prevê a construção de ações de cooperação voltadas ao fortalecimento institucional do sistema de proteção social surinamês.

Entre os temas prioritários da futura parceria estão o aperfeiçoamento de sistemas de proteção social, o fortalecimento das capacidades institucionais de órgãos responsáveis por programas socioassistenciais, o intercâmbio de experiências sobre registros sociais e programas de transferência de renda, a capacitação de gestores e técnicos, a realização de visitas técnicas e o compartilhamento de conhecimentos sobre políticas públicas voltadas à redução das vulnerabilidades sociais.

A agenda reforça o compromisso de Brasil e Suriname com a cooperação Sul-Sul e amplia as oportunidades de intercâmbio de conhecimentos e soluções desenvolvidas pelos dois países para promover inclusão social, reduzir desigualdades e melhorar as condições de vida das populações mais vulneráveis.

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Comunicações e Transparência Pública
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